FÉRIAS PARA A CORNETA

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17/07/2015 - 14:07

Foto: Bruno Cantini / Atlético

Foto: Bruno Cantini / Atlético

Clicar no play e assistir às entrevistas coletivas do Levir é sempre muito bom. Como são poucas durante o mês, passei a ficar no estádio, mesmo nas madrugadas após os jogos, só para ouvi-lo. Não concordo com tudo, aliás, tenho cumprido muito bem meu papel de discordar do treinador desde que ele chegou. E o brasileiro com ares de Japão também vem cumprindo fielmente seu papel de queimar minha língua.

Foi um longo caminho até reconstruir o castelo deixado no chão por Paulo Autuori. Aproveitei para descontar a mágoa que me acompanhava desde a Copa do Brasil de 2007, quando Levir foi para a Ásia e deixou o Galo na semana de um confronto decisivo contra o Botafogo.

Voltou em 2014 e encontrou uma Cidade do Galo desmotivada, como ele mesmo descreveu. O clima na arquibancada também não era dos melhores. Matou a saudade dos gritos de “burro” logo nos primeiros dias.

Com “burro” ou com aplausos, a coletiva é quase sempre a mesma. Não muda o tom de voz e não se empolga com os elogios que partem da imprensa de todo o país. Sabe que bastam apenas duas derrotas no Brasil para que um time deixe de ser a Seleção para se transformar em um Íbis. Cornetas do passado, como eu, aguardam apenas um erro para pedirem outro treinador.

Demitimos apenas um técnico nos últimos quatro anos, perdemos poucas peças na comissão técnica nesse período e isso ajudou no planejamento das equipes que fizeram do Atlético o clube mais estável do país desde o início de 2012. Somos o melhor exemplo de que abandonar a cultura de demissão dos treinadores no primeiro momento de crise pode atrair taças.

Levir soube construir um bom time com os poucos reforços que recebeu desde sua chegada, conquistou títulos e entrou para a lista de treinadores que mais dirigiram o Galo. Perdeu jogadores importantes para o Departamento Médico nesse período e fez o grupo sentir-se confiante ao elogiar os atletas substitutos. Daniel Nepomuceno diz que é o técnico dos sonhos para qualquer Presidente, pois pensa no futuro do clube e evita loucuras na parte financeira.

É uma pena que a minha turma da corneta não dá o braço a torcer com facilidade. Clique no play e aprenda com a coletiva do melhor treinador do Brasil.

Fael Lima

ABRAÇO, MASSA!

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