CANTO DO LEITOR – SIMPLESMENTE ASSIM

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Imagem: Internet

Enviado pelo leitor Henrique Gonçalves, de Governador Valadares

Explicar?

Explicar o que é inexplicável não é possível e não faz sentido.

O sentimento que passa aqui dentro não tem razão.

Todos os dias eu me pergunto o porquê disso.

Amo, vivo, sofro, tenho raiva, gosto, grito, respiro, tenho sede.

Não consigo entender tanta paixão assim.

Esse amor e ódio incontrolável e estranho que essa relação causa.

Isto não seria bom pra mim se não fosse algo que eu amo muito, mais que as dores que sofro.

Sofrer é uma questão lógica, é obvio, né?

Te amei, te amo e sempre vou te amar!

Galo pra sempre! Que seja eterno enquanto dure!

CARTA ABERTA AOS ATLETICANOS QUE ESTARÃO EM MARROCOS

fúria bandeira everaldo vilela CARTA ABERTA AOS ATLETICANOS QUE ESTARÃO EM MARROCOS

Foto: Everaldo Vilela

Texto enviado pelo leitor Gustavo Dayrell

Chegou a hora, o grande momento que todos nós sonhávamos, que alguns nem esperavam e que muitos sequer imaginavam que pudesse acontecer para esta geração tão sofrida.

E você vai estar lá, vivenciando o maior dos capítulos, vendo a história se passar diante dos seus olhos.

Lá estaremos eu, você e outros milhares dessa família, dentre eles, aquele que chegou por último e que tanto sofremos com a possibilidade dele não estar lá, aquele outro mais alto que sempre que precisamos, estava lá, aquele que conhecemos há mais tempo, sempre usando a camisa número nove, aquele gênio que o mundo inteiro reverencia. Aquele baixinho. Quem mais encarnou o nosso espírito de raça? Aquele predestinado que quando aparece lá na frente, é para decidir, aquele santo que todos nós vamos ser devotos para sempre.

E sabe qual a diferença desses últimos citados para nós? Basicamente duas – Uma é que fazemos parte dessa família há muito mais tempo que eles e a outra é que eles vão lutar em um setor diferente do nosso, dentro daquelas linhas brancas. Só isso!

Porque a responsabilidade é a mesma, temos o mesmo dever de fazer o que for possível para voltarmos de lá consagrados. Viva esse momento, faça a diferença, confiem em nós, repasse a energia de milhões de pessoas que não estarão lá e quando o jogo começar, faça-se valer por 2, 3, 10 torcedores. Cante como nunca cantou, grite o mais alto que puder, mostre pra aqueles onze caras a importância que isso tem para nós, mostre para o mundo a força que a Massa tem.

Essa família já mostrou do que é capaz dentro de campo e fora dele já fez a diferença, seja na porta de hotel, no aeroporto, nas ruas do Horto, dentro da nossa casa ou fora dela também. E o nosso amigo lá de cima também já mostrou que está do nosso lado, escrevendo o melhor dos roteiros para chegarmos até aqui.

Que tenhamos todos uma viagem inesquecível, pense em tudo que você viveu e sonhou até hoje quando estiver lá. E sempre tenha em mente aquele famoso mantra, que um sábio homem dentuço declamou neste ano – “Aqui é Galo, porra!” (GAÚCHO; Ronaldinho, 2013).

CANTO DO LEITOR – LUTAR, LUTAR, LUTAR

ENVIADO PELA LEITORA PAULA MATIAS

Que sentimento é esse? Não me peçam para explicar. Nem eu mesma sei o que é, e até

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Imagem: Internet

para defini-lo é complicado, posso dizer, praticamente impossível. Fiquei olhando para a tela em branco do computador, pensando em como começar a explicar o que eu sinto por você, meu Galo. É amor, com certeza é amor, mas aquele que ultrapassa qualquer limite e qualquer razão e chega a beirar a insanidade. Sim, beira a loucura, por que não?! Você já se sentiu assim? Aquela sensação louca de se sentir vivo, nervoso e calmo ao mesmo tempo. Vontade simultânea de rir e chorar.

Eu te amei, GALO, te amei nos momentos mais críticos. Te amei quando achava que não teria mais saída. Mas como sempre, o amor nos revigora, nos faz enxergar além do que está ao nosso alcance. E hoje estamos mais fortes do que nunca, prontos para o que der e vier.

Somos todos insanos, todos nós, Atleticanos, centenas, milhares, milhões de corações apaixonados batendo no mesmo ritmo, milhões de vozes unidas gritando pedindo para você LUTAR, milhões de braços sincronizados formando a mais bela e mais emocionante coreografia do mundo. Eu acredito em você GALO, nós nunca estivemos tão perto, tão focados.

Alguns dizem que é futilidade, outros dizem ‘calma, é só um esporte’. Como são tolos, não sabem o que estão perdendo. Não sabem a intensidade das emoções que isso provoca a nós, atleticanos. Então que me perdoem, mas eu amo viver essa loucura sem cura!

Como já disse somos milhões de insanos, doentes por esse amor, porém somos apenas torcedores. Precisamos de vocês jogadores, precisamos de você GALO. Vamos fazer assim, daremos o nosso melhor na arquibancada, e fora dela, e vocês farão o melhor dentro de campo. E não se preocupe, estaremos sempre ao seu lado, GALO, não importa o que acontecer.

A parte mais bonita da nossa história está apenas começando a ser escrita. Tenho certeza que o nosso futuro será brilhante.

VamuGalo, a guerra já começou faz tempo e faltam só mais três batalhas, e por favor jogadores, joguem e lutem por nós!

CANTO DO LEITOR – MARROCOS É CONSEQUÊNCIA

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Enviado pelo leitor Leandro Pedrosa

Era 1992, e fiquei frente a minha primeira difícil escolha como Atleticano, uma camisa do João Leite ou do Sérgio Araújo. Essa difícil missão de escolher entre qual ídolo vestir me emocionava. Ainda de pano, eu ganhava nesse ano uma daquelas camisas que vinham em um kit para costurar o número nas costas. Era um dos presentes mais valiosos da época e um dos mais valiosos que eu teria na vida.

Mesmo tão pequeno o Galo já motivava cada segundo do meu dia, definia meu humor, minha motivação. Entrando no Mineirão, eu contava cada degrau, me atentava ao hino e a cada canto. Eu queria todas as cores e ao mesmo tempo só queria duas, o Preto e o Branco, do meu, do nosso Clube Atlético Mineiro. A magia era incrível e nunca se acabou para falar a verdade, porém quando criança tudo era construído em minha mente como a primeira vez. A primeira defesa espetacular, o primeiro grito de gol, o primeiro título visto. Nunca quis ser só mais um torcedor, porque sempre acreditei que torcer pelo Clube Atlético Mineiro é e sempre será uma honra, e é dever fazê-lo bem feito. Eu enfrentava qualquer crítica e sempre conseguia convencer a todos de que aquilo era maior do que eu, porque o Galo para mim era uma religião.

Os anos foram se passando e a cada dia essa paixão foi aumentando. Família, amigos, todos eles me enxergavam como eu queria, vinham em mim à alma de um verdadeiro atleticano. Daqueles que na segunda começava a sonhar na expectativa do jogo de domingo. Eu não me importava com nada, só queria ver o Galo e apoiá-lo em qualquer situação, eu queria mais de mim para ser mais para o meu time. Acreditava que aos 45 minutos do segundo tempo o meu grito motivaria uma jogada que resultaria em gol, e assim é. Como eu milhões de outros Atleticanos acreditam no poder do seu grito e faz com que o impossível seja um detalhe.

Quando eu lia durante a Libertadores, “Não é milagre, é Clube Atlético Mineiro”, ali eu me encontrava, Deus ajuda e muito, e ele nos ajudou a gritar mais alto, ele nos ajudou a não desistir nunca e o “Eu Acredito”, se tornou instrumento de fé para muitos. Vitor me fez voltar à infância, aquele garotinho que ainda sem referências, conhecia alguém chamado João Leite, capaz de tantos feitos. Vitor me devolveu a valentia daquele garoto que sempre se gloriou em ver as arquibancadas lotadas, que não reprimia suas lágrimas de emoção, que tremia de nervosismo a cada vez que chegava perto de Éder Aleixo. Enfim, o Vitor me fez acreditar mais uma vez que apesar do Atlético ter conquistado esse ano, um dos títulos mais importantes da sua história, Marrocos não será maior do que nada que já vivi com e por esse time, Marrocos pode agregar e muito, porém não me faz nem mais, nem menos atleticano. Torcer em Marrocos para mim será consequência de um amor cultivado por anos.

Eu sou atleticano de raiz. Eu sou aquele menino da fila do ingresso de mãos dadas com o pai, eu sou aquele que abraçava um desconhecido na hora do gol por sentir nele um irmão de sangue, eu sou o do ônibus lotado, o do grito de gol aos 48, aquele que corria atrás do ônibus do time, eu sou você, porque na verdade nós somos um só, uma legião de um só coração que bate forte pelo CLUBE ATLÉTICO MINEIRO.

CANTO DO LEITOR – O MEU CLUBE ATLÉTICO MINEIRO.

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Foto: Daniel Teobaldo (Soul Galo)

Enviado pelo leitor Ricardo de Carvalho Siqueira

Tentei por vezes escrever algo sobre o Galo, mas só agora tenho em mente o quanto significa pra mim ter o ingresso de Atlético e Vasco do dia 27 de Novembro de 2005, também o ingresso de Atlético e Olimpia do dia 24 de Julho de 2013, e o quanto eu quero mostrar ao mundo inteiro, com orgulho, esses dois objetos “inanimados”, que emanam algo que me arrepia o corpo inteiro. Que me colocaram em momentos que cravaram fundo em mim sentimentos tão diversos, tão opostos, que só mesmo Deus pode explicar terem partido de um mesmo coração, de um mesmo ser, de mim. Eu não estive naquela final contra o São Paulo em 1977, quando o último pênalti subiu e nos fez tragicamente vice-campeões invictos; não presenciei o assalto da Libertadores de 1981 no jogo em Goiânia, contra o Flamengo; mas vivi a final de 1999, a queda de 2005, a ascensão em 2006 e tantos outros momentos com o Galo, tão intensamente, como se fosse eu um daqueles estudantes que em 25 de Março de 1908, no coreto do Parque Municipal, escreviam a primeira página da mais bela história do futebol.

Ainda não sei o que será de mim, pois, de certa forma, não sei o que está acontecendo, o que é esse momento de glória, redenção e PAZ que agora vivemos. Eu me acostumei a aguardar o próximo jogo desesperadamente, como se o próximo jogo fosse sempre o último, o mais importante, a última chance de alçar voo em direção ao céu. E então, sempre, no jogo seguinte ou ao final de mais um campeonato, a decepção, o voo havia partido em direção ao céu, movido pela esperança mais verdadeira e intensa de uma nação, mas insistia na chegada a um destino errado, o nada.

Agora a sensação é outra, sinto como se depois daquele momento, daquela final, que transpôs a meia-noite como se pretensiosamente reivindicasse para si dois dias na história, eu enfim entrasse de férias pela primeira vez na vida. Ainda que com essa sensação de poder agora desfrutar de suadas e merecidas férias, sei que como Atleticano isso só dura até logo mais, quando vem o próximo jogo e o coração e a alma clamam por um grito de GAAAAAAALOOOOOOOOO, assim que a bola estufa as redes.

E assim eu quero seguir, pois agora já tenho uma história bonita pra contar aos meus filhos, tal qual todas as outras que ao lado do Galo eu vivi, mas agora a história é outra, é diferente, agora a história tem final feliz; ela conta como nós Atleticanos torcemos a vida inteira contra o vento enquanto a camisa esteve estirada no varal durante a tempestade, e foram anos de tempestade. Até que, enfim, o vento perdeu.

EU ACREDITO! Mas, e daí? Isso pra mim não é novidade, eu nunca deixei de acreditar.

Ricardo de Carvalho Siqueira II, só mais um atleticano.

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CANTO DO LEITOR – E O VENTO PERDEU

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Foto: Bruno Magalhães

Texto enviado pelo leitor Marcelo Alvarenga

O que poderiam significar 45, 90, 120 minutos na espera que já durava 42 anos? Quem disse que ainda fazíamos contas, que ainda sonhávamos com alguma glória maior do que já tínhamos obtido?

O atleticano havia aprendido a discutir sem ter argumentos, a torcer por uma camisa, a repetir piadas como “quem gosta de título é cartório” e outras bobagens mais. Era legal. Trazia prazer ver a cara de incrédulo dos simpáticos ao perceber que não conseguiam nos abalar falando dos muitos troféus expostos naquela sede.

Confesso que eu já não contava mais com algo que pudesse virar esse jogo. A graça estava ali, era torcer contra o vento, era remar contra a maré, sacou?

Mas aí vieram algumas coincidências que me deixaram confuso. Um presidente maluco, um treinador azarado, jogadores renegados, um estádio, um caldeirão, um verdadeiro cemitério.

O medo de acreditar e se decepcionar voltava. Mas por que não? Já tínhamos tentado de tudo, e até campeonato invicto conseguimos perder!

Tabús e clubes gigantes foram nos enfrentando e caindo. Um a um.

Nas arquibancadas era nítido que a Massa já não sabia o que tava acontecendo.  Chegou uma hora, que nada mais assustava ali no Horto. Podia vir o campeão do mundo, o rivalzinho da cidade, o “melhor elenco do brasil”…Caiu ali dentro, todo mundo sabia o que ia acontecer. E acontecia, não tinha erro…

Na libertadores não ia ser diferente, e provamos que não tem resultado ruim fora de casa em mata-mata. Traz pro caldeirão e aqui a gente da um jeito. Ganha nos pênaltis, defende pênalti aos 48, da baile no tri-campeão.

Vimos acontecer de tudo naquele campo. Vimos a história mudar, a maré virar.

Quiseram os Deuses do futebol que a atração principal fosse em outro palco.

Da logo dois gols de frente pra um time de tradição, tira esse time sortudo do campo deles, estraga o cenário. Agora sim, vamos ver se a história mudou mesmo.

E não é que mudou?

O que poderiam significar 45, 90, 120 minutos na espera que já durava 42 anos? Coisa pra caralho! O tempo não passava, a bola não entrava nem por decreto, mas foi do jeito que tinha que ser.

Dizem que o Maracanã na final de 50 foi o maior silencio já acontecido no futebol. Vai nessa…Pergunta pros 60 mil daquela noite, se não deu pra ouvir a bola batendo na rede naquela cabeçada do Léo Silva. Ninguém respirou naquele lance. Vai que eu respiro mais forte e aquele tal vento põe essa bola pra fora?

Dessa vez, não. A bola entrou. Acredite, a bola entrou!

Não venham com essa de que ganhamos a América. Não ganhamos nada. Nós conquistamos. Na raça, na força, no grito! A Globo nem botou o Galvão pra narrar a final, porque sabia que ninguém ali era o Brasil na libertadores. Aqui não tem essa de Brasil! Aqui é Galo, porra!

Dizem que as forças da natureza são implacáveis, não têm perdão. Escolhemos logo o tal vento pra torcer contra.  E não podia ser num dia tranquilo, tinha que ser durante a tempestade. Precisava disso tudo, Drummond?

Queria que tivesse vivido pra ver o fim dessa história.

Durante 42 anos o vento levou a melhor. A exatos 3 meses, a vingança veio com juros.

Naquele dia, parceiro, o vento perdeu…