Cruzamentos em excesso: de quem é a culpa?

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18/08/2017 - 10:55

Nas últimas semanas, uma certeza invadiu a mente do torcedor atleticano: o Galo faz cruzamentos em demasia. Ao longo deste ano, não foram poucos os jogos que terminaram com o Atlético levantando 30, 40 ou 50 bolas. Apesar de assustadores, tais números devem ser analisados sob vários aspectos.

Contra o Flamengo, Galo conseguiu atenuar o excesso de cruzamentos. (Foto: Bruno Cantini/Atlético)

Uma das principais críticas ao trabalho de Roger Machado passava justamente pela grande quantidade de cruzamentos. Afinal de contas, com o material humano que tinha à disposição, ser refém das jogadas aéreas era muito pouco. Quando o time necessitava de gols para empatar ou vencer partidas, colocar Rafael Moura ao lado de Fred era a solução mais comum. Em seu último duelo comandando o Atlético, Roger viu sua equipe cruzar incríveis 53 vezes.

A troca no comando técnico fez muitos acreditarem que o problema seria resolvido num passe de mágica. Contra o Jorge Wilstermann, entretanto, o Atlético optou por cruzar em 43 oportunidades. Contudo, é preciso entender as verdadeiras causas da situação, que ocorre principalmente contra equipes fechadas.

Adepto do “jogo apoiado”, Roger fez o Atlético atuar com a bola no pé, trabalhando a posse com calma e paciência, buscando os espaços para realizar infiltrações. Vivendo momentos ruins, os meias e atacantes do time – à exceção de Cazares – se “escondiam” e davam poucas opções de tabela e associações. Sem alternativas, restava aos jogadores de lado uma única solução: cruzar. Feitos de forma errada na maioria das vezes, os levantamentos acabavam parando nos defensores adversários.

Mesmo sob a batuta de Micale, o excesso de cruzamentos acabou acontecendo em algumas oportunidades, sobretudo na partida que eliminou o Galo da Taça Libertadores. “Espetados”, Marcos Rocha e Fábio Santos participaram ativamente dos lances ofensivos.

Sem conseguir passar pela forte marcação do Wilstermann, Rocha recorreu aos cruzamentos da intermediária. (Foto: Bruno Cantini/Atlético)

A ausência de pontas, porém, fez com que eles jogassem “sozinhos”. E como a forte marcação do Wilstermann impedia a ida dos laterais até a linha de fundo, a opção eram os cruzamentos da intermediária. Conhecido por procurar os flancos, Cazares até tentou ajudar, mas sem ter ninguém para dialogar, o equatoriano também precisou apelar para os cruzamentos.

No último domingo, contra o Flamengo, o Atlético cruzou apenas 15 bolas, sendo 10 delas no primeiro tempo. Apesar de mostrar algum avanço em termos de repertório, o Galo enfrentou uma equipe que se lançou ao ataque, deixando espaços atrás. Além disso, a expulsão do peruano Trauco contribuiu para fazer fluir o jogo atleticano. Para o próximo embate, contra o Fluminense, no Rio, o torcedor espera ver um Atlético ainda menos dependente das bolas altas.