A cidade de um Atlético campeão

Foto: Gabriel Castro
Foto: Gabriel Castro

Hoje a cidade não acordou. Após a noite de ontem, ela sequer foi dormir. Hoje não existe trabalho, não existe hora, mão ou contramão, hoje a cidade é nossa. Daqui a cem anos, você se lembrará de cada segundo desse dia, que roupa usava, pra quem você ligou primeiro, qual foi o grito ao abrir a janela. Um grito dos muitos que pareciam dor extrema, mas que representava alívio da alma. Escolha a melhor camisa, solte fogos, dê um abraço naquele amigo que sempre avisou “acredita, nossa hora vai chegar”. Ela chegou! A cidade é nossa.

Dava pra ver que havia algo diferente na cidade quando um Atleticano cantava o hino pendurado em cima de um semáforo, em plena Praça Sete. Talvez tenha sido ele que parava em frente aos carros, debaixo do mesmo semáforo, dias antes, batendo no braço e gritando “eu acredito”. E todos acreditavam em duas coisas – No título e no sofrimento que viria antes dele, afinal de contas, aquela frase não envelhece nunca. Se não é sofrido, não é Galo.

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Foto: Daniel Teobaldo

Quanto maior o sofrimento, maior a alegria. Por isso as avenidas não couberam tanta felicidade e o trânsito da minha cidade estava caótico às 4 da manhã. Na Praça Raul Soares, a bandeira Atleticana apertava os corpos de um casal, provavelmente escolhendo o nome do filho que um dia terão – Victor ou Bernard? Réver ou Tardelli? Luan ou Leleu? – O filho desfrutará dos novos tempos na arquibancada. Nos momentos decisivos de um jogo, o pai se lembrava quando nada dava certo, a queda, os dias difíceis. O filho citará o Galo que acredita até o fim, da sorte de campeão, a camisa de respeito de ídolos do passado, como Pierre e Ronaldo.

Veio a noite e a Praça Sete continuava lotada, o mar de camisas e bandeiras Alvinegras tampou calçadas e ruas e a única certeza é que aquilo estava acima de qualquer sonho para o dia mais feliz das nossas vidas. Como um muçulmano que visita a Meca, os Atleticanos iam até a Sede de Lourdes, tocavam o vidro que os separavam da taça e faziam uma reza baixa.

E assim como a visita a Meca, é direito e obrigação de todo Atleticano chegar próximo daquela taça pelo menos uma vez na vida. Ela é de todos, é do povo, dos que estavam no Mineirão ou do outro lado do mundo, dos que invadiram as ruas da minha cidade e os que não estão mais entre nós, é minha, é sua, é do presidente que a levou pra cama e do bebê que o casal sequer escolheu o nome, mas que já carrega o DNA Atleticano nas veias.

Durma em paz, Atleticano. Amanhã a cidade acordará mais uma vez Alvinegra. Grite, solte bombas, invada as ruas, afinal a cidade é nossa, a taça é nossa.

Fael Lima

ABRAÇO NAÇÃO!

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Foto: Gabriel Castro
Foto: Gabriel Castro

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Não é futebol ou um passatempo com os amigos, é o Clube Atlético Mineiro

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Quarta, quando a caravana em que eu estava chegou no Paraguai, vi um homem falando em português com os Atleticanos e em espanhol com os policiais. Ajudava na comunicação, enquanto ganhava boné e adesivos do Galo. Acompanhou o grupo até a porta do estádio e viu um a um entrando para as arquibancadas. Quanto todos se foram, perguntei se ele também não entraria.

Jose Ivan me explicou que era colombiano e que fora até o país somente para ver o Atlético. Como não conseguiu desbloquear o cartão, ficou com dinheiro somente para o hotel e alimentação. Questionei se não era um sacrifício muito grande para chegar tão perto e não conseguir. Eis a resposta – “Já vi a torcida, já vi o Atlético, estou feliz, pois vivo na Colômbia e nunca tenho essa chance. Muitos queriam estar aqui na porta”.

15065_573040639403672_1413625631_nNo meu bolso, estava o ingresso de um amigo que não precisaria mais do bilhete. Ficaria na porta até conseguir vendê-lo para diminuir o prejuízo. Abri a carteira e quando entreguei o ingresso para Jose Ivan, seus olhos marejaram. Ivan sabia cantar todas as músicas, gritava cada jogador pelo nome e chegou até a ensinar a torcida a xingar o juiz e adversários em espanhol. Após o jogo, procurou animar a turma cabisbaixa lembrando que a esperança para a final deve partir de nós, Atleticanos.

Se tivermos sessenta mil almas como a de Jose Ivan no Mineirão, entendendo a importância desse momento e conhecedores da força da Massa, não tenho dúvida que a taça ficará em Minas Gerais. É importante que cada Atleticano saiba da responsabilidade que assumiu ao comprar o ingresso para a próxima partida. Aproveite cada segundo do dia que você sempre sonhou, mas deixe um pouco de voz para os noventa minutos mais importantes da nossa história. Se sua voz nunca mais voltar, saiba que ela se despediu desse mundo no momento certo. Se você quer nossos atletas jogando como nunca, apoie e grite como nunca o fez também.

Lembre-se, não é um jogo, não é futebol ou um passatempo com os amigos, é o Clube Atlético Mineiro.

Fael Lima

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Bica Eles – Atleticanos na Austrália, Estádio, Polícia, Jogadores e Mineirão

Presente para o Cam1sa Do2e

O Atleticano Vlad Costa vive na Austrália e sempre visita o blog após os jogos para conferir os vídeos da arquibancada e matar a saudade do Atlético. Ele nos enviou uma câmera GoPro Hero 3 de presente na última semana e agora podemos tirar alguns projetos da gaveta, além de retomar outros, como o Tv Re’Torcida e o Não Posso, Tem Jogo do Galo!. Valeu, brother.

Defensores Del Chaco

Creio que todos ficam na expectativa de conhecer estádios famosos na América do Sul, como o Defensores Del Chaco. Eu era um desses torcedores e tive a oportunidade na última quarta-feira. Não é pior que o estádio Marcelo Bielsa, palco de Newell’s e Atlético dias antes, mas novamente fiquei a me perguntar qual o critério da Conmebol para aceitar  um lugar assim em uma final de Libertadores. Éramos cerca de 3 mil torcedores em um espaço para, no máximo, mil pessoas. Para usar um banheiro em estado crítico, havia uma taxa de 2 mil guaranis e funcionários chegavam a cobrar duas vezes mais por produtos no setor dos Atleticanos. Lado a lado, separadas por uma grade, estava a torcida do Olimpia e do Atlético, o que possibilitou o arremesso de cadeiras, garrafas e pedras. Um fiasco!

Polícia corrupta

Os policiais do Paraguai deitaram e rolaram nas caravanas que chegavam ao país. Todos os1013606_10151708129604330_613230199_n ônibus pagaram propinas por diversos motivos. Quando não havia motivo, eles encontravam. O ônibus com um Atleticano que usava a camisa do Arsenal de Sarandi pagou trezentos reais, o que usava a camisa do Cerro Porteño pagou quinhentos, quem não estava com cartão de vacina pagou mil e seiscentos, onde eu estava havia lata de cerveja vazia e isso custou quinhentos reais. Quando encontraram minha mochila com refrigerantes, não pensaram duas vezes e pegaram duas Pepsi e uma Sukita, pois ofereciam perigo ao povo paraguaio. Roubavam tudo que lhes interessava. Após o jogo, participaram de uma emboscada e levaram alguns ônibus direto para a Sede de uma torcida do Olimpia, onde uma briga generalizada se formou. A polícia corrupta, sem dúvida, foi a pior parte da viagem ao Paraguai.

Grupo unido

Os jogadores que não foram relacionados para a partida assistiram em um espaço embaixo da Massa. Foi interessante ver a reação de alguns, como Neto Berola que não aguentava a tensão e dava socos na grade, xingava o juiz e apoiava os companheiros que estavam em campo. Leandro Donizete ficou ao lado de Berola pendurado na grade e fez companhia nos xingamentos e palavras de apoio. Os Atleticanos fizeram questão de gritar o nome de todos, inclusive a turma que está subindo da base. Mais tenso que os atletas, estava o presidente Alexandre Kalil. Contei uns três maços de cigarro durante o jogo.

Jogo de volta

O Atlético acertou ao levar a venda de ingressos de Atlético x Olimpia para o Mineirão. Como várias bilheterias atendiam aos torcedores, a venda foi mais rápida e organizada. Quem deixou para chegar no fim da tarde, saiu com o ingresso após cerca de 20 minutos. Alguns Atleticanos desavisados entraram na fila sem saber que a venda era somente para os sócios Galo na Veia Prata. O lado ruim foram os arrastões próximos ao estádio, onde bandidos levaram ingressos e dinheiro de quem saía da bilheteria.

 

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