Não é pecado acreditar no Galo

cara pintada daniel teobaldo 300x200 Não é pecado acreditar no Galo

Foto: Daniel Teobaldo

Não lembro o ano ou o jogo, mas foi uma daquelas situações difíceis de dormir; o Atlético havia perdido e eu estava no travesseiro há algum tempo. O sono chegou, mas eu não havia criado coragem para fazer um pedido na oração final. Será pecado pedir algo sobre futebol na oração? – e o próprio pensamento responde – Não é futebol, é o Galo. Ele entende!

E eu pedi. Como a derrota havia deixado um nó na garganta, o pedido veio do fundo da alma. “Mesmo que no último dia de vida, mesmo que aconteça na velhice, não me deixe morrer sem ver o Galo no topo do mundo. Quando meus olhos se fecharem definitivamente, que ele tenha testemunhado grandes momentos do Atlético, que tanto amo. Ninguém me conhece mais que Você, por isso sabe como eu desejo viver esse momento.”

Os anos se passaram e eu não sei quando acordei e vi um grande time se formando, mas hoje, quando Ronaldinho colocou aquela bola no ângulo, imaginei que vivia meu último dia na Terra. Não. Não era. O Atlético AINDA não está no topo do mundo. Mas chegará. E quando presenciarmos esse momento, o nó na garganta já não será o mesmo dos dias em que foi difícil dormir após as derrotas.

na paz bruno cantini 300x200 Não é pecado acreditar no Galo

Foto: Bruno Cantini

Ainda não sei se cometi um pecado ao fazer aquela oração, mas hoje, quando ouvi o apito final, vi no brilho dos olhos das pessoas ao redor que foram muitas noites de pedidos, de lágrimas em travesseiros. A fé entrou em campo, puxou o aço da trave, e por isso Ronaldinho acertou o ângulo. Essa fé não é de quem torce pelo Atlético. Essa é a fé de quem é o próprio Atlético.

Hoje é uma daquelas noites difíceis de dormir. O Atlético goleou e eu não sei como agradecer em oração.

Fael Lima

ABRAÇO NAÇÃO!

Twitter | Facebook

Youtube 1 | Youtube 2

fogos x arsenal daniel teobaldo 300x200 Não é pecado acreditar no Galo

Foto: Daniel Teobaldo

Atlético 105 anos

483842 10151493222467552 1860506902 n Atlético 105 anos

Imagem: Site do Galo

Imagens: Tv Galo

Confira promoções especiais da Loja Arquibancada no Facebook 

cartao visita arquibancada geral Atlético 105 anos

cartao visita arquibancada geral verso Atlético 105 anos

 

Atlético, muito acima do futebol

Colunistas Fael Lima2 Atlético, muito acima do futebol

“Diante de tudo isso, não digam que o Atlético voltará a ser maior do Brasil, pois ele nunca deixou e nunca deixará de ser o maior, aquilo que deu novo significado ao futebol, convertendo os mais loucos dessa e qualquer outra galáxia existente.” – Assim eu terminei minha mensagem de parabéns ao Galo em 2012. Não foi o grande time que montamos ou ficar como favorito em qualquer competição desse mundo que comprovou a frase. Um dos maiores jogadores da história passou a vestir a nossa camisa após o último 25 de março; sorte dele, que agora pode ler essa frase e confirmar sua veracidade.

comemora gol corinthians bruno cantini 300x200 Atlético, muito acima do futebol

Foto: Bruno Cantini

O gol no último minuto contra o Fluminense não foi o ponto final na afirmação, mas sim o grito de GALO que saiu do fundo do peito de todos os Atleticanos ao ver a rede estufando aos 47 infartantes minutos do segundo tempo. A certeza que o Galo é imortal não vem da vitória, vem dos momentos de raça e entrega até o fim, como se o time inteiro estivesse com os dentes trincando ao repetir “LUTAR, LUTAR, LUTAR, COM TODA NOSSA RAÇA PRA VENCER.”.

Nem sempre é preciso arquibancada, bola rolando e um time do outro lado para comprovar que realmente damos um novo significado ao futebol. Após o último 25 de março, vi o ônibus do time com dificuldade para atravessar o mar de gente que se formou na porta da Cidade do Galo. Conhecendo a Massa, o motorista acelerou, pois sabia que pegaríamos aquele veículo pelas mãos e o levaríamos até a porta do estádio. Isso é estar acima do futebol.

Se não estivéssemos com residência fixa no topo das tabelas, se um dos melhores da história não estivesse em campo com o Manto Alvinegro, ainda que vivêssemos novamente os dias ruins, o Atlético sabe que poderia contar com os verdadeiros Atleticanos em qualquer situação. Por isso nunca deixamos de ser os maiores dessa galáxia.

Não foram os últimos 365 dias que comprovaram nossa superioridade, isso vem desde uma reunião de alguns garotos no Parque Municipal, em 1908, e é algo que veremos nos próximos dias, séculos e milênios.

Fael Lima

ABRAÇO NAÇÃO!

Twitter | Facebook

Youtube 1 | Youtube 2

Confira promoções especiais da Loja Arquibancada no Facebook 

cartao visita arquibancada geral Atlético, muito acima do futebol

cartao visita arquibancada geral verso Atlético, muito acima do futebol

Perfeito Mundo Alvinegro

Colunistas Fael Lima2 Perfeito Mundo Alvinegro

Trânsito parado no centro de Belo Horizonte, os termômetros mostram mais de trinta graus, mas a sensação térmica é de cinquenta e sete graus dentro do ônibus graças ao funk no celular de um passageiro. Entediado, começo a contar as camisas do Galo pela calçada – uma, duas, três, oito, treze… – veio o pensamento de como seria o mundo se todas as pessoas daquela calçada, aliás, todas as pessoas do planeta vestissem somente a camisa Alvinegra.

MUNDO 300x221 Perfeito Mundo Alvinegro

Imagem: Internet

Seria um mundo perfeito se Atleticano tivesse um pouco mais de juízo. Com um mundo de Alvinegros alguns fatos simplesmente não teriam acontecido ou aconteceriam de uma maneira diferente.
Tiradentes, olhando desconfiado pelas esquinas, encontra um grupo de amigos e juntos descem até o porão de uma casa. Lá, ligam a TV, abrem umas cervejas e assistem aos jogão entre Atlético e Benfica de Portugal. Eles querem mostrar que os mineiros são maiores que os portugueses.

Ainda no passado, Dom Pedro ergue sua espada e solta o grito “O Independência é nosso!”, aponta para o rio Ipiranga e completa “Aqui tem água.”.

Falando de um período mais próximo, imagino Fernando Collor confiscando todas as poupanças e permitindo a retirada do dinheiro somente em casos que a população precise comprar ingressos do próximo jogo. Se bem que nesse mundo Preto e Branco, Collors, Wrights, entre outros, seriam expulsos sem direito a buscar exílio até mesmo em outra galáxia.

Outros presidentes teriam o destino alterado se vestissem a camisa Alvinegra. O metalúrgico Lula, diante de uma multidão aguardando sábias palavras, enche o peito e grita “Bota a cara alemão”. Não teria sido eleito presidente, mas teríamos um bom chefe de torcida.

Para não ficarmos somente na política, nosso camisa 10 seria um tal Ayrton Senna, veloz, genial, entortando o beque Alain Prost. A cada gol, soa o tema da vitória, obviamente, o hino do Clube Atlético Mineiro.

466782 3598988617093 1344848300 3445079 850216532 o 300x199 Perfeito Mundo Alvinegro

Foto: Internet

Na divisão de estados pelo país, no lugar do Mato Grosso do Sul, teríamos o Luizinho Lá de Trás, e onde está o Rio Grande do Norte, visitaríamos o Éder da Ponta Esquerda. Para não monopolizarmos os nomes, os locais com temperatura mais frescas poderiam ser chamados de Território Palestra Yale.

Pensamentos que surgem durante o tédio do trânsito. Mesmo com algumas derrapadas no pouco juízo de alguns Atleticanos, seria um mundo perfeito! Queria materializar mais personagens e histórias do perfeito mundo Alvinegro, mas o maldito funk não para de tocar no fundo do ônibus e a sensação térmica chega a 113 graus.

Fael Lima

ABRAÇO NAÇÃO!

Twitter | Facebook

Youtube 1 | Youtube 2

A alegria dos americanos

gol x américa bruno cantini 300x256 A alegria dos americanos

Foto: Bruno Cantini

Ninguém está mais feliz que a torcida do América hoje. Os americanos (?) tiravam as folhinhas do calendário diariamente, contando nos dedos o tempo que faltava para finalmente ver nosso time em campo. Outros torcedores de times da capital aproveitaram o momento para se passarem por americanos e compraram ingressos para também ver nossos jogadores em ação. Juntos, quase conseguiram lotar um setor. Também ficaram juntos até os 45 minutos do segundo tempo, ninguém arredou o pé. Nunca se sabe quando será possível ver futebol de qualidade novamente.

Donos do terreno onde está construído o estádio que o Atlético manda e desmanda, puderam assentar-se no banco de reservas como mandantes, local onde repousaram as pernas que não paravam de tremer. Como eu queria o time do América no vestiário de mandante nas fases seguintes, assim teríamos uma classificação mais tranquila. Pena que mais uma vez lutará para não cair.

donizete x américa gabriel castro 300x200 A alegria dos americanos

Foto: Gabriel Castro

Independente da equipe que enfrentaremos, a única certeza é que Réver estará em campo. Imagino que esse “fominha” tenha saído do jogo de hoje, batido uma bola com os amigos do prédio e depois jogado um futebol de botão com os primos. Dores no tornozelo, cabeça cortada, cansado das últimas viagens e titular sempre. Além de Réver, citaria outros que ignoram o número no placar – um, dois, três, quatro, cinco – eles sempre querem mais. Fominhas!

Após um jogo como esse, com virada e zagueiro artilheiro, posso dizer que estou feliz. Não tanto quanto os americanos, mas estou.

Fael Lima

ABRAÇO NAÇÃO!

Twitter | Facebook

Youtube 1 | Youtube 2

Eles preferem cair no Horto

fogos x strongest bruno cantini 300x200 Eles preferem cair no Horto

Foto: Bruno Cantini

Eu não estava no vestiário adversário, mas se pudesse escolher entre a arquibancada e o vestiário, acho que abriria uma exceção para saber como foi a conversa por lá. Acho que não cogitaram perder por W.O., talvez na Bolívia chegaram a abrir uma votação, mas já estavam aqui e por isso entrariam em campo. O atacante com aquele frio na coluna sabendo que escutaria a respiração de Pierre em sua nuca como um Pitt Bull protegendo a porta de casa, o zagueiro sem conseguir firmar as pernas imaginando Tardelli e Bernard revezando as pontas. Nesse momento, talvez o W.O. tenha voltado para a pauta de votação.

Palco da maior chacina da história do futebol, o Independência vê um a um cair de joelhos no Horto. O massacre pode vir em tom de goleada, ou em tom sofrido, com requintes de crueldade não para as vítimas, mas para os Atleticanos donos de uma pressão arterial subindo sem parar a cada giro do relógio.

Quando os gols Alvinegros não saem em grande número, o próprio adversário cogita autodestruição. Foi assim quando Ronaldinho tirou a camisa e foi cercado por vários jogadores. Se tivessem o marcado assim durante o jogo, talvez ele não tivesse feito o que fez, mas o círculo era para uma disputa pela camisa usada durante a partida. Quem conseguiu segurá-la, recebeu o olhar de morte de todos os “companheiros” de equipe, porém, creio que o governo boliviano vá confiscá-la logo que o time volte para o país para que seja exposta em praça pública como tesouro nacional. O fulano que fez o gol será traído pela memória e um dia não saberá ao certo como foi o lance, enquanto o que conseguiu a camisa de Ronaldinho estará com ela nas mãos se gabando com os netos que nunca a lavou, jurando que aquele suor pode fazer milagres.

dupla x strongest gabriel castro 300x200 Eles preferem cair no Horto

Foto: Gabriel Castro

No fundo, nossos adversários também torcem por nós. Quando retornam para o vestiário, o hino está na ponta da língua e o zagueiro perna mole bate o peito com o atacante coluna fria para imitar uma dupla da casa. Por isso ninguém opta pelo W.O., todos querem entrar na fila de vítimas do Horto e se cadastrarem nesse clube de masoquismo que aprendeu a ser feliz assistindo às vitórias do Atlético. O The Strongest já foi! Próximo, por favor.

Fael Lima

ABRAÇO NAÇÃO!

Twitter | Facebook

Youtube 1 | Youtube 2

Depois da fronteira, continuamos Atleticanos

Desde que comprou a passagem para a Argentina, o Luís Augusto não pensava em outra coisa e talvez tenha sido por isso que ele esqueceu o documento de identidade em Pompéu, cidade do interior. Quando avisaram que ele não poderia embarcar, eu não queria estar na pele do Luís, que pagou 800 reais para um taxista buscar o documento na cidade. Com o valor da viagem para BH, multa por remarcar a viagem, alugar o taxi, entre outras coisas, a ida para a Argentina ficou pelo dobro do preço para o Luís, que não se arrepende. Nada nesse mundo pagaria o que ele viveu naquele Obelisco lotado.

DSC09424 300x225 Depois da fronteira, continuamos Atleticanos

Foto: Lucas Cardoso

Vinte e quatro horas antes do Leonard de Assis embarcar para Buenos Aires, um médico avaliou seus exames e recomendou repouso, sem avião, aeroporto e tensão de jogo. Quando recebi a mensagem de boa viagem e da ausência do amigo, mesmo sem ver seu rosto, podia sentir um poço de tristeza em cada letra. Segundo os livros de medicina, ficar em BH faria bem ao coração do paciente. Queria encontrar esse médico para lhe contar sobre o ritmo alegre que o coração do Leonard estava quando Tardelli comemorou o gol em frente à grade. A mesma grade onde o Leonard segurava com força, como se estivesse com medo de que lhe tirassem à força dali.

Luís e Leonard, duas testemunhas que já se acostumaram com a genialidade de Ronaldinho em Minas Gerais. Um argentino, talvez por não estar tão acostumado assim, chorava aos berros ao conseguir tocar na mão do dentuço na entrada do hotel. “Era a mão de Ronaldinho, o Ronaldinho do Atlético…” – repetia o jovem, como se seu coração não fosse aguentar. Deveria pegar o contato do médico do Leonard.

Sem tocar na mão do camisa 10, mas com a mesma admiração, argentinos, peruanos, chilenos, chineses, coreanos, entre outros, paravam os Atleticanos pelas ruas só para gritar Galo. Bandeira, cachecol, boné, adesivo, queriam levar qualquer coisa que tivesse o escudo com as iniciais C.A.M para seu país de origem, assim ficaria mais fácil contar as cenas que viram na Argentina. Difícil é alguém que nunca tenha visto a Massa acreditar nesse eterno vício do Atleticano em realizar o impossível. O hino ecoava em qualquer lugar, a qualquer hora, mesmo que contando com a ajuda de torcedores do San Lorenzo, Boca, River, Estudiantes, Argentinos Juniors ou qualquer outro fã de futebol. Ignoravam o sotaque para aprender os ensinamentos do povo que invade outros territórios repetindo o carma “uma vez até morrer”.

IMG 3725 300x200 Depois da fronteira, continuamos Atleticanos

Foto: Fael Lima

Os aeroportos, as ruas, bares, lojas, estádio, todos com um mar de camisas Alvinegras, situação completamente normal, se não estivéssemos falando de um local onde a maioria visitava pela primeira vez. Como todas que carregam a cor, a camisa azul da Argentina era minoria. No futuro, ao abrir as fotos e vídeos desses dias, será necessário uma legenda explicando que tudo se passava em outro país. Eu estava lá e terei dificuldades em acreditar que não era a porta de um estádio em BH após mais uma vitória Atleticana.

Justo seria se todo Atleticano estivesse em Buenos Aires. Queria que cada um tivesse olhado pela janela do ônibus para ver o sorriso de um policial que escoltava a caravana com um boné do Clube Atlético Mineiro, queria virar para o lado e perguntar se meus olhos não estavam precisando de uma consulta com o médico do Leonard, pois vi um senhor usando uma faixa de plástico no pescoço e correndo como jovem ao lado do ônibus. Na faixa estava escrito GALO, o Galo que ele, o policial e tantos outros gritavam a todo momento. O Galo que o Leonard e o Luís não abandonam por nada, o Galo que fabrica tantos momentos para arrepiar cada parte do corpo. Justo seria se cada pessoa no mundo pudesse conhecer, mesmo que por poucos minutos, um pouco mais desse Galo. Quem sabe não veremos isso um dia? Pode ser que demore uns dias, pode ser que demore uns anos, mas não diga que algo é impossível para essa torcida.

Fael Lima

ABRAÇO NAÇÃO!

Twitter | Facebook

Youtube 1 | Youtube 2