Loucura que converte

O último jogo foi mais um daqueles dias que comprovam como a Massa está acima de tudo que existe no futebol. Atesta também que ela precisa se tratar de um quadro psiquiátrico, isso não é normal; e falo sério, coisa de medicamento, acompanhamento e tudo mais. Passei a semana tranquilo com a certeza que encontraria ingresso na hora do jogo, uma semifinal de Copa Sub-20, assistiria ao lado de parentes dos jogadores e talvez até saísse um hino puxado por um tio bêbado de algum jogador.

A ansiedade pelo jogo foi tanta que me esqueci da apresentação de um trabalho na faculdade no mesmo horário do jogo. A aula começou e eu estava lá, apresentei o trabalho, saí correndo pelos corredores, peguei um taxi e fui para o Independência. O primeiro tempo não havia acabado, então era comprar o ingresso com algum cambista e partir para o abraço. Sim, nós temos cambista em jogos da base e eles cobram até 50 reais em ingressos que custam 2 reais. Eles sabem da loucura, insanidade e paixão dessa torcida, por isso comprariam ingressos para revender até em par ou ímpar que tenha representante Atleticano.

Foto: Bruno Cantini

Milhares de pessoas desciam as ruas Silviano Brandão, Pitangui e Ismênia, camisas Alvinegras de um lado para o outro em tom de desespero a cada minuto de jogo, ignoravam a chuva na noite de terça-feira, pois enfrentariam até uma tempestade para conseguir o ingresso. Não sabiam o nome dos jogadores, mas era o escudo do Atlético em campo e pra eles, isso bastava.

Gol. Acho que nunca ouvi um gol do Atlético do lado de fora do estádio. Alguns segundos de comemoração nas ruas e mais procura por ingresso. Desci o morro e fui para o ponto de ônibus com a esperança de chegar a tempo de assistir pela TV em casa. Peguei o celular para conferir a hora e… PIMBA! Uma mensagem de um amigo que guardava um ingresso pra mim. Liguei, ele levou até a catraca e entrei para finalmente assistir o segundo tempo. Cantei, apoiei, vibrei, incentivei e vi o Galão (nada de Galinho) ganhar com estádio lotado. Vários tios bêbados cantando o hino que nascia em algum canto das arquibancadas. Famílias que nunca foram ao estádio, crianças, idosos, todos ignorando a categoria, a chuva e o dia da semana. Coisa de Atleticano!

Acordei no dia seguinte, fui para o trabalho e depois passei na Sede de Lourdes para tentar conseguir ingresso para o próximo jogo. Em vão! Esse povo está cada vez mais insano, tenho certeza que em breve irão construir suas casas na calçada do clube para garantir local fixo na fila.

Uns poucos Atleticanos continuavam na porta da Sede e nos locais próximos, olhando para o horizonte, tentando entender tudo aquilo. Me aproximei de um amigo e antes que eu falasse algo, ele apontou para o cara ao lado e disse – “É cruzeirense!”

Não entendi nada. Apesar de não ser dono de uma boa memória, lembrei do garoto ao meu lado no ônibus na noite anterior, voltando para casa quase na madrugada, sorrindo, falando do jogo da base, planejando ir para a fila de ingressos na madrugada.

Foto: Rodrigo Ávila

Perguntei novamente esperando que ouvisse um – “Tá doido? Sempre fui Atleticano!” – Mas ouvi um – “Já não sei pra que time eu torço.” Ele realmente tinha raízes frescas, me contou sua história, ia a jogos, com ídolos do lado de lá e tudo mais. Um dia resolveu conhecer a outra torcida por curiosidade. Aquele bando de malucos, povo sem juízo, que faz muito barulho, cantando o jogo todo – então foi a um jogo. Que jogo ele escolheu? Copa Sub-20, Atlético e Bahia, terça-feira com chuva – “Sem dúvida será estádio vazio, não tem como gostar de uma torcida nesse jogo, volto pro lado fresco da lagoa no dia seguinte.” Ele foi e, antes que o jogo acabasse, ele já cantava o hino e marcava com outros Atleticanos de estar na fila antes que o dia nascesse.

Ele estará vestindo preto e branco no clássico. Senti um ar de dúvida ainda e expliquei que meu pai também é azul e mesmo assim eu escolhi fazer parte dessa família Alvinegra. Contei sobre momentos marcantes que me deram a certeza de ter escolhido o melhor lado.

Saí feliz. De todas as idades, gosto de ver pessoas se convertendo ao Clube Atlético Mineiro. Mais um paciente psiquiátrico, cantou o hino uma única vez e já passa o dia com a camisa, vai pra fila de madrugada e enfrenta chuva. Esse vai ser uma vez até morrer.

Fael Lima

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Foto: Rodrigo Ávila

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Festa até meia-noite

E pensar que um dia tememos o Botafogo e o Engenhão… São três vitórias seguidas contra os cariocas, dentro e fora de casa, colocando a estrela solitária no lugar que ela merece. Um jogo para entrar de cabeça erguida, com coragem, vontade, confiantes que o vice é possível. Não foi o que aconteceu durante grande parte do jogo.

Vieram os três pontos e uma lição na bagagem – Ou muda a postura no clássico, ou o pior pode acontecer. Já vimos esse filme antes, clima de fim de ano, ambiente tranquilo na Cidade do Galo, somente planos de férias nas conversas de vestiários. Que possamos comemorar a vitória até meia-noite e depois focar no próximo jogo como se realmente o mundo fosse acabar em dezembro e não houvesse mais futebol após o apito final.

Imagem: Internet

O Botafogo é fraco, assim como o time da semana que vem, mas o Atlético vem se comportando como tal, principalmente nos jogos fora de casa. Temos atletas desejados por qualquer time do Brasil e alguns até por times ao redor do mundo, e ainda assim o Botafogo só não marcou por incompetência, em uma sequência de ataque contra defesa.

A história lembrará de uma vitória no Engenhão, mas a Massa espera lembrar que esse foi o jogo que acordou o Galo para a necessidade de massacrar o cruzeiro de Varginha. Não comemorei o segundo gol por achar que um empate era pouco para a qualidade do atual time, mesmo com tantas peças do banco de reservas, essas sem o mesmo talento do grupo principal. O terceiro eu comemorei, por alívio, por ser um gol com todo o carma Atleticano, infartante, de alívio, de esperança.

Agora não há mais o que comemorar. O papel dos jogadores é trabalhar pesado durante a semana e o nosso é cobrar um time com coragem e vontade em campo. Fizemos festa durante o ano, fomos ao CT, dobramos o bicho, demos mais descanso, agora aceitamos um sorriso como presente de natal. Quem disse que não existe mais final no campeonato? A nossa é semana que vem!

Fael Lima

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Fala, que o Kalil te ouve

Gilberto Silva é mais uma peça que reforça a teoria que por trás de um presidente carrancudo e mal humorado, existe uma pessoa preocupada em agradar a torcida em cada decisão. Mesmo que cada entrevista nos passe a impressão que Alexandre Kalil não se importa com a voz das arquibancadas, as entrelinhas da sua administração mostram um turco diferente. O volante penta campeão é nome que não faz o telefone da Sede de Lourdes tocar, e tudo que a diretoria quer é tranquilidade para trabalhar em 2013. Atender a torcida é a chave para a conquista da paz!

Para defender a teoria, voltemos ao ano de 2008, quando o centenário ia por água abaixo com um Ziza tropeçando dia após dia. Os Atleticanos viam Kalil como um Messias que traria uma nova história, sem erros, pronto para qualquer situação. Sinceramente, nunca o vi comoo salvador e seus erros só não o derrubaram porque os acertos no começo da gestão conseguiram estabilizar o Atlético para os dias de tempestade. Messias ou não, Kalil atendia ao primeiro desejo da maioria dos torcedores e assumia como presidente do clube.

Foto: Bruno Cantini

Muitas vezes ele tentou agradar e acabou desagradando – Luxemburgo, Daniel Carvalho, Diego Souza, Cáceres etc. – Culpa dos resultados que tiraram a tranquilidade, citada como principal alvo no próximo ano.

Mesmo com outros exemplos no passado, passamos a discutir somente os últimos meses. Cuca balançou após a eliminação na Copa do Brasil e o primeiro nome para substituí-lo era Levir Culpi, pois era o que a Massa queria. O sócio torcedor, que era assunto todo início de temporada, finalmente chegou. A Cidade do Galo era local de trabalho, sem possibilidade para receber torcedores, mas eles bateram nas portas e elas acabaram abrindo.

Claro que, de vez em quando, ele deixa a torcida mais chata do país ainda mais chata. Testa a paciência e a boa vontade quando insiste em alguns jogadores ou paga fortuna por outros (sim, estou falando do Guilherme, principalmente). Conheço gente que faz vodu com direito a boneco do Kalil com camisa rosa, enquanto outros teriam um quadro na parede de casa com a foto dele vestindo a polêmica camisa. Se ele vestisse…

Foto: Carlos Roberto (Gazeta Press)

Ainda em 2012, conseguiu segurar Pierre e Réver, trouxe Ronaldinho, Victor, montou um time forte. A torcida pediu estádio e ele não construiu, mas alugou um para alugar mais caro quando a concorrência jogasse por lá. Só não conseguiu trazer Tardelli quando foi reeleito, mas tentou, como está tentando atualmente, tudo para agradar aos fãs do atacante.
Após confirmar Gilberto Silva, o presidente também confirmou que Wallyson foi oferecido e descartado imediatamente. Aí a teoria da paz mais uma vez! Teremos um ano com um time forte, contratações pontuais e, sem dúvida, todas com a menor chance de polêmica possível. Essa é a política de um Alexandre Kalil que ainda tenta passar a imagem que não se importa com o que os Atleticanos pensam. Quando a Massa liga na Sede de Lourdes, ele pode até desligar o telefone na cara, mas tenho certeza que anota o recado.

Fael Lima

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Bebe mais uma, Kalil

Novembro sequer encerrou sua segunda semana e o papo do botequim já não é o mesmo do início do mês. Ninguém mais fala em título, uns poucos criticam a postura do time em determinado jogo, é como se 2012 já tivesse acabado no calendário do futebol.

Um arrisca falar da Libertadores, outro cogita pré-Libertadores, mas é ignorado, e o do canto comenta que o Ronaldinho não vai ficar, o que antecede um momento de silêncio e um gole na gelada de todos ao mesmo tempo. Traz mais uma, garçom.

Se alguém tinha hora para chegar em casa, provavelmente teremos mais um divórcio, entre tantos, causados pelas “patroas” que não entendem a necessidade que o Atleticano tem em discutir sobre tudo que envolve o Galo. Seja sobre o campeonato ou sobre as belas moças que ficam na porta de entrada do Galo na Veia e suas calças que merecem um campeonato à parte. Enfim, mais um gole e voltemos às contratações.

Gilberto Silva está fechado!

– É velho.

– É experiente.

– Já era.

– Agora vai.

– Galoooo.

– O Rafinha…

– Quem?

– Galoooo.

Não sei se o Galooo é positivo ou negativo, mas sempre termina com o grito. Só aí entendo o que é estar na pele do presidente, que fuma muito, e deve ser um admirador das calças que as moças do Galo na Veia usam. Enfim, mais um gole.

Não vou falar se aprovo ou não o Gilberto, mas percebi que alguns pensavam um tempo até achar um motivo para criticar o possível reforço. Um até citou uma falha em 2001, sendo interrompido por outro que acreditava ser o Marcelo Djian, mas o primeiro queria acreditar que era o Gilberto. Senti que havia uma certa mágoa pelos últimos jogos de 2012, refletida no pobre (obviamente, força de expressão) Gilberto Silva.

– E se o Arouca vier?

– É caro

– O Robinho formaria uma dupla…

– Enganador. Cachaceiro.

Você pode citar qualquer jogador, sempre vai aparecer um gráfico mostrando que ele não tem feito tantos gols com a perna esquerda na grande área nos últimos 6 meses. O cara que elogia fulano é o que critica ciclano. Um ciclo. Por isso o Kalil está careca.

Não é deixar de ouvir a torcida, até porque foi ela que pressionou o turco e Cia ltda. a

Imagem: Charles Desenhista

trabalharem dobrado em 2012, mas a dura confissão de um defensor da Massa é que nem ela sabe realmente o que quer. Quase todos os nomes terão cinquenta por cento de aprovação e cinquenta por cento de rejeição. O Alexandre receberá elogios e cornetadas independente do nome. Pelo trabalho que fez em 2012, ele tem crédito na casa, por isso vamos só abrir mais uma e observar, caso contrário, podemos nos deixar levar pelas manchetes de jornais que não vestem nossa camisa. Garçom, traz uma loira gelada (que não é do portão Galo na Veia) e um maço de cigarros para o turco. Ele vai precisar.

No canto do bar, uma mesa com torcedores com camisas na cor azul. Enquanto degustam uma vitamina de frutas, se recusam a olhar para o calendário 2013, pendurado na parede. Garçom, cobra adiantado, senão leva calote.

Fael Lima

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O sonho não acabou, ele apenas foi colocado no forno

Foto: Gabriel Castro

Há exatos 11 meses o Atleticano teve aquela que foi a sua pior segunda-feira como torcedor de futebol. Era o dia seguinte à goleada sofrida para o rival, no jogo em que valia a permanência na Série A para o Cruzeiro. Esta segunda-feira não tem um sabor tão amargo quanto teve aquela, mas o gosto é ruim e é o primeiro dia para encarar os simpatizantes azuis, seja ele colega de trabalho, de escola ou o vizinho, depois da perda do título do Brasileirão (matematicamente é possível, mas futebolisticamente nós sabemos que não é).

Até por isso mesmo, é hora de o Atleticano pegar o exemplo do passado e saber que 2013 com certeza vai ser ainda melhor do que foi 2012. Ano passado, depois da 34ª rodada, o Galo ainda corria risco de rebaixamento, estava apenas quatro pontos na frente do Ceará, o primeiro dentro do Z-4. Agora a situação é bem diferente. O time de Cuca já está garantido entre os quatro primeiros, portanto de volta à Copa Libertadores depois de 13 anos.

Quem em sã consciência imaginaria naquela segunda-feira que 11 meses depois da tragédia o Atlético estaria garantido na maior competição continente ainda faltando quatro rodadas para o final do Brasileiro? Com apenas sete derrotas em 53 jogos disputados durante toda a temporada? Que o melhor jogador brasileiro no Século 21 estaria vestindo a camisa 49 alvinegra e jogando muito próximo do seu potencial máximo?

Foi daquele cenário, como uma cidade devastada por um furacão, que o Atlético partiu para ter a sua melhor temporada em não sei quantos anos. Por isso, se aquela velha piada do sonho acabou está presente nas redes sociais nesta segunda-feira, a melhor resposta é: o sonho não acabou, ele foi colocado no forno. Vice-campeão ou não, mas na Libertadores e com um dos melhores times do Brasileiro, é assim que o presidente Alexandre Kalil e sua turma partem para montar o Galo versão 2013.

Foto: Bruno Cantini

Então, não se deixe levar por essa sensação ruim de que está tudo perdido. A perspectiva para o futuro é muito boa. O time está pronto e precisa apenas de alguns ajustes, seja com a chegada de reforços e até mesmo na postura dentro de campo, isso para os jogos longe de Belo Horizonte. O faturamento vai saltar de R$ 140 milhões para algo perto de R$ 190 milhões. O Mineirão vai ficar pronto e ser o palco para esse grande Atlético que renasceu em 2012.

Em 2012 foram apenas 12 contratações, além do retorno de Marcos Rocha, sendo que dois jogadores nem sequer foram aproveitados. Para o ano que vem não vai ser diferente, pelo contrário, vai ser até menos complicado trabalhar. O time precisa de poucas e boas contratações. Para quem já trouxe Diego Tardelli, Ricardinho, Obina, Diego Souza, André, Guilherme, Ronaldinho, Jô e Victor (contratações caras e difíceis, não necessariamente que deram certo), não vai ser diferente em 2013.

Por isso, quando alguma Neymarzete tentar zoar com a campanha do Atlético neste Campeonato Brasileiro, a resposta está na ponta da língua: o sonho está apenas no forno, pois 2013 vai ser ainda melhor. Ao invés de se preocupar com o nosso sonho, é melhor prestar atenção do seu pesadelo, que apenas começou e sem muitos sustos. A tendência, para vocês, é ficar ainda pior.

Texto do Doutor Zé do Galo, um jornalista Atleticano!

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Viva o Galo Doido, a minha vida

Como Atleticano, vivi um péssimo mês em janeiro de 2012, havia uma tristeza que vinha de dezembro e crescia a cada dia, fazendo com que, pela primeira vez, eu não tivesse vontade em estar na arquibancada quando o Galo entrasse em campo. Mas a camisa preto e branca apareceu e eu estava lá, debaixo de uma tempestade, com pouco mais de duas mil pessoas ao meu lado na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas. Na companhia de outros Atleticanos, encarei horas de estrada até Uberaba, fui até Juiz de Fora no corredor de uma van, deitado em cima de uma bandeira de torcida, desafiamos policiais para que pudéssemos expressar nossas opiniões em faixas, protestamos contra os personagens de dezembro. Sol, chuva, dia, noite, em qualquer situação, encontrei pessoas que viam o Atlético uma vez no ano e por isso aproveitariam cada segundo daqueles jogos. Momentos onde prometi para mim mesmo que jamais deixaria aquele desprezo de janeiro tomar conta de mim novamente.

Foto: Bruno Cantini

Não foi quando levantamos uma taça de forma invicta que percebi os meses maravilhosos que viriam pela frente. Foi quando o juiz apitou e decretou nossa eliminação na Copa do Brasil. Usamos a tática dos grandes boxeadores quando nos acertaram um grande golpe e nós nos levantamos como se nada tivesse acontecido, pois sabíamos do nosso potencial. Tenho duas teorias – ou acharam que não tentaríamos novamente ou tremeram quando aparecemos ainda mais fortes. Bastava estudar os adversários, esquivar-se, confiar na mágica de um gênio, entre outras técnicas do ringue. E deu pena dos adversários quando o gênio começou a golpeá-los nos dias da virada.

Os vidros do Independência tremeram, as ruas se incendiaram com sinalizadores e quem não estava no primeiro jogo do ano, agora encarava tempestades piores na fila de ingressos para conseguir estar presente quando a mesma camisa preto e branca entrasse em campo. Cheguei a ficar sem voz, e quando ela voltou, soltei um “Vamu, Galo”, para desafiar qualquer time ou mestres da língua portuguesa. Viradas históricas, lances inesquecíveis, clubes comemorando 1 pontinho conquistado contra o Galo, agora sim, Forte e Vingador.

Foto: Moacir Gaspar

O Atlético jogou cinquenta e duas vezes no ano. Em trinta e nove eu estive presente. Não me arrependo nem um pouco, com título ou não. Sei que os pais não se arrependerão por ter dado o nome de Ronaldo aos filhos que nasceram, sei que todos dormiriam nas filas quantas vezes fosse preciso, a mão queimada com o sinalizador, as horas na estrada, tudo vai deixar saudade. O fim do ano é logo ali e tenho certeza que 2012 foi uma fábrica de histórias para todos nós, assim como fica a certeza que janeiro será um mês longo, contando as horas para ver a camisa preto e branca novamente em campo, com sol ou tempestade.

Quis escrever sobre 2012 hoje, data em que as chances de título ficaram para trás. Era para ser uma madruga triste e ainda assim eu sinto o coração bater feliz. Minha alegria é a existência do Galo e por isso eu sei que amanhã vou acordar com um sorriso no rosto e a camisa no corpo. Pronto para mais uma vida inteira ao lado do meu Atlético. Viva o Galo Doido, a minha vida!

Fael Lima

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O brilho voltou

Passou a infância, foi embora a adolescência e, junto com Marques, minha admiração por qualquer jogador também abandonou os gramados. Continuei Atleticano, indo a campo, apoiando a todos que vestissem nossa camisa até que o apito final soasse, mas pensei ter perdido aquele brilho de achar que determinado jogador nasceu para o Atlético.

Foto: Bruno Cantini

Sempre aplaudi todos que vestem o manto com respeito e amor, mesmo que a habilidade não permita que seu nome fique marcado em nossa história. Faltava o cara que as crianças querem ser na pelada das ruas, o nome que os casais pretendem batizar os futuros filhos, o número que monopoliza as prateleiras de uma loja.

Candidatos vêm e vão, balançam as redes, acertam lances que merecem aplausos e todo tipo de premiação no futebol. Nas curvas da estrada, começam a imaginar que o Atlético não vive mais sem suas chuteiras modernas, sentem-se maiores que nosso Galo, dando início ao fim de tudo.

Até que um dia acordei e soube que naquela data um cara, aliás, O CARA, estaria vestindo nossa camisa. Quando o sol estava no centro do céu, um helicóptero me fez ficar estagnado em frente à TV ao te ver em nosso solo. O sol foi embora, a noite chegou, depois a madrugada, e eu, acordado, não conseguia acreditar. Quando o outro dia surgia, minha mulher foi até a sala e falou algo em tom nada festivo, mas não ouvi, ou ouvi e a cabeça não quis absorver. Ela não entendia… Era você, aqui, no Atlético.

O brilho voltou, as prateleiras ganharam um só número e as discussões dominaram as partidas de futebol entre crianças; pois todos queriam ser o gênio do Galo. Crianças com oito, 13, 20, 40, 70 anos, imaginando quantas crianças nasceriam em Minas Gerais com seu nome – Ronaldo.

Foto: Bruno Cantini

Não nos importamos em continuar com a sina de não ter tradição com a 10. Você foi 49 vezes mais genial que as estrelas que se imaginavam maiores que o Atlético. Se eles viviam de queixo erguido, você abaixou a cabeça quando foi preciso, quando ninguém mais acreditava, quando as lágrimas chegaram após um gol.

O brilho voltou aos olhos da Massa e tenho certeza que aos seus também. Esses primeiros meses me trazem uma velha certeza, alguns jogadores nasceram para o Atlético. Você, Ronaldinho, é um deles.

Fael Lima

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Vamo que Vamo – Fé, Competência e Amor

Bater o joelho no chão e rezar, foi o que me restou fazer hoje, já que não consegui ingresso para a “final do campeonato”. Na verdade, desde ontem que estou em prece pedindo a Deus que ilumine o coração de cada jogador do Galo, e os faça sentir o tamanho do amor que existe na camisa que eles carregam.

Levantei com o coração apertado, apesar de ser horário de verão o dia não passava e o horário do jogo parecia não chegar nunca. Acendi uma vela para nossa Senhora Aparecida, o joelho foi para o chão novamente e pedi… Pedi como se pede por uma vida, porque na verdade eu pedia por milhões delas, pedi como quem pede um alimento para matar a fome, afinal são milhares de sonhos alimentados, pedi como quem pede por um filho, pois somos mais de dez milhões de filhos.

Jogo iniciado e o coração batia no compasso do marcador, acelerado. O Galo entrou em campo como quem entra em uma batalha épica, mais do que técnica e qualidade, sobrou raça em campo. A massa ditou o ritmo e o Fluminense e a CBF dançaram conforme a nossa música.

Foto: Bruno Cantini

Agarrada à minha medalha do Divino Espírito Santo, eu assistia a tudo calada, e mesmo diante de erros estapafúrdios, como o da anulação do GOLAÇO de Ronaldinho, me mantive calada, não era hora de desesperar. Ali em campo, os nove pontos que nos separavam do time de museu do RJ não faziam a menor diferença, e o Fluminense teve que abaixar a cabeça para jogar como o time terceira divisão que é. Quase não finalizou e fez de Victor um mero espectador da partida.

No segundo tempo, a postura do Atlético foi a mesma, continuou esmagando o time pó de arroz e teve várias oportunidades de abrir o placar. Mas se fosse assim tão simples, não seria Galo, e se não fosse Galo, não teria graça. O Fluminense marcou primeiro, gerando um silêncio na minha alma. Não era só o meu amor que estava em jogo, era uma questão de justiça. Só havia um time em campo, e esse time era o Galo, não merecíamos outro placar que não fosse a vitória. Levantei para olhar para Nossa Senhora, pedi novamente, disse que confiava em seu poder. Olhei para a vela e ela estava com a chama vermelha e forte. Me disseram para acender outra, que aquela não duraria até o fim do jogo, eu disse que a vela era apenas um símbolo da minha esperança e que tinha certeza que ela se manteria acesa.

Depois de abrir o placar, o insosso time carioca começou a fazer o que sabe fazer melhor, segurar o resultado. Poderia dar certo, se aqui não fosse o nosso Terreiro e como o mundo inteiro já sabe, CAIU AQUI, TÁ MORTO.

O empate veio como um sinal de que nada estava perdido. Deu sangue ao jogo e assustou o adversário que parecia já ter decretado o fim da partida. O segundo gol veio para apimentar a partida e os olhos, pois não houve quem não chorasse. O resultado estava ótimo, não era jogo para golear, queríamos os três pontos, queríamos calar a boca dos que não acreditam em nós, queríamos a vitória, por mais simples que fosse.

Mas o timeco do Rio de Janeiro não tem só pacto com juízes e poderosos da CBFLU, tem pacto com o coisa ruim, e ele assustadoramente conseguiu empatar o jogo. Nesse momento, olhei para o lado e meu irmão chorava como uma criança, sem saber o que dizer. Conseguiu falar apenas – “Agente não vai deixar isso assim”. Bati o joelho no chão novamente, agora pedi com mais força e olhei para a vela, ela ainda estava acesa.

Foto: Bruno Cantini

O jogo se aproximava do fim, mas a minha fé não. Existe um sentimento que não é passivo de corrupção, que não está a venda, que é o alicerce nas nossas horas de desespero. Esse sentimento se chama vontade. E foi com essa vontade de vencer, que os jogadores do Galo continuaram a partida, o jogo só acaba quando o juiz apita, e ele não havia apitado. Eu sabia disso, Ronaldinho sabia disso e Leonardo Silva sabia disso. Com um desejo de vitória incontestável, R49 posicionou a bola na cabeça de Léo Silva, que seguro da sua responsabilidade e competência fez o gol da merecida vitória.

Não sei se entrei em transe, mas não consigo me lembrar do gol. Só lembro do meu irmão caindo no chão da sala aos prantos, mas agora de felicidade. Eu corri para o altar ajoelhei e beijei a imagem de minha Nossa Senhora Aparecida. Louvei a ela.

O jogo continuava nos acréscimos e eu mantinha Nossa Senhora em minhas mãos, agradecendo em voz alta por mais uma graça alcançada. A chama da vela apagou e nesse mesmo instante eu vi o juiz apitar o fim de uma partida épica do Clube Atlético Mineiro.

O campeonato não terminou e o final dele é imprevisível, mas os momentos que vivi hoje serão eternos. Assim como minha fé em Nossa Senhora, assim como minha fé na justiça Divina.

Ser campeão é consequência, ser Atleticano é uma escolha e uma honra.

“Vamo que vamo Galo!”

Kelly Souza

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A cueca, o canto e a vitória

Não há nada pior que não poder usar a cueca da sorte em um jogo decisivo. Cogitei equilibrar com a contestada camisa usada na última goleada, mas temi que o raio não caísse duas vezes no mesmo lugar. Peguei outra e, para equilibrar, escolhi um boné com o escudo do Galo e fui para o estádio.

Ao chegar na porta, percebo o efeito da ausência da cueca iluminada. A pessoa que estava com meus ingressos não estava com meus ingressos. Não vou lhes explicar, pois nem eu pedi explicação. Saí como louco à procura do bilhete que me traria paz e tranquilidade. Como vivemos em um mundo capitalista, a paz e tranquilidade tem um preço salgado, por isso paguei o que pediram no bilhete, mas não sei como pagarei outros compromissos durante a semana. Não deixam de ser importantes, mas esses não me trazem paz e tranquilidade; no máximo trazem água e luz.

Foto: Gabriel Castro

Gol deles. Cogitei voltar em casa. Dava pra usar, era só esquecer a data da última vez em que ela viu água. Um amigo, o Lucas, estava do meu lado quando falei –“Olha o Jô puxando pra área, foi pra trás, movimento certo, toca nele Bernard…” – Gol nosso, duas vezes. Quase tirei a cueca zicada pra rodar durante o hino. O Independência fazia um barulho ensurdecedor e mesmo assim o Jô me ouviu, tenho certeza.

Gol deles. Não dava mais pra confiar nesse pedaço de pano. Fui para o mesmo canto onde eu estava no último jogo, quando viramos no último minuto. Eu ainda espero encontrar o careca que estava ao meu lado, pois ele é a única testemunha. Você, careca, na saída do portão 6, entre em contato. Um cara alto, magrelo, branquelo e desengonçado te falou – “Vai ser do Leo Silva. Me avisa quando ele for pra área, pois vai ser do Leo.” Você me olhou com cara de assustado, eu saí correndo para filmar os Atleticanos desmaiando e perdi a única testemunha.

Não sei se foi o canto da sorte, se cometi uma injustiça com a cueca escolhida ou se o Jô e o Leo Silva me ouviram. Sei que vi algumas pessoas caindo, de joelhos ou apagadas mesmo, vi muito marmanjo chorando, vi uma alegria única, que só se encontra em jogos do Galo.

Alô Kalil, Cuca e turma da chuteira. Eu não prometo levar os amuletos ou ficar no canto da sorte todas as vezes, mas sei que vocês podem me ouvir, mesmo que o Independência faça um barulho ensurdecedor. Por isso, vou sussurrar – “Vamu, Galo! Eu acredito…”

Fael Lima

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Foto: Grupo Galo Doido no Facebook

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Regras da Academia Atleticana de Letras

Foto: Gabriel Castro

É obrigatório o uso de letra maiúscula nas palavras Atlético ou Galo. São nomes próprios, santos, sagrados, únicos e que devem ser reverenciados. De preferência, grite GALO após escrever.

A regra também é válida para Massa, Nação e qualquer palavra quando essa se referir ao Clube Atlético Mineiro.

O uso da palavra Crube ou Atrético não é considerado erro, caso seja dito por um Atleticano original. Aliás, um Atleticano autêntico pode cometer qualquer erro, desde que esse não ofenda a história centenária do Galo.

Vale reforçar que calango, rei, beija-flor, entre outras palavras, são escritas com letras minúsculas, mas, caso se refiram a Marques, Reinaldo e Dadá, o uso de letra maiúscula é obrigatório. Quando se referir a um atacante, Matador, também entra nesse caso.

Foto: Gabriel Castro

Complementando, Humberto Ramos, João Leite, Luizinho, entre outros, podem fugir a essas regras. Eles, entre outros, podem tudo.

Não se separa sujeito do verbo, nem Marques de Guilherme, nem Éder de Reinaldo, entre outras situações.

É desnecessário o complemento de Massa ou torcida do Galo, quando se falar em espetáculo, festa ou cena memorável, já que são feitos únicos do povo Atleticano.

Indo além da ortografia, qualquer erro proposital das regras acima será considerado pecado e heresia.

Essas são regras ortográficas que cabem complementos ou correções. Estaremos atualizando sempre que houver necessidade ou diante de uma situação que ainda não foi citada nessas linhas.

Despeço com mais um exemplo. Ao escrever o grito de Galo, você pode utilizar quantas vogais achar necessário. Se a ortografia achar ruim, manda ela reclamar com a Massa! Gaaaaaaaaaaaaaaaaaaallllllllllllooooooooooooooooooooo!!!!

Fael Lima

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Foto: Peagá CAM

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