O santo de casa que fez milagre – Até logo, Bernard

Por:
08/08/2013 - 23:02

1

O tweet acima foi publicado logo após uma partida pela Segunda (3ª) Divisão Mineira, entre Democrata-SL x Nacional (até então de Nova Serrana). O jogo foi em Divinópolis, no Farião e era válido pela segunda rodada dessa competição. O Democrata tinha um camisa 10 habilidoso, e chamava atenção por ser o menor dos jogadores em campo. Assistíamos ao jogo ao lado do pessoal do Democrata e um amigo perguntou: - Quem é o 10? - “Bernardo”. Bom, né? É do Atlético. E o menino só não fez chover no Farião... Jogavam contra um time experiente, o Nacional havia pegado quase todo o time do Guarani Campeão Mineiro do Módulo II há menos de 2 meses. Mas o menino não se intimidava. Driblava no meio campo, organizava as jogadas e toda hora colocava os colegas do Jacaré na cara do gol. Quase sempre levava uma entrada mais forte, de algum defensor mais velho e mais durão, querendo impor a moral naquele “moleque abusado”.

O Democrata venceu esse jogo por 2 x 1, de virada, mas o “Bernardo” não fez o dele. Mero detalhe. E mal sabia eu, que estava vendo ali a figura que era esperada desde o fim da geração Reinaldo. A torcida Atleticana sempre esperou da base, a chegada de um “Messias”. Afinal, o até então melhor time de todos os tempos do Galo, era formado quase em sua totalidade por meninos criados sob as cores branca e preta: Reinaldo, Cerezo, Éder, Luizinho, João Leite, Paulo Isidoro... e desde então o atleticano espera que a base nos dê de novo uma geração tão brilhante. Ou no mínimo, um salvador da pátria que não fosse “importado”.

Foto: Bruno Cantini

Foto: Bruno Cantini

E já apostamos em tanta gente... Quem não se lembra do Reinaldinho do início da década de 90? E seu sucessor, Renaldo, o rei dos pênaltis? Mais ao fim dos 90, foi a vez de Lincoln e Dedê. No início da década de 2000, imerso a graves crises financeiras, a esperança de novo se voltou para a base. Apostamos em Paulinho, que depois daquele drible no zagueiro Cris e um gol que nos deu a vitória no clássico, nunca mais apareceu. Depois houve Renatos, Quirinos, até a boa geração de 2006 (boa sim e terá meu eterno respeito por ter nos tirado da nossa pior fase) com Diego Alves, Rafael Miranda, Lima, Tiago Feltri, Éder Luis... todos Atleticanos de verdade, criados sob as cores branca e preta. Mas nenhum deles atingiu o que era esperado deles. Alguns até crucificados injustamente.

Aí apareceu esse moleque franzino, pelo qual ninguém dava nada e apostaram novamente... “é um novo ___________ (insira aqui qualquer promessa não cumprida).” “A base não produz nada”. E quando Dorival Jr. Teve a brilhante ideia de escalá-lo de lateral direito? Meu Deus! O moleque ficava mais perdido que barata tonta e a desconfiança só aumentava. Mas algo maior estava guardado pro pequeno camisa 10 habilidoso que vi jogar em Divinópolis. Pra ele estava reservado ser um dos atores principais do maior título da história do Atlético. De ter seu nome imortalizado entre os grandes que já vestiram essa camisa, mesmo sendo tão pequeno. Vai com Deus, Bernard. Vai ganhar o mundo! Obrigado por tudo e quando sentir falta de casa saiba que os Atleticanos estarão todos aqui, prontos a recebê-lo de braços abertos.

Alexandre Silva

Jornalista que fala pra quem torce

Súmula da partida: http://www.fmfnet.com.br/portal/arquivo-antigo-de-campeonatos/menu-camp-2a-div/sumulas/798-3o-rodada-nacional-1x2-democrata

Foto: Bruno Cantini

Foto: Bruno Cantini