O MELHOR FILME DE TODOS OS TEMPOS (PARTE 2)

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14/12/2014 - 15:57

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Talvez o piso desconhecido tenha contribuído para o primeiro susto. Foi o terreno mais longínquo que pisamos até então. A ansiedade com a novidade da grama, a estranheza do lado de lá da linha do equador, tudo isso contribuiu para que o roteiro mudasse drasticamente sua trama para o terror. Uma cidadezinha mexicana, próxima à fronteira com os Estados Unidos. Mais uma bela escolha do diretor.

A cena seguinte é difícil de ser compreendida ou narrada. Tudo que for dito é pouco, vazio, não caberia em uma tela, não deve ser medida em megapixel. Nunca o drama e o terror zombaram tanto do espectador, rindo do lado de lá da tela como se tudo aquilo fosse uma grande comédia. Foram noventa minutos entediantes e de dar sono até mesmo à morte. Técnicas de cinema para te despertar de uma vez quando o fim chegasse sem que ninguém esperasse.

Um fim trágico, melancólico e sem trilha sonora. O silêncio foi a melhor forma de encarar novamente que aquele era mais um roteiro de Átila, com a tragédia ignorando o ícone principal da trama, uma peça de Shakespeare onde todos morrem e não importa se alguém esperava pelo final feliz. Riascos. Não lembro de qualquer ator ou personagem com esse nome. Poderia ser o tradicional Juan ou Pablo, o mexicano que saca a arma e fuzila a vítima, levando todo o ouro da cidade de volta ao México. Mas foi Riascos quem partiu para o gatilho.

O flashback de segundos que antecede a morte é mais divertido quando assistimos em blockbusters. Quando nos tornamos a vítima, não existe elegância na plástica da cena que descreve a dor.

Do outro lado não estava o gênio ou seu jovem aluno. Não estava o soldado que retornou para a farda preta. O figurante sequer aparecia na lista dos prováveis heróis, principalmente usando os pés e não as mãos. Eu não sei o motivo, mas essa não seria a última vez que veríamos um Sancho Pança roubando a cena na terra dos mineiros.

Fosse no início da batalha, talvez não seria tão heroico. Fora tudo calculado e a bola não poderia estar 1 centímetro para cima ou para baixo. O caminho teria que ser aquele para bater no meio do pé e mandar para longe todos os finais que já se passaram por essas salas de cinema. Existem os heróis com visão de calor, sopro potente, força extraordinária, peitos que param balas, mas nem a Marvel ou a DC Comics, ninguém havia feito antes o herói capaz de mudar vidas com o pé esquerdo.

Acionaram o cronômetro. Era questão de tempo até que as pessoas esquecessem de vez aquela guerra civil do início para viver um novo período.

Todos caminhavam pelo túnel em direção à luz que quase os cegavam no fim do trajeto. Tentaram apagá-la novamente na Argentina, mas foi no Horto que a escuridão chegou. Com ares de suspense, ninguém sabia como ou quem havia apagado os refletores.

Foi assim que mais um Sancho Pança roubou a cena. Ninguém poderia deixar essa missão como vilão, por isso a luz no fim do túnel ressurgiu graças aos pés de quem sequer tinha o nome gritado em outras ocasiões.

O cronômetro continuava a girar.

Em um ritmo alucinante, a adrenalina aumentava em terras paraguaias. Briga entre os povos, propina para policiais e uma nova derrota.

“Que os jogos comecem”. “Eles podem tirar nossas vidas, mas nunca poderão tirar nossa liberdade”. “Não tente fazer, faça ou não faça.”. “Que dia excelente para um exorcismo” . “O que você faz nesta vida ecoa na eternidade”. – Seria difícil escolher uma frase marcante de filmes do passado para representar a última batalha, em julho de 2013, por isso foi “EU ACREDITO” que se espalhou pelas montanhas de Minas e ganhou o mundo.

Quarenta e cinco minutos sem sucesso no desvio de rota do cometa. O armadegom era uma hipótese real. Guardem água e alimentos, mas deixem de fora bandeiras e a esperança. Os astronautas ainda lutam até o último segundo. Mesmo quando o herói do pé esquerdo ficou para trás e o fim era certo, eles continuaram lutando.

Os números já não eram tantos no cronômetro. Restava pouco tempo. Dez, nove... cinco... três... Cortaram o fio vermelho. Quem? Mais um Sancho Pança improvável na lista dos heróis. Alguém como o último samurai, que chegou a atirar contra nosso exército quando lutava por outra bandeira, mas que agora havia conhecido um novo ideal. Lutar, lutar, lutar.

Qual é o final desse filme? Quando soou o último apito ou no instante em que a taça é erguida para simbolizar a força de quem sobreviveu a uma guerra interna e ganhou a América? O diretor não sabe dizer ao certo. Foi marcante a multidão invadindo as ruas e cravando a bandeira na praça onde pulsa o coração da cidade. A fila quilométrica na Sede dos heróis para ver o metal reluzente, o sorriso no rosto de cada cidadão LIBERTADO. Milhões de Sancho Pança’s que vivem suas batalhas pessoais no dia a dia e ainda conseguem transformar o Clube Atlético Mineiro nesse universo único, mágico e especial. O local certo para o melhor filme de todos os tempos.

CONTINUA...