COMO NOS VELHOS TEMPOS

Por:
22/06/2015 - 16:46

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Estava tudo certo para que eu fosse ao Maracanã junto com os malucos da Fúria Alvinegra, que sempre viajam, quando a necessidade de saúde familiar e estar com minha mãe no interior falou mais alto. Sabe como é, o Galo está acima de tudo nesta vida, porém família e Deus não se encaixam nesta opção de “tudo”, pois são mais que isso, né amigos?

É imprescindível chegar em casa e não conversar com meu avô sobre o Galo, afinal é dele que herdo esse Atleticanismo maluco.  Já fazia algum tempo que não tinha a oportunidade de assistir o Galo ao lado dele, e o que mais ouvi em todos esses anos aprendendo a ser Atleticano com ele foram histórias de Galo e Flamengo. Resumindo, como para muitos que viveram naquela época, Reinaldo é para meu avô o que Ronaldinho será pra mim daqui a alguns anos.

Logo pela manhã de sábado já avisei:

“Hoje é quatro é meia, hein vô?”.

“Ah eu sei, você vai assistir aqui, né!?”. –  Perguntou sério.

Ao sentarmos na sala, já na hora do jogo, eu disse que o Galo viria a campo com apenas um volante e que era perigoso. Ele ficou calado como quem dizia “vamos esperar”.

Apesar da idade, o Sargento reformado do exército conhece muito da bola.

A zaga do Galo suportava a pressão do time mandante com tranquilidade e, enquanto meu avô dava umas leves cornetadas no ataque que ainda não tinha chegado na área rubro-negra, o Santo ia dando cortinhos no atacante dentro da área.  O meio campo ainda embolava e o ataque, como disse, ainda não tinha tocado na bola direito.

“O Galo tem que chegar, vai dar 20 minutos e não demos um chute no gol. Tem que chegar pela menos uma vez.” – Reclamou.

Dátolo tentou um cruzamento da esquerda, o zagueirão urubu se embolou com a pelota e empurrou para o fundo do gol.  Era o que precisávamos!

“Agora tem que ter tranquilidade”. – tranquilizou meu vô.

O time se tranquilizou em campo (e meu avô no sofá). O Galo começou a tocar bola e envolver o time carioca, que a cada minuto se perdia mais em campo. O meio campo acertou e no ataque, Maicosuel enfim fez uma boa partida.

“E esse Thiago Ribeiro hein? Não vi acertar nada ainda, esse cara é bom assim mesmo?” – Perguntou meio nervoso. Preferi ficar calado, pois prometi não cornetar o Thiago depois do gol feito na final do Mineiro... Sabe aquelas promessas do Atleticano na hora do desespero? Pois é!

Logo depois de um lance meio bisonho do Pratto, ele balançou a cabeça e disse.

“Esse Pratto, é isso tudo mesmo?!...”

“Esse aí é! Só chegar a bola pra ele, que ele guarda Vô!” – Respondi sem pestanejar.

A zaga continuava tranquila e, se precisasse, o Jemerson desarmava até os tanques do exército no batalhão do meu avô. Rafael Carioca continuou mostrando porque vêm sendo o melhor jogador do Brasileirão até agora. Dátolo passou despercebido mais uma vez e os laterais trabalharam pouco no ataque, mas batalharam e contribuíram para a tranquilidade de Leo Silva e Jemerson. Douglas Santos teve uma tarde de lampejos e Patric, depois de uma troca de passes que vem se tornando característica do time, apareceu para entregar uma bola pro Argentino Lucas Pratto. Ele não precisou nem dominar e colocou com as mãos no ângulo, lá onde o urubu dorme.

O Pratto foi o Pratto mesmo.

“Bem que você falou!” – Disse sorrindo na sua comemoração contida tradicional.

Tenho certeza que aquele primeiro tempo o lembrou de outras vitórias no Maracanã com Reinaldo comandando a marcha do exército alvinegro na época.

O segundo tempo veio com o time carioca fazendo alterações e tentando sufocar o Galo. De nada valeu. O Galo manteve a tranquilidade,  Levir sacou Thiago Ribeiro e colocou Dodô na intenção de “tumultuar” o meio campo que começava a ser dominado pelo  Flamengo.

“Finalmente tirou esse cara, pô. Não fez nada o jogo todo. Tem que colocar o Donizete agora”.

Tive que dar razão calado, mas dei razão. A alteração não surtiu muito efeito e Donizete veio pro jogo. Situação controlada!

O time fazendo uma boa partida calou o Maraca em campo (e olha que podia ter feito mais) enquanto os loucos que me representavam calavam o Maracanã na arquibancada.

Galo 2 a 0.

Levir, após uma semana de cobranças, saía satisfeito, deixava a Massa satisfeita no mundo, e eu satisfeito por ter ido para casa  ver a alegria de quem me presenteou com  esse sentimento, comemorar como nos velhos tempos.

Valeu Vô! Valeu Galo!

PEDRO SOUZA

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