Atlético 5 x 2 Sport Boys – Sobrou vontade e nervosismo, mas faltou futebol

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14/04/2017 - 01:13

A noite de quinta-feira (13) teve um final feliz no Independência. Em jogo que para muitos foi surpreendentemente difícil, Fred decidiu e o Atlético goleou os bolivianos do Sport Boys. Mas além do resultado e dos contornos de emoção, o jogo válido pela 2ª rodada da fase de grupos da Libertadores revelou problemas no time do Galo que precisam ser analisados. E além disso, refletir a forma com que esses problemas são analisados.

Quando o "espírito de Libertadores" joga contra

Em jogo de Libertadores, o que mais se ouve é torcedor pedindo para que o time encare cada partida como uma guerra e jogue com "sangue no olho". Na Massa, que tem em suas tradições o gosto pela superação e demonstração de vontade dentro de campo, isso é potencializado.

Jogar com "raça" é fundamental no futebol ao mesmo tempo que é só mais uma parte do jogo. É preciso sim se dedicar ao máximo, lutar por cada bola, mas isso tem que andar junto com a eficiência tática e técnica para que o time jogue bem, dentro de sua proposta, e vença o jogo. Dificilmente o time vai perder ou vencer um jogo só porque jogou com raça ou não o fez.

Foto: Bruno Cantini / Atlético

No jogo contra o Sport Boys o Galo teve quatro minutos de bom futebol, até marcar o gol com Robinho. Depois disso, o time lutou, catimbou, brigou com os adversários e com a arbitragem, mas esqueceu de jogar bola. Deu espaço para que os bolivianos se aproveitassem da falha de Gabriel e empatassem o jogo.

O "espírito de Libertadores" se voltou contra o Atlético. Uma equipe sem nenhuma ideia de jogo em campo e para piorar, sem controle emocional para se reencontrar na partida. O Sport Boys, equipe bem organizada apesar das limitações técnicas, apresentou uma marcação bem compacta e contra-ataques organizados, tanto que conseguiu virar o jogo.

Trabalho de Roger ainda não aparece e o time ainda joga no piloto automático

Tudo bem... O Atlético fez mais quatro gols e virou. Retomou a vantagem com Elias, Rafael Moura, e claro, Fred, sendo decisivos. Mas na primeira etapa, o alvinegro teve o controle da posse de bola, porém criou poucas chances realmente claras, dependendo muito de bolas laterais e cruzamentos na área.

No segundo tempo, marcou gols no abafa, se valendo de uma pressão sem muita organização. O jogo pediu isso, mas a equipe podia ter facilitado as coisas muito antes.

Foto: Bruno Cantini / Atlético

Lá atrás, Gabriel teve noite especialmente infeliz, errando nos gols de Tenorio e Messidoro. Mas os cruzamentos que não foram cortados pelo jovem zagueiro só aconteceram porque os adversários bolivianos tiveram muito espaço para jogar. O Galo foi um time frouxo na marcação e as linhas se descompactavam com simples movimentos do adversário.

Erros táticos somados a um desequilíbrio emocional quase custaram o resultado ao Atlético. Sintomas de um time que ainda procura sua identidade e que ainda não atua como equipe. Até o momento, o Galo de Roger ainda tem muito daquela equipe de 2016, que se apoia demais nos espasmos individuais de seus jogadores e sofre na defesa.

Ter ou não ter paciência?

É normal e necessário que se cobre o treinador atleticano, mas como o "espírito de Libertadores", isso precisa ser equilibrado. Já se foram quatro meses, mas ainda temos oito pela frente. O trabalho de Roger pode estar demorando a aparecer, mas no momento, o melhor para o Galo é dar apoio e principalmente tempo para que ele encontre as soluções necessárias.

Foto: Bruno Cantini / Atlético

Que se cobre, principalmente, um futebol melhor. Menos pedidos de "raça para o time todo". Mais bola no chão, finalizações e equilíbrio defensivo. Não precisa e não pode ser sofrido sempre.