Ser Atleticano, o maior motivo para continuar

Domingo, fim de janeiro, primeiro jogo do Galo no ano, horário de almoço, e uma turma se reúne para alimentar a alma. Saí de casa procurando algo que me fizesse acreditar em 2012. Jogador lançando penteado, dancinha, vestindo camisa com número exótico, nada disso me traria ânimo para enfrentar a tristeza que ainda caminhava ao meu lado, desde o último jogo.

Logo que avistei a Sede de Lourdes, vi também meu amigo Flávio, fundador da Força Jovem Atleticana, um gigante com um sorriso que eu ainda não conhecia. Ele garantiu a primeira vitória do ano ao mostrar que não há enfermidade que derrube um atleticano carregado de fé. “Meu maior medo foi a mínima chance de nunca mais ver o Atlético em campo” – foram suas primeiras palavras, seguidas de um arrepio que já é típico dele ao citar o alvinegro.

Embarcamos para Sete Lagoas e sentei ao lado da Tia Terezinha durante um trecho da estrada. Me contou histórias vividas nas décadas ao lado do Atlético, o nascimento dos mascotes, os amigos que fez, mas cortou o assunto quando a perguntei como seria sua vida sem esse amor. A Tia, sempre paciente e de voz mansa, deu lugar a uma voz áspera, seca e de frase curta “Isso não existe.”, encerrou a Terezinha.

Próximo ao estádio, uma família dividida. Alguns foram protestar, enquanto outros não abriram mão do apoio incondicional. Passavam uns pelos outros deixando indiretas no ar, gritando frases que defendessem suas ideias e fosse contra a atitude do outro. Como faltavam algumas horas para o jogo, os céus convocaram as mais belas nuvens alvinegras para reunir aquele povo. Fazia sol em alguns pontos da cidade, mas ali, logo ali, uma tempestade caiu e fez todos os atleticanos se juntarem embaixo de marquises, dividirem guarda-chuvas e abrirem espaço para que coubesse mais um irmão alvinegro. Não importava mais a atitude ou pensamento do próximo, todos sorriam e bastava um gritar “Gaaalooo”, para que um coral o acompanhasse. Uma energia indescritível.

Uma das vozes nesse coral era o Thiago Gonçalves, atleticano que poderia passar todo fim de semana em casa, ou passeando pela cidade, mas prefere enfrentar a estrada de Lavras a Sete Lagoas e renovar as energias para mais uma semana.

Já não era preciso ver mais nada. Após ganhar essas e várias outras cenas do meu povo, já haviam motivos para passar mais um ano, aliás, mais uma vida inteira ao lado do NOSSO Atlético. Afinal de contas….

♪♫ Graças a Deus eu sou GALO ♪♫
♪♫ e ele está no coração ♪♫
♪♫ ele ganhando ele perdendo ♪♫
♪♫ sou alvinegro de coração  ♪♫

Fotos: Moacir Gaspar, do Blog Somos Galoucura

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Fael Lima

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Canto do Leitor

O primeiro mês de dois mil e doze ainda nem acabou e o Cam1sa Do2e traz mais uma novidade para seus visitantes. Após a nossa aba de humor e a de notícias, agora estreamos o Canto do Leitor, onde publicaremos os textos, vídeos e outros arquivos que nossos leitores nos enviam sempre, mas que nem sempre é possível postar.

Procuramos sempre mostrar o que pensa o atleticano e mostrar detalhadamente o universo alvinegro, e o Canto do Leitor fará com que o visitante fique ainda mais próximo do blog.

A aba ficará logo abaixo do banner, entre os botões da página inicial e ao lado da aba de notícias.

Agora poderemos informar tudo quando a bola começar a rolar, dar boas risadas e ligar o alto-falante para que o atleticano solte a voz.

Essa é a Nação Cam1sa Do2e, sempre ao lado da Massa!

Confira o primeiro post, com o atleticano Rafael Leal, que promete ser leal ao Galo eternamente. Eu mesmo registrei o vídeo no Bar do Salomão, ainda no primeiro clássico do ano. É o Caixa ou não é? Clique aqui e confira!

Envie seu texto ou vídeo para [email protected]

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Marcas do passado x Esperanças do futuro

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Foi dada a largada para a temporada 2012 no Galo, contratações foram feitas, trocas e dispensas também. Algumas foram surpresas e ainda deixam dúvidas – Rafael Marques (jogador aguardava resultado de exames até o fechamento deste texto) é uma delas – estaria o nosso técnico Cuca investindo demasiadamente na defesa? Estaria alguém nesta posição com o nome na lista negra e com dias contados? Ainda acho cedo para tirarmos conclusões, afinal, talvez o zagueiro tenha vindo somente para obrigar a velha guarda da zaga atleticana a melhorar a qualidade do serviço prestado.

Assim como D. Pedro, Pierre cravou o grito de “fico” e assinou com vontade o contrato por três anos com o glorioso. Pelo nível do futebol e do espírito de liderança apresentados ano passado, o “Pit Bull” tem todas as características para se tornar um jogador referência em campo e fora dele.

O meia argentino Escudero tem responsabilidades que vão aquém de apresentar um futebol de qualidade, pois chega para quebrar a maldição dos estrangeiros que parecem assombrar a equipe alvinegra. Talvez nenhum jogador estrangeiro tenha conseguido emplacar no Atlético desde a década de oitenta. Por aqui passaram zagueiros como Cáceres e armadores como Petckovic, que apesar do barulho que causaram, foram embora no silêncio.

Apesar do futuro está batendo na porta da equipe do Cuca, o passado não foi esquecido e cerca de cem torcedores foram protestar na cidade do Galo no dia da reapresentação dos jogadores. Apesar de haver quem diga o contrário, tenho certeza que todos por lá foram pegos de surpresa com o protesto, já que deviam estar pensando que assim como 2011, o vexame da ultima rodada também havia ficado para trás, leso engano.

Espero que os jogadores que estão chegando tomem isso como lição e entendam que quanto maior o poder, maior a responsabilidade.

Que o Galo abra as portas para o futuro entrar, mas sempre que for preciso olhe o passado pela janela, pois apesar do amanhã ser incerto, a certeza do presente é uma torcida cheia de feridas abertas, que se não forem tratadas, podem se tornar fatais.

Kelly Souza

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*Fotos – Bruno Cantini

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Multidão na arquibancada vazia

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Esse texto é dedicado a todas as pessoas que perderam alguém na arquibancada da vida, mas não deixaram para trás os grandes momentos. Inspirado em histórias que ouvi e nas pessoas que conheci por esses jogos.

O Atlético ainda é o mesmo, as cores da bandeira, a alegria dos atleticanos, os momentos de angústia, apreensão e felicidade incomparável. Tudo parece estar como nas vezes em que vivíamos juntos esse amor pelo alvinegro. Nem tudo, hoje as redes balançam, mas quando me viro, você já não está lá para retribuir o melhor abraço do mundo.

Às vezes me falta um pouco da sua esperança ao início de cada temporada. Não importava o time, mas você sempre tinha a certeza que o nosso Galo era infinitamente melhor em relação aos adversários. Tenho a certeza que até os vizinhos ainda ouvem você cantando o hino em plena manhã de segunda-feira, mostrando a eles que iniciava ali mais uma semana atleticana.

Com você, aprendi a não culpar nem mesmo aqueles que nos prejudicavam, já que o termo injustiça não existia no seu dicionário. Nos primeiros dias cheguei a citar essa palavra quando percebi que você perderia um jogo decisivo, mas sei que não cometeriam essa injustiça aí em cima. Uma nuvem cinza parou sobre nossa torcida durante todo o jogo e tenho a certeza que aquilo só poderia ser obra de alguém que não suportava a cor azul.

Ainda espero ouvir a buzina do carro na porta de casa me deixando em dúvida se é você impaciente com o atraso ou começando a festa que só terminava no Mineirão. Um poeta atleticano que torcia contra o vento relatou ter visto ateus implorando a Deus para abençoar o Galo, viu também cegos, loucos e amantes em cenas quase impossíveis de descrever. Se ele ainda estivesse por aqui, contaria nossa história, afinal são duas pessoas em uma, assistindo esse time que mexe com um sentimento único. Procure por ele aí em cima e ouça as histórias que você adorava e dizia estar arrepiado até na ponta da alma.

Ateus implorando a Deus… Se até eles ousaram, talvez eu que sempre confiei nEle como poucos, arriscasse pedir você aqui novamente, mas sei que chegaria pedindo para voltar, garantindo que estava quase O convencendo a nos dar dias melhores pela frente. Abaixo dos céus, Galo acima de tudo e de todos – Esse era o seu lema, então não duvidaria dessa ousadia.

Sendo assim, só levanto minha voz aos céus para agradecer pelos dias vividos ao seu lado. Inesquecíveis cenas, como as tantas vezes em que guardou tudo no armário prometendo nunca mais chatear-se pelo Galo. Bastava algumas horas para quebrar o próprio armário, culpando-o por querer afastá-lo daquilo que você mais amava, sua camisa alvinegra.

A volta para casa era uma terra sem segredos onde podíamos confessar tudo um ao outro e a felicidade pela vitória perdoava qualquer crime ou pecado. Estou fazendo o mesmo trajeto nesse momento e quer saber, ainda compro seu ingresso em todos os jogos, pois até nos encontrarmos, eu, você e o Galo estaremos inseparáveis.

*Imagens de internet

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Fael Lima

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Promessas, ilusões e certezas

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De tudo que foi expectativa no fim de 2011, muitas estão se esvaindo, outras parecem estar virando realidade.

A situação do Pierre parece algo mais concreto, está deixando de ser uma especulação e virando um negócio de verdade, diretores de ambas as equipes chegaram à conclusão óbvia que profissionais de todas as categorias só podem ser bons no que fazem se estiverem satisfeitos, e com jogador de futebol não é diferente.

Até o momento o que se houve dizer por aí, é que a moeda de troca é Daniel Carvalho, que, na minha opinião, está super valorizado no mercado. Tudo bem que o cara esteve fora de forma grande parte do tempo e foi mais um a usufruir o spa de luxo alvinegro, mas quando foi chamado para mostrar serviço, apresentou características de um guerreiro, jogando com raça e literalmente suando a camisa, mais que obrigação lógico, mas que ele era funcional, não há como negar. A questão é que Daniel Carvalho já vai chegar em terras paulistas bem cuidado, pronto pra batalha e terá o campeonato Paulista (que, diga-se de passagem, é outro nível) como aquecimento. No Campeonato Brasileiro estará entrosado o suficiente pra fazer a diferença na equipe alviverde, então não adianta reclamarmos se for outro Diego Souza. Não sou contra a troca do Daniel pelo Pierre, só acho que perderemos um grande jogador.

No caso do Pierre, foi o que chamamos de química perfeita, já que ele chegou durante um momento ruim, para jogar em uma posição carente de qualidade, não teve tempo para treinos, nem tão pouco para se entrosar. Foi escalado com pouco mais de sete dias de sua chegada a BH, tinha todos os motivos do mundo para fazer uma péssima partida e ao contrário do que era esperado, entrou em campo e jogou com uma raça que há muito tempo não se via no clube. Naquele momento era o que o time precisava e, principalmente, era o que a torcida precisava, então foi assinado o contrato de casamento com mais de 18 mil testemunhas.

O volante palmeirense se adaptou muito bem à nossa Belo Horizonte e se encantou pela Massa – o que é perfeitamente normal – encontrou aqui o respeito merecido e a oportunidade que não teve no time de Felipão. Por esses e outros motivos terminou o campeonato dizendo que queria permanecer e não impôs valores financeiros exorbitantes para isso, ele quer ficar, a diretoria quer que ele fique a torcida também, então é o queijo e a goiabada, não é? Bem, nem sempre é assim, mas isso é outra história…

Pierre tem que ficar e acredito que ele ainda vai nos dar muitas alegrias, tem tudo pra crescer por aqui e se tornar um novo ídolo. Seria o investimento mais certo da diretoria até agora.

O que o Atlético precisa é de jogadores que tenham mais que boas intenções, tenham boa disposição, boas qualidades e claro, raça, porque de boas intenções a segunda divisão está cheia.

“Vamo que vamo Galo”

Kelly Souza

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Imagem: Internet

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Nada será como antes

Mesmo desconfortável, Pingo consegue uma brecha e se ajeita para escutar a conversa dos tios, que lhe faziam uma rápida visita. “O Éder chutava demais”, “Sempre preferi o Nelinho”, rugia os homens. Mesmo com os treze anos recém-completados, o garoto já demonstrava a paixão pelo alvinegro, apesar das discussões perdidas com os amigos e com as frustadas tentativas de conversão de seu padrasto ao rival azul. Não havia segunda ou quinta-feira que o pequeno não levantasse com seu manto listrado.

Não tendo comemorado uma vitória, visto um título ou se quer um time digno, igual aos que seus tios lhe contavam, sentia na alma o menino, “este é meu clube, minha vida”. Com os olhos grudados e sem qualquer movimento, Pingo acompanhava as discussões. Qual o melhor jogador? O melhor time? O melhor jogo? Sem decepcionar, também dava seus pitacos, baseados em suas pesquisas na internet e nas horas de leitura sobre a história da equipe. Impressionava os mais velhos. Tinha tempo para isso, dizia.

Derrotas e humilhações haviam se tornado cada vez mais frequentes. Lamentava, mas não desistia. Conseguia forças, sabe se lá de onde, para seguir em frente. Não conseguia assistir todos os jogos, mas sua família sempre o informava para que conseguisse dormir tranquilamente. Aquele clube o mantinha vivo, o dava esperança para enfrentar um amanhã que seria ainda mais difícil e doloroso.

Domingo passado, a criança faleceu. O câncer, que o acompanhava desde os onze, se alastrou e atingiu parte do sistema nervoso. Não fosse o suficiente, sofreu até mesmo em sua morte, onde ficou horas em tratamento extensivo, enquanto sua maior paixão entrava em campo. Na mesma hora que o coração de Pingo parou de bater, naquele mesmo momento, o Atlético deixou de existir.

Lucas Ragazzi

Jornalista do Observatório do Esporte


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O clássico das palavras

A tristeza com o qual escrevo o texto desta semana só não é maior que o medo, sim, medo do que será de nós seres humanos.

O jogo de domingo, parece uma azeitona entalada na minha garganta e o turbilhão de perguntas sem respostas, pesa como uma bola de boliche em minha cabeça. É uma sensação esquisita essa de enxergar e não querer acreditar no que se vê, o olho manda a mensagem, mas o cérebro se recusa a enviar o comando, talvez porque saiba que meu coração não aguentaria.

A goleada histórica e absurda que sofremos vai ficar pra sempre marcada, uma ferida que não cicatrizará, uma lição inesquecível. O time do Atlético era tido como o grande favorito para o clássico. Eu pensava assim, a mídia pensava assim, a torcida pensava assim, infelizmente os jogadores pensaram assim, entraram em campo com salto de 18cm, e todos nós sabemos que não dá pra jogar futebol de salto alto.

Era o jogo da vida do Cruzeiro e a pelada das férias da equipe Atleticana, em campo dois times, mas somente um com objetivo.

Não foi o melhor time do returno que sofreu essa goleada histórica, não foi o melhor zagueiro do país que falhou naquele gol, foi a arrogância que eles trajavam que pesou e não permitiu que jogassem o que vinham jogando. Toda arrogância será castigada, inclusive a nossa, por isso o Atlético perdeu o jogo pra ele mesmo.

Os boatos acerca do clássico continuam e meu medo vem exatamente daí, pois com o fim do jogo pude perceber o quanto nos tornamos desconfiados, arredios, não acreditamos no que ouvimos e estamos sempre à procura de mentiras e falcatruas (ou seria desculpas)? Seria esse o mal do século? Penso que isso é reflexo de uma população carente, carente de verdade, de credibilidade, de palavra, é a síndrome de Brasília que reflete no esporte.

É preciso provas, para acusar e para defender, e eu não estou aqui para fazer nenhum dos dois, mas acho que as acusações que estão sendo feitas ultrapassam o limite do profissional, já que atingem o pai, o filho, o marido, e isso é muito grave.

Tem jogador que saiu da arena e foi tomar uma cerveja com o adversário, mas também tem jogadores que saíram chateados e perderam o sono. Alguns realizavam um sonho ali, por isso não dá pra colocar todo mundo no mesmo saco. Anular uma historia, por uma situação pode não ser a melhor forma de justiça.

O Atlético perdeu o jogo dentro de campo, porque houve escalação errada por parte do Cuca e incapacidade dos jogadores. Chorei pela goleada sofrida e pela chance mais uma vez desperdiçada pelo Galo de fazer a sua torcida feliz.

Perdemos porque achamos que já estava ganho e desprezamos o adversário. Que o Atlético tenha aprendido, já que, assim como canja, respeito não faz mal a NINGUÉM.

A certeza que me fica é que eu vou ser Galo sempre, e essa é minha última palavra.

“Vamo” que “vamo”…

Kelly Souza

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Eterno triunfo de um atleticano

Imagem: Estadão

É setembro, o calor e ar seco podem provar a data. Adentro pela favela do São José, do lado da Avenida Pedro II, na capital Belo Horizonte. Percorro por becos imundos e sem qualquer tipo de auxílio por parte da prefeitura, vejo homens andando livremente com o que parece ser uma arma. Literalmente, a terra de ninguém. Finalmente, após minutos de apreensão e certa desconfiança por parte do moradores, encontro meu destino, a casa do Seu Haroldo. Visivelmente desgastada e com sérios riscos de ceder a qualquer momento que até mesmo um estudante de comunicação consegue visualizar as falhas da construção.

Encontro o homem, com ar triste. Retiro os quarenta reais da carteira e o entrego. Despido, o homem atira sobre minhas mãos seu manto, o seu sonho. Eis o peso da camisa, a camisa que já foi vestida por Éder Aleixo em 1981. Garantido e com um sorriso no rosto, me vejo completo, capaz de morrer – ali, naquele momento, naquele beco dividido entre o lixo e o esgoto – feliz. É mais uma para a coleção, agora, somam-se 67. Reflito sobre a futilidade e sobre Seu Haroldo. Na minha frente, um universo paralelo, onde a maioria compraria comida e água com aquele dinheiro. Penso se deveria ter ajudado mais o homem, que coleciona tristezas e desilusões com o clube que chego a orar a um Deus que não acredito.

Como aquele senhor conseguirá dormir aquela noite? Seu maior bem acabara de ser vendido a um estranho, por poucos quarenta reais. O dinheiro provavelmente o fará comprar o que precisa, mas o Atlético o fará viver. Retorno. Com uma lágrima no rosto, Haroldo me vê com sua glória. A devolvo ao homem e minto. “Não é a que eu procurava”. Senti vontade de morrer, dessa vez, de tristeza. Estava sem meu tesouro, meu objetivo, meu sonho. Então, senti. Senti o que realmente é o Atlético para mim, pro Seu Haroldo, pro Kalil, pro Belmiro ou pra qualquer um dos outros oito milhões pelo mundo. O Galo era exatamente esse sentimento, que não é de triunfo e muito menos de ódio ou desapego, mas sim aquela vontade de estar junto com outro semelhante alvinegro e o fazer feliz também. É, talvez Deus exista sim, a ciência também não consegue explicar isso.

Lucas Ragazzi

Jornalista do Observatório do Esporte

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Cada um com seus problemas

Escrevo o texto desta semana aliviada, não corremos mais o risco de nos juntarmos ao América e a outros clubes na segunda divisão do Campeonato Brasileiro. A confirmação da nossa permanência na série A veio em grande estilo com uma goleada sobre o nosso rival carioca mais chato, o Botafogo. Fizemos o dever de casa e fizemos bem feito, quebramos mais um tabu e mostramos que quando o Galo joga com toda raça e amor, se torna imbatível, e como diria um amigo, quem é Botafogo mesmo?

Seria o fim da nossa história no campeonato em 2011? Seria, se domingo não tivéssemos pela frente o maior confronto de toda história dos clássicos mineiros. O Atlético enfrenta o Cruzeiro em um jogo de vida ou morte e a equipe Atleticana tem em mãos o poder (ou seria a responsabilidade?) de jogar o time azul para a segunda divisão.

Os jogadores e a diretoria sabem do desejo de torcedores alvinegros em ver o arquirrival amargar pelo menos um ano na série B, por isso, apesar de já termos confirmados a nossa permanência na elite do campeonato, a pressão continua em torno dos jogadores da equipe Atleticana.

Clássico é sempre cercado de boatos, e eles são muitos, citaram até mala preta, mala branca, jogo de interesses por conta do futebol mineiro, enfim, e no futebol, assim como na política, existe corrupção, então cabe ao caráter dos nossos representantes aceitarem ou não.

Em meio a tantos boatos, o que tem de ser concreto na cabeça dos jogadores atleticanos é a luta pela vitória, independente das consequências que ela possa trazer, sinceramente isso não é problema nosso. Temos que entrar em campo pra ganhar, e que seja sempre assim, essa torcida apaixonada merece, o time merece, temos que vencer porque uma vitória em um clássico muda toda a história e essa é a grande chance de escrevermos essa história.

É a lei da selva, amigo, cada um luta para sobreviver, nós brigamos e sobrevivemos, agora é entrar na arena para enfrentar a última batalha. Podem ter certeza, o meu Galo é bom de briga e não vai abaixar a espora pra ninguém.

Kelly Souza

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Imagens: Moacir Gaspar, do Blog “Somos Galoucura

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