Um amor diferente

Photo 0001 300x225 Um amor diferenteAmor tem de vários tipos, cores, gêneros e jeitos, mas o amor por um time é o mais difícil de descrever. Se tratando do amor pelo Atlético, aí temos algo indescritível, é mais que amor, não tem como explicar, é sentir cada segundo de jogo como um batimento cardíaco acelerado. É esperar ansiosa pelo próximo gol, é arrepiar ao ouvir tocar o hino, é, após uma derrota, vexaminosa vestir a camisa e sair para a rua defendendo que o Atlético não é o time atual, presidente ou técnico, mas que o Clube Atlético Mineiro são os milhares de torcedores apaixonados que passam esse sentimento pelo alvinegro de geração em geração.

Um dia me fizeram a seguinte pergunta: “O que te faz amar o Atlético depois de tanto tempo sem conquistar um título importante?”. Fui obrigada a responder que o meu amor não é pela sala de troféus que tem na Sede e Cidade do GALO, nem pelo número de taças que tem por lá. Meu amor está no grito de amor na garganta de cada atleticano a cada jogo, por cada lágrima de felicidade ou tristeza que molha a camisa do atleticano, por todos os torcedores que, faça frio, chuva ou sol, estão indo aos campos, viajando, seguindo seu time para mostrar o que é de verdade amar um time. E isso não é amar pedaços de metal banhados a ouro, prata ou bronze com nomes gravados.

O amor puro que nada pede e nada quer, ainda assim o amor. Infinito por ser amor, belo por ser verdadeiro e, sendo verdadeiro, livre de qualquer outra compreensão. Obrigado Deus, pois sou Clube Atlético Mineiro.

Enviado por Júlia Viana

O filho pródigo já voltou

vamo que vamo1 O filho pródigo já voltouQuando ele voltou, muitos por aqui já davam a sua ausência como eterna. A sua trajetória fora, foi acompanhada por poucos, mas ele, sempre que possível, voltava os olhos para o lugar que lhe acolheu. Voltou sem fazer muito barulho, característica típica dos habitantes de sua terra natal. Muitos que aqui estavam, foram contra o seu retorno, afinal ele já estava velho para a atividade que exercia, outros mais confiantes apoiaram, e se mostraram otimistas.

Sabia que a missão não seria fácil, que as cobranças seriam muitas, e que junto delas viria o peso das expectativas, mas era o preço que ele teria que pagar. Mesmo sabendo, ou justamente por saber, não conseguiu assimilar. Ainda não alcançou o futebol de qualidade, com o qual estávamos acostumados a o ver jogar, onde uma bola parada fora da área era sinônimo de gol, não causou nenhum frisson e acabou fazendo até os mais esperançosos desacreditarem nele.

Como se não bastasse, sofreu lesões físicas e éticas, e por muitas vezes teve seu nome achocalhado por aqueles que um dia o admiraram. Sua competência até hoje é passível de desconfiança, pois foram muitas as vezes que nos deixou na mão e acabou prejudicando o rendimento de toda equipe na última temporada. Quanto a isso, não há argumentos.

Mas domingo ganhou a chance de reaparecer, de ser notado, sabia que não podia desperdiçar a oportunidade, porque talvez fosse a última. E não desperdiçou! No pouco tempo que lhe foi concedido, marcou o gol e vibrou emocionado, não uma emoção de quem quer aparecer na tv, era um sentimento de alívio, de agradecimento de fé.

Naquele momento, pra mim, dentre tantos os outros julgados incompetentes, dentre tantos que apenas cumprem contrato, prestam serviço, ele mereceu destaque, porque mostrou por nós, algo tão importante quanta competência, respeito.

A sua antiga habilidade ainda não foi alcançada, há muito que melhorar, mas eu me pergunto se existem outros tão inabilitados quanto ele, e que não tem por nós o mínimo reconhecimento e mesmo assim lhe são dados o direito de vestir o manto. Seria tão errado assim dar uma chance ao filho pródigo?

mancini após gol bruno cantini 199x300 O filho pródigo já voltouEm tempos onde o capitalismo impera, talvez fosse necessário dar uma chance para novos valores aparecerem.

Não podemos ter a certeza de bons resultados ou de vitórias garantidas, mas podemos ter a certeza de que sempre que for lhe dada uma oportunidade, ele fará mais do que aqueles que nos tratam como mais um time para encher o currículo.

Ninguém desaprende a jogar, qualidade se conquista com prática, amor à camisa não.

“Vamo que vamo Galo”

Foto: Bruno Cantini

Kelly Souza

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