Suavemente a bola… Suavemente Ave Marques

A tarde de verão seria mais uma se não tivéssemos um Marques em campo, onde tudo aconteceria, até o inesperado aconteceria, afinal, no clássico, um golzinho apenas daria o título ao time deste eterno xodó que mais parecia voar em campo.

Havia feito suas orações, à torcida, às promessas e às mandingas. No círculo do meio campo meditava longamente em mais um jogo de rotina, repetindo os mesmos gestos, alongando, aquecendo e sentindo o rufar dos tambores que vinham das arquibancadas, sentindo ainda que poderia rifar as suas emoções.

Havia preparado o corpo, mas o corpo já cansado abandonara o que a cabeça desejava, porém o maestro Marques penitenciando seguia com a fé, a mesma fé que a torcida sentia num só canto de amor e admiração. Tomou um pouco de água gelada, não fugia do sol escaldante, levava butinada e seguia ileso rumo ao gol adversário. O relógio correndo e sua alma luminosa no calor de mil sóis parecia gingar acima das arquibancadas.

Como perdi aquele gol, lamentava após a partida…

Milhares de fieis tristes, o mestre também; queriam entender do fundo da alma e com a sabedoria dos deuses como atirou aquela bola na trave que mansamente saiu pela linha de fundo. Não precisou correr muito além do costumeiro gingado naquelas tardes tão ruidosas como bater asas de um pássaro, a bola sua companheira eterna o traiu.

Parecia ter quebrado as asas, observou os gomos da bola interminavelmente, o Mestre Marques queria ter acertado um canto e num tiro só balançado todas as redes como bater das asas dos pássaros em revoadas desejando colocar em prova toda a pureza de sua alma.

Os pombinhos que habitavam o estádio voaram para longe, decepcionados talvez por serem mais puros que aquele ferro onde a bola havia batido, mais que aquelas chuteiras que o acompanhava há tempos e que debaixo de um armário cobertas de tolhas permanecem caladas e envergonhadas, quando o Mestre mais precisou,elas queimaram seus pés.

Recomeçou a ocupar os espaços do campo, corria feito criança naquele corpo franzino e quase leve quanto de um pássaro, desejando alegrar-se a Massa, mas a partida já chegava ao final.

Corria ainda, parava, olhava os companheiros ao lado, mas eles não conseguiam captar a arte e a rápida imaginação do Mestre que nunca se iludia. Aquilo tudo era irrisório e, meio descrente, olhava a desilusão das pessoas que confiavam cegamente por não pertencer àquele mundo imortal fora das quatro linhas. Ouvia o grito da torcida e não se abatia, emocionou-se é verdade, mas forte, altivo e feroz, queria dar um pouco mais de si e tinha o direito de tentar retribuir a todos pelo carinho e o respeito que conquistou desde que ali chegou.

Viu o estádio dividido em cores pretas e brancas, como se fossem um continente onde nunca teria silêncio, nunca a voz calaria e as distâncias seriam mínimas. E de novo correu feito uma águia, viu que até os adversários os saudavam em admiração e prestaram reverência.

A partida chegou ao fim. Já se viam as sombras sobre a escuridão do estádio dando lugar ao vazio, a torcida enrolou as bandeiras, algum repórter o esperava na porta de saída, o rufar dos tambores ainda soavam em sua cabeça, o grito da torcida jamais saíram de sua cabeça e os mosquitos que cruzavam seu olhar sem resposta o deixava sem ânimo.

O Mestre Marques sentou-se cansado na cadeira escorregadia de madeira branca, pernas avermelhadas, cabeça baixa, as mãos nas costas dos companheiros agradecendo pela amizade de longo tempo de luta. O meião estava amarelado e encharcado de suor, os pés cheios de bolhas e assim sentiu-se mais leve e abençoado do que momentos antes. Seu corpo estava calmo, não incendiaria mais os estádios. E pensava mais naquele chão pesado para o pássaro leve que voava suavemente atrás da bola, hoje a amarga companheira, que apesar de tudo iluminava sua alma.  Parte de cabeça erguida, a torcida agradecida ainda efervescente como extensão das arquibancadas, e muitos sonhos brotavam mergulhando numa lágrima sem fim em seu rosto tímido e sincero.

O ar agora seria o mesmo se não aparecesse um técnico boçal e um presidente que jogaram por terra todo sonho de um Mestre que um dia queria encerrar a carreira nos braços da Massa, como tantas vezes fora ovacionado.

Ao craque e Mestre Marques, minha singela homenagem, cheio de saudades de seu alegre futebol…

Guto de Moura – Torcida Uniformizada do Atlético.

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Nome, apelido e idade

Marcela Diniz – Marcelinha – 17 anos.

Onde nasceu e vive

Marcela: Nasci e vivo em Belo horizonte.

E o coração, como está?

Marcela: À procura de um príncipe, não precisa estar de cavalo branco, mas sim com uma camisa do GALO! Boa resposta!

O que tem achado da atuação do time nesse começo de campeonato, totalmente líder?

Marcela: Estou gostando muito. O time está mostrando raça.

Descreva em poucas palavras o que significa ser ATLETICANA.

Marcela: Ser atleticana é torcer de corpo e alma, é comemorar nas vitórias, chorar nas derrotas, apoiar o time incondicionalmente.

Que jogador será o destaque da equipe em 2012?
Marcela: Bernard.

Se pudesse trazer algum reforço, quem você contrataria e por quê?

Marcela: O Tardelli, ele faz falta no Atlético.

Nesse começo de campeonato, o comportamento da torcida está sendo diferente, mais cobranças etc. Você acha que a atitude está correta ou que o apoio deve continuar INCONDICIONAL?

Marcela: Acho que a torcida deve cobrar sim, sem deixar de apoiar o time.

*Agradecimento especial à Vivi, Paulo Henrique e ao Ricardo Vitor que contribuíram nas últimas semanas com o Cam1sa D3las.

Fael Lima

ABRAÇO NAÇÃO!

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