De todas as torcidas, és única


Um, dois, quatro, dez, cinquenta, cem torcedores atravessam as ruas que ligam ao estádio carregando uma só bandeira. Alguns se conhecem desde a infância, outros se conheceram a alguns minutos, mas todos se entreolham sabendo que ali todos tem, de certa forma, um elo para toda a vida.

Entregamos os livros sobre aquela partida para a máquina que nos devolve carimbado. Sim! São livros para o futuro, isso que todos chamam de ingressos, mas o dicionário do atleticano apaixonado permite que também sejam chamado de álbuns de fotografia.

A maioria ali ainda é jovem, mas guardam seus ingressos pensando no futuro e visualizando a cena: “Oh meu filho, esse jogo aqui eu carregava o bandeirão e na minha frente havia um atleticano que deixou o pai no hospital prometendo voltar com o resultado positivo. Ele voltou, o pai melhorou e ele teve a certeza que foi uma cura através da felicidade proporcionada pelo Galo.”  - “Esse aqui está meio apagado, mas nesse jogo eu vi uma senhora que passou a noite a catar latinhas para conseguir dinheiro e ver o Galo sendo campeão. Achei que ela não aguentaria ficar em pé, mas foi eu quem não aguentei cantar e pular no ritmo dela.”

Ao chegar na arquibancada, deixamos o bandeirão no chão. Hoje ele estava mais pesado pelos últimos resultados e pelos planos que não foram como queríamos, mas agora é hora de descansar. Porém, no mundo atleticano, descansamos de maneiras diferentes. Descansamos com o “olê olê olê Ô Galo eu vim aqui só pra te ver” ou “Somos, somos alvinegros e apoiaremos o Galo para sempre”. E assim, descansando, às vezes sequer vemos os gols.

E o gol tira daquele tecido todo resultado negativo, nos faz esquecer tabelas, cálculos e chances de classificação. O bandeirão sobre para tampar o rosto dos marmanjos que não seguram as lágrimas ao cantar o hino. A gigante bandeira sobe, mas nem todo tecido do mundo poderia tampar a felicidade da Massa que agora tem a certeza que é o povo mais feliz das últimas dez décadas.

Eis que alguém na torcida adversária pergunta – “Mas como? Como ser feliz sem tantos títulos nacionais ou internacionais?” – A resposta está na comemoração! A torcida atleticana não comemora títulos, ela comemora sua existência e esse é o mais puro sentimento.
E assim, sobe o bandeirão….

ABRAÇO NAÇÃO!

Fael Lima

Twitter Cam1sa Do2e

*O vídeo no início do texto é do Projeto Brasileirão Petrobrás e foi gravado na última semana em Bh e Ipatinga. Show de bola o resultado final e agradecemos aos produtores que souberam por uma semana o que é ser Atleticano.

Comentários

22 responses to De todas as torcidas, és única


  1. Nathália

    Disse tudo! quem nunca chorou quando viu o bandeirão subir?
    Galo sempre!

  2. Lucas Tito

    o bandeirao é de se emocionar mesmo, quando o galo foi campeao que mostrou o bandeirao desceu uma lagrima de alegria, quem é atleticano de verdade já aconteceu isso

  3. Letícia Oliveira

    Arrepio..demais!!!!!!

  4. O Galo é paixão,raça e união.
    Esse amor nunca vai acabar!

    GALO PARA SEMPRE!

  5. Henrique Mendes

    Galo é foda!

  6. Laís Durães

    Sinceramente, vou me cansar de elogiar seus textos. Muito bom e totalmente verdadeiro. Enquanto vc continuar escrevendo, eu continuo lendo..
    A respeito do bandeirão, nunca presenciei ao vivo, mas sonho com esse dia. Sempre me arrepio só de ver pela TV, é incrível. A massa atleticana é única e pra lah de especial.
    GALOOOOOOO é tuuuuudo!!!

  7. Thiago Fontoura

    Emocionante! Como deixar de ser atleticano, brother? É BÃO DEMAIS TORCER PRA ESSE TIME!!! Abs.

  8. dydycn

    ao ler as primeiras palavras, me lembrei e 1 vez q meu irmao + velho me levou pra ver o jogo da selecao brasileira contra a venezuela… todos diziam… vai ser cm nos outros lugares a uniao das torcidas.(risos) soh q em minas nao… a torcida do galo foi, levou seu primeiro bandeirao(o maior do mundo na epoca)… foi a festa.. a torcida do Galo fez a diferenca no estadio.. q pra variar, tinha em maior numero torcedores do GALO. rs
    Sempre fui atleticano… nasci assim, e vou morrer assim…ms algo q amo no GALO eh sua torcida… iria ao estadio soh pra ver ela cantando vibrando… existe algo diferente, q nao se compara… arrepia ouvir o hino cantado nas arquibancadas, eh inexplicavel…morando fora de Minas a 5 anos e destes 2 fora do País. Cada vez mais sinto falta de poder estar junto da massa, de poder vibrar, chorar, me arrepiar, até mesmo xingar…
    Parabens a nossa torcida… q pode nao ser a maior do mundo…ms com toda certeza eh a melhor do mundo…
    Galo sempre…

  9. Saudade do MINEIRAO!!!!!
    Faz muita falta!

  10. Veruska Juliana

    A torcida atleticana não comemora títulos, ela comemora sua existência e esse é o mais puro sentimento.
    E assim, sobe o bandeirão….Falou tudo!!!

  11. Ana d' Ávila

    Sensacional!!!!

    To comentando e nem vi tudo mas não ternho duvida!

    E parabéns por SEMPRE fazer parte disso!!!

    Ja to em prantos aqui!

    Valeu Fael! VAleu Brasileirão Petrobrás!

  12. Caetano Veloso diz que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Para mim, só o atleticano sabe a dor e a delícia de ser o que é…

    Ô torcida!

  13. Lucas de Freitas

    torcida do GALO,somos nos

    e nos somos diferentes!!!

  14. kennedy e. silva

    essa torcida é demais… e nos fazemos parte dela. já ajudei a esticar o bandeirão no mineirão e foi a maior emoção… é o galo do meu coração

  15. Véi, caralho! Sempre emociono e encho o olho de lágrima com seus textos… Sou seu fã.. Puta ki pariu!

  16. Rodrigo Queiroz

    Não da pra falar do sentimento! Eu Rodrigo Queiroz não consigo expressar tamanho fascinação, amor, todos esses adjetivos! A torcida atleticana não comemora títulos, ela comemora sua existência e esse é o mais puro sentimento. “Fael Lima” não ha como explicar o inexplicável, Amar um pedaço de pano? Amar um escudo? SIM AMAMOS TUDO, DESDE A PRIMEIRA PEDRA DO CT ATÉ A ULTIMA GLORIA! Isto é ser ATLETICANO … e te amaremos por toda vida! Se precisar morreremos só pra te ver jogar.

  17. @lukinhaps

    gostaria que torcida e jogadores fossem um só, aí sim, era títulos e mais títulos..

  18. @CaioCarmo

    Meu pai, nascido em Imbé de Minas, filho de um cruzeirense, conta-nos que seu irmao mais velho mudou-se para Belo Horizonte a trabalho… Algum tempo depois meu pai, adolescente ainda, foi pra BH ficar uma semana de ferias, e assim meu pai e meu tio vao ao mineirao em um jogo do cruzeiro, resultado do passeio, meu pai nao gostou muito… No fim de semana seguinte, Cruzeiro x Atlético, e lá vao eles pro estadio. Eis que o inesperado ao meu avô acontece: Meu pai, filho e neto e irmao de cruzeirenses, no meio da torcida do cruzeiro se torna um atleticano, ao ver a massa cantando e empurrando o time, mesmo numa derrota! Hoje, meu pai alem de ser atleticano, transmitiu a paixao para seus quatro filhos, e assim sera perpetuada essa Paixão! O fim da cornica, me faz lembrar essa historia! GALO!

  19. Débora Almeida

    Isso é TORCIDA!!!!!!! Só posso dizer “o Galo é minha (nossa) vida”!

  20. Nanda Menezes

    Show demais !
    Não sei dizer o que aconteceu. Venho de uma família cruzeirense.
    Simplesmente escilhi torcer para o Galo, já pequenininha.Aqui, somos 4 irmãs.
    Sou a única que gosta de futebol e torcedora fanática do CAM.
    Só me lembro que pequena passeando com meu pai, vi um moço na rua com a camisa do Galo.
    Perguntei ao meu pai que camisa era aquela.Ele me contou.Pronto, meu coração naquele momento tornou-se alvinegro.

  21. Definitivamente, o talento do Fael Lima é incontestável. Os seus textos sempre tocam e emocionam a massa, pois cada Atleticano consegue se identificar nem que seja com uma linha de suas narrativas.

    Como eu já disse em comentários de outros posts, apesar de todos os esforços de grande parte dos meus familiares, sempre deixei meu sangue alvinegro falar mais alto. Meu pai, meu único exemplo de Atleticano em toda a família, nunca forçou a barra. Muitos pais vestem seus filhos com as cores do seu time mesmo antes de seus rebentos terem a chance de optar (e eu não tenho dúvidas de que eu assim o farei… rs!), mas meu pai foi diferente. Ele foi paciente comigo e com meus irmãos. Mas como poderíamos escolher diferente se tivemos dentro de casa um exemplo de grande paixão pelo alvinegro?

    Parabéns, Fael, por mais esse post tão bacana!
    Por mais que às vezes eu esqueça de comentar, estou sempre lendo e gostando bastante dos seus textos.

    Saudações alvinegras!

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