E assim nasceram os Galo’s

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Alexandre Queiroga, 46 anos, publicitário, é um Atleticano que deixou sua marca nas páginas centenárias da história Atleticana. A Massa passou a cantar ainda mais alto quando um Galo crescia à sua frente, como o líder daquele exército. Antes dos jogos, pela tv ou dentro de campo, crianças esperam ansiosas pelo momento em que um Galo Doido entrará correndo pelo gramado, representando a doce loucura que é o Atlético. Em visitas a hospitais, creches, escolas, entre outros lugares, esse mascote pode ter convertido milhares de Atleticanos.

Tudo isso contou com a ajuda do Alexandre, que uniu boas ideias à sua paixão pelo Preto e Branco. Deu certo!

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Alexandre Queiroga

Primeiro quero saber como você começou sua história com o Atlético. É de berço?

Alexandre: O Galo na minha vida é um fator genético, pois meu avô já era um autêntico detentor da honraria de amar e torcer pelo Clube Atlético Mineiro.

Hoje infelizmente lamento a ausência do meu pai e dos meus avós ao meu lado para compartilharem desta alegria que tenho por fazer parte de alguma forma da história deste clube pelo qual sinto tanto orgulho. Mas certamente alguma festa no céu deve ter havido quando lançamos os mascotes, e haverá novamente este ano com a conquista do Brasileirão, se Deus quiser.

Como nasceu o Galo inflável?

Alexandre: O Galo Inflável na verdade foi parte de um projeto que apresentei ao clube para desenvolver o Sócio Torcedor, até então inexistente no Atlético.  Eu desenvolvi este projeto e uma das ações de marketing seria justamente o lançamento do Galo Inflável.

Na verdade, muito de sua ideia nasceu do meu foco em cativar as crianças, criar essa relação de idolatria boa entre os torcedores do amanhã e um mascote com cara de herói em quadrinhos que lhes passasse segurança, confiança.  Essa empatia traria em consequência os pais como que “convocados” pelos pequenos alvinegros a leva-los ao estádio, ingressarem no Sócio Torcedor, enfim, uma ação com inúmeras respostas positivas.

Qual foi o jogo de estreia dele?

Alexandre: Seu jogo de estreia foi em 1º de agosto de 2001, contra o Coritiba . Eram 18 horas e eu ainda estava em São Paulo, com o Inflável no terminal de cargas da companhia aérea.  Não fosse o clube ter praticamente fechado o terminal em função deste embarque, fatalmente não ocorreria esta estreia. Foi indescritível a reação da torcida. Colocamos o Galão posicionado em frente ao meio da arquibancada, diferentemente do tradicional local onde acabaria ficando no Mineirão. O que se viu foi um mar de pessoas se movendo das extremidades da arquibancada em direção ao centro para poderem ver de mais perto aquele gigante.

1 225x300 E assim nasceram os GalosO Galo Doido seria um complemento ou foi um projeto à parte?

Alexandre: O Galo Doido foi um projeto em separado, mas não deixou de ter uma coerência com o Galo Inflável. Nele eu pude ser ainda mais fiel ao objetivo do super-herói atleticano que já era inspiração para o Galão Inflável. Diante da excelente visão global que sempre teve a Adriana Branco, desejando exatamente esse resultado que obtivemos, o resto eu diria que foi fácil.

Quanto tempo demorou dos primeiros rabiscos até a primeira vez em campo?

Alexandre: Para o Inflável, o trabalho de criação praticamente dito não demorou muito. Uma vez aprovado, aí sim levei um tempo maior para buscar o efeito final que temos hoje. Vale ressaltar que um Inflável não funciona como um objeto de plástico onde você faz uma matriz de escultura da forma que ela foi concebida originalmente. O Inflável é cheio de ar, e por isso mesmo sua forma final depende das amarrações e tramas feitas por dentro dele. Não possui, portanto, uma fidelidade extraordinária em se comparando com o que se pode fazer com outras técnicas. Pensando nisso, tive que desenvolver algo já pensando no material usado e nas condições finais deste material. Ele é feito do mesmo tecido usado em paraquedas. Já o Galo Doido foi um pouco mais complicado em sua produção, pois era um trabalho de escultura que depois se tornaria a matriz para fibra de vidro. Quem desenvolveu essa matriz e o restante a partir do meu layout foi uma empresa paulista que produz nada mais nada menos que os cenários da rede Globo.

Que história é essa que uma empresa mandou um modelo feito de pelúcia e você mandou refazer?

Alexandre: Isso realmente aconteceu.  Desde o começo dos trabalhos do Galo Doido, eu deixei claro que não queria um brinquedo de pelúcia, porque o Galo Doido não tem a menor semelhança ou compatibilidade com pelúcias e afins. Ele é um super-herói, e assim sendo, se não pode ser de aço por uma questão de peso, que seja no mínimo de fibra e com pintura automotiva ainda. Acontece que o rapaz da produção acabou errando e enviou a cabeça com acabamento em pelúcia. Aí telefonei e disse: “Amigo, o mascote não é um urso, um castor, pônei ou raposa. Ele é um Galo, um Super Galo! Pelúcia não, tá certo?” – Assim foi refeito da forma que desejávamos. Hoje ele não é mais usado com fibra porque apesar de ter um melhor acabamento, fica mais pesado que o atual, de espuma. Mas pelúcia ele nunca terá, enquanto mascote de campo.

Qual a sensação ao ver que a Massa vibra quando ele entra em campo?

Alexandre: Não dá para descrever. Hoje meio que os mascotes fazem parte da minha família. Vejo-os em eventos e fico orgulhoso, o mesmo no estádio. Mas tal e qual um pai consciente, não vou atrapalhar seu momento e deixo-os fazerem seus trabalhos em paz. Eles têm vida própria e só por terem adquirido a maioridade e vencido no gosto popular, sinto-me realizado.

Quando o Mangabeira associou o Atlético ao Galo, ele acertou em cheio?

Alexandre: Mangabeira foi muito mais do que o criador do nosso primeiro mascote. Ele nos deu uma identidade em cima da própria identidade do time. Como o Galo era um time de raça, ele genialmente deu asas (literalmente) ao espírito Atleticano, que daí se fortaleceu. Uma das maiores alegrias que tive, enquanto criador do Inflável, foi testemunhá-lo ligando  a tomada dos geradores de ar , e ao vê-lo inflar diante de si, agradeceu em voz baixa, como se eu tivesse algum mérito nisso tudo. Ao contrário, foi ele quem me inspirou em fazer perpetuar nos mascotes de hoje, a sua obra imortal. Os mascotes existiram e existem graças à três pessoas, pela ordem: Mangabeira, Ronan Ramos e Adriana Branco. Eu fui apenas um pequeno instrumento, mas não nego que descansarei em paz se algum dia lembrarem-se de mim como tendo feito parte desta história gloriosa, mesmo que de forma discreta. Inclusive já fiz meu último pedido de vida, que foi o de ter o Galo Inflável presente me homenageando, como filho que é, no meu velório.

Há alguma outra ideia para o futuro do Alvinegro em campo?

Alexandre: Sobre o futuro, eu tenho algumas ideias sim, jamais deixo de pensar em algo novo para o Atlético. Nas vezes que fui ao Independência, eu dividia a atenção ao gramado com a estrutura do estádio, imaginando qual seria minha mais nova invenção pro Atlético. Tenho alguns rabiscos, mas são embrionários ainda. Vou aguardar o Mineirão reabrir para ver se as ideias podem ser compartilhadas para ambos os estádios, fundamental para sua exposição ilimitada. Se o anel do Independência for fechado como foi noticiado, ainda assim tenho algo na manga para ele. Quem viver, verá.

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“Amigo, o mascote não é um urso, um castor, pônei ou raposa.”

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Outro rascunho de concepção inicial para o Galão Inflável.

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Nesta fase, a escultura da cabeça como primeiro passo. Posteriormente foi feita a matriz e nela o preenchimento de resina.

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©Todos os direitos reservados ao Clube Atlético Mineiro.

Fael Lima

ABRAÇO NAÇÃO!

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