Vasco, Flu, Bota e Fla? Que nada! Essa turma é Galo!

Cantar o hino, vestir a camisa ou simplesmente gritar Galo. Ações que você faz uma vez e passa a ficar dependente, viciado, maluco, apaixonado. E a regra é válida em Minas Gerais, em outro estado, outro continente ou debaixo da tampa de um caixão.

Prova disso é a CarioGalo, uma turma que, mesmo longe das montanhas mineiras, mostra que a parada de ser “uma vez até morrer” é levado a sério. O Cam1sa Do2e conversou com o Custodio Pereira, que nos contou como é acompanhar o Atlético do Rio de Janeiro.

580848 189657877831443 1989210214 n 300x225 Vasco, Flu, Bota e Fla? Que nada! Essa turma é Galo!De quem foi a ideia de começar a reunir os Atleticanos no Rio de Janeiro e como foram os primeiros passos?

Em 14 de abril, de 2006, o Thadeu Santos, Atleticano nascido em Angra dos Reis, criou uma comunidade no Orkut com o nome “Atleticanos no Rio de Janeiro”. A primeira tentativa de ver algum jogo foi por meio dessa comunidade, para Atlético e Ceará, na Série B, em 2006. Compareceram 3 pessoas, sendo eu, Dico, um paulista, torcedor do São Paulo, com a esposa, Atleticana nascida em Divinópolis. Depois dessa primeira tentativa, várias outras aconteceram, ainda na Série B em 2006 e também em 2007, ainda com o nome Atleticanos no Rio de Janeiro.

Ao longo de 2007, a idéia de reunir mais gente e definir um bar foi amadurecendo. Em um sábado, eu, o Thadeu Santos e o Gustavo Bacellar, mineiro de BH, que fazia faculdade de Medicina no Rio, chegamos a ir em Niterói conversando como seria tudo. Ainda em 2007, o Thadeu Santos e eu definimos o nome como sendo Cariogalo – Atleticanos no Rio de Janeiro, preterindo “Galo Carioca”.

Somente em outubro de 2008, um amigo meu aqui do Rio fez uma logo, e junto com o Thadeu fizemos algumas camisas como o nome Cariogalo, mas ainda não conseguíamos reunir gente no bar. Em 2009, no Mineiro, assistimos alguns jogos juntos na casa dele. Com a boa campanha no Brasileiro, conseguimos nos reunir algumas vezes em Copacabana, alternando bares, pois todos priorizavam sempre os times do Rio, mesmo que os Atleticanos fossem maioria no local. Por vezes, os bares nos deixavam na mão. Um dia encontrei o Hugo Penido e sua namorada Maria, esse é o nome dela hehe, que nasceu no Rio, mas era Atleticana. Quando o Bar falhava, a gente se reunia na casa do Hugo.

Creio que em 2010, num bar em Copacabana, houve a primeira reunião, em maior quantidade de pessoas, no segundo jogo entre Galo e Santos pela Copa do Brasil. Também em 2010, o Augusto Savietto, que depois se mudou para São Paulo, criou um Yahoo Groups para facilitar a comunicação. Ainda em 2010, assistimos alguns jogos do Brasileiro e da Copa Sulamericana no buteco Fala Sério. Quando lá chegávamos, o bar estava fechado, não passava o jogo ou tinha roda de samba e etc. Ainda naquele ano, foi criado no Rio o Olé, que passava os jogos de todos os times, pois tinha 14 TVs. Com a certeza de que ali passaria todo jogo e com a criação de um perfil da Cariogalo no twitter, o grupo foi crescendo. Naquele Cruzeiro e Galo, que vencemos por 4 a 3, chegamos a reunir em torno de 40 pessoas. Em 2011, foi criada a página e o perfil Cariogalo no Facebook, o que aumentou a divulgação. A decisão do Mineiro assistimos em Copacabana, onde estiveram em torno de uns 50 Atleticanos.

O Buteco Olé reabriu somente depois das finais e mudou de nome para Restaurante Invicto. Continuamos a assistir jogos lá. Em razão da campanha do time, a frequência diminuiu muito. Em alguns jogos, praticamente não ia ninguém. Apenas dois foram frequentes, o Guilherme Nazar e o Paulo Rocha, hoje em Aracaju, mas àquela época, recém-chegado ao Rio. No final do ano, naquela decepção contra o Cruzeiro, no Buteco estivarem umas 50 pessoas, fora as várias que não entraram por estar muito cheio. Em 2012, eles fecharam as porta de vez. Para não deixar o grupo desunir, conversamos com vários donos de bar em Botafogo. O Buteco Fala Sério era a melhor opção. Conversamos com o sócio do bar, que se mostrou disposto a nos apoiar.

Em retribuição pela confiança, nos propomos a pagar o PFC dele. O Guilherme Nazar pagou uma parte, o Mestre Tufic, nascido no Acre e o único do grupo que viu a final de 71, no Maracanã, pagou outra e eu o restante. Além disso, também em 2012, reunimos Guilherme Nazar, eu e o Cristiano Gadelha e custeamos a produção de camisas da Cariogalo, cuja arte foi desenhada pelo Fernando Gregori, amigo do Moisés Abranches, de BH. A campanha do time ajudou, o grupo cresceu. Fomos em 15 pessoas para Juiz de fora, naquele jogo de compadre das finais. Em 27 junho, a Revista Veja Rio fez uma reportagem conosco sobre como é a vida de torcedores para assistirem os jogos dos seus times de coração fora do Estado de origem.

Com isto, o grupo foi só crescendo, tanto que o bar tem dois andares, que já não são suficientes. Como há espaço do lado de fora, Guilherme Nazar e eu adquirimos uma televisão para a área externa. Conseguimos um desconto com o Ricardo Nunes, da Ricardo Eletro, e negociamos com o dono do bar uma forma dele nos reembolsar. Contra o Santos, numa quinta-feira, seguramente em torno de duzentas pessoas estiveram no Buteco. Em verdade, costumo dizer que não há um líder para o grupo, mas sim vários incentivadores, que foram se tornando amigos ao longo dos anos, e muitos até já se mudaram do Rio. Não vou nem tentar citar todos, pois acabaria esquecendo de algum

Onde vocês se encontram e como se comunicam na véspera de um jogo?

Até o fim do ano, em todos os jogos, estaremos no Buteco “Fala Sério”, que fica na Rua Arnaldo Quintela, 87, em Botafogo, a 3 KM de Copacabana. Mesmo sendo ponto certo, há uma convocação antes e no dia do jogo, nos nossos canais de comunicação. Telefonemas, SMS, e-mail, twitter, facebook e grupos de discussão. Como o Buteco tem virado referência como Puleiro do Galo no Rio, há até divulgação boca a boa, entre os Atleticanos e os adversários. No Galo e Santos, por exemplo, havia um torcedor que estava solitário em um Bar próximo e foi avisado por um carioca que a menos de 500 metros dali estavam centenas de Atleticanos. Saiu correndo eufórico pela rua, com a garrafa de cerveja na mão, e nos encontrou.

Fala pra gente como tem ficado o bar nesses últimos jogos.

Dos últimos seis jogos, nos três primeiros, Grêmio, Figueirense, Portuguesa, tivemos uma presença média de 50 a 60 pessoas. Nos últimos três, pulou para em torno de 100 pessoas contra o Inter, umas 150 contra o Sport e chegando a 200 pessoas contra o Santos.

Quando o jogo é no Rio, há alguma programação especial entre vocês?

No último jogo, contra o Fluminense, no Engenhão, foi a primeira experiência em nos concentrar em um local e depois ir para o estádio, facilitando a vida daqueles que conhecem pouco a cidade. Conseguimos lotar 4 vans, com 60 pessoas, homens e mulheres, das mais variadas idades. Encontramos meio dia no Buteco, onde almoçamos, bebemos e resenhamos. De lá, partimos para o estádio, por volta das 14 horas. Outros foram direto. Ao final do jogo, voltamos para o Buteco. Isto foi facilitado porque a reportagem na Revista Veja Rio ajudou muito a passar para todos que não somos torcida organizada. Longe disso. Somos torcedores, que se reúnem, em clima familiar e de amizade, para verem juntos os jogos do time de coração, matando a saudade de Minas.

É verdade que tem gente nessa turma que paga o Galo na Veia, mesmo morando longe de Bh?

Sim. Atleticanos doentes como Guilherme Nazar e o Cristiano Gadelha são exemplos de Atleticanos no Rio de Janeiro que pagam o Galo na Veia, mesmo morando no Rio. Tudo para ajudar o time e para eventualmente irem ao jogo, sem ter problema para comprar ingresso. A Massa do Galo é capaz de tudo para ver o time, principalmente jogando bem como está. E isto é um exemplo de como uma boa ferramenta de marketing pode levar o Galo em lugares nunca antes pensado.

182145 186476358149595 2034093396 n 300x225 Vasco, Flu, Bota e Fla? Que nada! Essa turma é Galo!Outra história interessante é que há filho de Rei na turma, certo?

Brincamos que, das figuras ilustres que assistem aos jogos conosco, o Daniel Lima, filho do Rei é o mais famoso. Isso porque, mesmo aqui no Rio de Janeiro, o Rei é unanimidade como um dos melhores atacantes da história do futebol brasileiro, algo que é dito em qualquer conversa com qualquer carioca que o viu jogar, sobretudo os flamenguistas. Aliás, Reinaldo, que esperamos trazer ao Buteco Fala Sério ainda esse ano. Assim que encontrarmos um patrocinador que nos permita fazer uma programação legal, uma boa divulgação e, claro, conseguirmos um dia disponível na agenda do nosso maior ídolo.

Qual foi o jogo mais marcante, no Rio?

Para o lado negativo, aquela derrota para o Botafogo, em 2007, em razão do apito do Simon, é com certeza a mais emblemática, embora recentemente o Galo não ganhasse nada no Rio, tendo levado goleadas de 4 e de 6 para o Vasco, goleadas para o Fluminense, diversas outras para o Botafogo e mesmo Flamengo. Mas, para o Botafogo em 2007, com aquele erro, quando estávamos no embalo da volta da Série B, pela forma que foi, lembrou aquelas derrotas doloridas sobretudo da década de 80.

Pelo lado positivo, com certeza aquela 3 a 0 contra o Flamengo, com show de Castillo, Renan Oliveira e Leandro Almeida, foi a mais marcante, embora ano passado vencemos o Fluminense no Engenhão de forma categórica.

Como a turma recebeu a notícia de que o jogo contra o Flamengo foi adiado?

Por conta da fase do Galo e do problema com o Ronaldinho, o jogo era muito esperado, inclusive pelos cariocas. Já estávamos planejando outra invasão ao Engenhão, no sábado à tarde, com concentração no Buteco, uma verdadeira festa. O adiamento, que não se explica até hoje, sem sequer remarcar o jogo, foi um balde de água fria. Sem defender teoria da conspiração, mas da forma que ocorreu nos faz lembrar que há interesses de alguns clubes que parecem mais importantes do que de outros. Particularmente, estamos pensando numa forma de fazer uma Representação ao Ministério Público do Rio de Janeiro, na defesa dos interesses do torcedor, que sobrepõe a questão clubística e é uma forma de exigir respeito de quem comanda o futebol brasileiro.

A rivalidade dos Atleticanos que moram no Rio é maior contra Vasco, Fla, Flu e Botafogo do que com o Cruzeiro?

Não. Mesmo nos tempos de pouca frequência no Bar, o clássico sempre tinha mais gente. Se andamos pela rua e passamos por um cruzeirense,ainda que de forma discreta e sem aquela radicalidade de BH, não deixamos de fazer uma brincadeira. Cruzeiro é o nosso maior rival. Já o Flamengo, depois da Era José Roberto Wrong, é o nosso maior inimigo. Isso mesmo, rival não, inimigo. O Botafogo teve uma rivalidade recente, porque o Galo não ganhava nada deles. Com o Fluminense não há maiores rivalidades e com o Vasco há uma sintonia muito grande.

521660 138555536275011 776103340 n 300x225 Vasco, Flu, Bota e Fla? Que nada! Essa turma é Galo!Estão confiantes esse ano?

Pelo elenco, pelo embalo e pelos pés no chão da diretoria e do Cuca e pela humildade que os jogadores estão demonstrando, uma vaguinha na Libertadores tem muitas chances de acontecer. E o título, bem, pensamos nele todo dia, toda hora, todo o momento. Esta semana mesmo compraremos nossas passagens rumo a Tóquio hahaha.

Pretendem reunir a turma e assistir a algum jogo em Belo Horizonte?

Sim, iremos em breve, embora comprar ingressos seja muito difícil por questões óbvias. Mas iremos. E lá reencontraremos muitos Atleticanos que já estiveram conosco, aqui no Rio.

O penúltimo jogo do campeonato é no Rio, contra o Botafogo. Se o destino nos sorrir e conquistarmos o Campeonato aí, como seria a festa?

Só não faremos uma carreata do Engenhão até Botafogo ou Copacabana porque o trajeto é longe e nem sempre seguro. Mas, com certeza, faremos uma festa e carreata, de carro e a pé, nas ruas de Botafogo e Copacabana. Se, em dias de jogo do Galo, o Buteco onde assistimos os jogos é uma pedaço de Minas, em pleno Rio de Janeiro, com o título, faremos do Rio a segunda capital mundial do Galo.

Caso alguém queira começar a assistir os jogos com vocês ou tirar dúvidas, quais as formas de contato?

Podem nos acionar seguintes canais:

Twitter: http://twitter.com/cariogalo

E-mail: [email protected]

Grupo de Discussões: http://br.groups.yahoo.com/group/cariogalo/

Enviar mensagem: [email protected]

Entrar no grupo: [email protected]

Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=11775551

Facebook: http://www.facebook.com/pages/Cariogalo/175121292529807

Atleticanos no Rio de Janeiro: Unidos pelo Galo. Nossa torcida vai ficar no sol, porque é fiel como a sombra. (Empresário Júlio Firmino, ao escolher a linha lateral como espaço reservado à torcida do Atlético durante a construção do Mineirão.)

Fotos: Arquivo pessoal

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Fael Lima

ABRAÇO NAÇÃO!

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