‘Vamo que vamo’ – Reféns

Colunistas Kelly Souza Vamo que vamo   Reféns

A situação não é nova, muito pelo contrário, de tão antiga, hoje em dia nem dá mais capa de jornal, mas está cada vez mais absurda. Os torcedores do Galo sofreram muito tempo com a viagem longa que era preciso fazer para ver o seu time jogar na Arena do Jacaré, e isso nunca foi empecilho. A casa voltou para a nossa cidade e a tendência era que o público que não tinha condições de ir pra Sete Lagoas corresse para a bilheteria para matar a saudade do glorioso. O que eles não sabiam é que isso não seria possível.

Os ingressos do Atlético somem da bilheteria mais rápido que celulares em dia de jogo do Corinthians, e não achamos um único homem de verdade pra explicar como isso pode acontecer. A sensação que tenho é que somos os palhaços desse circo e, tanto autoridades quanto funcionários da empresa que terceirizam o atendimento na bilheteria, são a plateia que riem da nossa cara com a maior cara de pau.

Estratégias, como madrugar ou mesmo chegar um dia antes na fila, já não funcionam mais, pois enquanto enfrentamos obstáculos como frio e fome do lado de fora, o circo já está sendo armado em algum lugar só esperando nossa entrada no picadeiro.

250797 2938202833230 540299199 n 300x300 Vamo que vamo   RefénsA abertura da bilheteria, que deveria ser um alívio para tanta espera, é sinal de terror; nem mesmo o segundo integrante da fila é capaz de afirmar que terá seu ingresso nas mãos. Ouvir a frase “está esgotado” sair da boca dos funcionários é o mesmo que ouvir –  “Deixa de ser idiota,o futebol não te pertence mais,” – então eu te pergunto, pertence a quem?

Pertence aos cambistas, raça que não sei se é gente ou alma penada, comprando ingressos como quem compra um refrigerante, sem ter a mínima noção do que ele representa de verdade. Pertence ao funcionário “espertinho” que enxerga uma oportunidade de enriquecer ou de simplesmente tirar uma onda com o amigo, em cima do nosso sentimento. Pertence à diretoria, que nos dá como única opção, um Galo na Veia falho. Pertence ao torcedor herdeiro do Gaúcho, que não sabe o nome de ninguém do elenco, a não ser o do nosso R49.

Ao contrário dos funcionários, que chamam a polícia para usar da força para impor a “ordem”, não temos a quem recorrer. A diretoria pouco interessa se muitas crianças perderam a oportunidade de ir pela primeira vez ao estádio, pouco importa se o pai, que tirou o dinheiro da compra do mês para ir ao jogo, vai voltar de mãos vazias. Pouco importa se os torcedores que são enxotados da fila pelos policiais e seguranças são os mesmos que viajam pelo país carregando esse time nas costas. Como tudo no Brasil, o que se vê é um jogo de empurra e nenhuma boa vontade das autoridades competentes (?) em descobrir o que realmente está acontecendo.

Somos reféns da paixão pelo Atlético, e da corrupção  que infelizmente está acabando com o nosso futebol.

Apesar disso tudo…

“Vamo que vamo Galo!”

Kelly Souza

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