Sou um defensor eterno da Massa, acho que Atleticano sempre tem razão, e se do outro lado estiver alguém que vista outras cores, o Atleticano tem razão, mesmo se estiver errado. Sou faca na caveira mesmo, radical, xiita, eternamente grato por um dia essa torcida ter feito com que eu parasse em frente a uma TV e dito; “Esse é meu time!”.
No mundo do futebol não há ninguém com a paciência que essa torcida teve durante décadas, ninguém sofreu mais e colecionou mais decepções, lhe dando ainda mais crédito para falar, fazer e sonhar com o que bem entender.
Estamos em uma final de campeonato e tudo que eu queria fazer é passar a madrugada falando do show da torcida durante o jogo, da pressão que fez o adversário tremer, do hino ecoando em toda cidade e tremendo a arquibancada... mas hoje não dá.
Sei que não dá mais para aguentar determinados jogadores ou atitudes do Presidente Alexandre Kalil, mas final de campeonato não é local para acertar as contas. Não há nada que justifique vaias com 15 minutos de jogo. Foram várias rodadas para que todos pudessem mostrar sua indignação, e qualquer protesto era válido até as semifinais, mas final é exceção à regra.
Acompanhei o time em Uberaba, Divinópolis, Nova Lima, Sete Lagoas, Juiz de Fora e Belo Horizonte e lhes garanto, esse time ouviu muito em 2012. Eles já foram vaiados, ouviram ofensas, ameaças, mas nada disso fez com que eles jogassem futebol. A maioria não sabe, não adianta insistir mais no gogó. O que precisamos agora é fazer o América tremer dentro do Independência, pois daqui 20 anos não lembraremos que Richarlyson vestiu nossa camisa, mas lembraremos como foi bom comemorar esse título.
Se você acha que o Galo não deve ser campeão mineiro, o ingresso na torcida verde tem o mesmo valor e eles estão precisando com urgência de novos integrantes. O Atlético deve levar qualquer taça, deve vencer tudo que envolver seu nome, ainda que seja par ou ímpar em esquina de vila. Sei que você também pensa assim, pois você é Atleticano, a raça com a mais deliciosa insanidade que há no mundo.
Ao comprar seu ingresso, deixe seu grito na janela do presidente, vá a Campinas na estreia do Brasileiro (eu vou) e diga ao treinador que diferenças pessoais interferem na escalação (eu direi), mas faça em qualquer outra ocasião, menos em uma final de campeonato.
Repito, a mágoa que nos corta a garganta em 2012 impede que um grito saia na mesma intensidade, mas ainda somos a Massa que canta 10 vezes mais que qualquer outra torcida. Tentaram nos tirar isso, mas não há como, está impregnado em cada célula do corpo esse instinto de derrubar rivais com um olhar de fúria. Precisamos reviver esse espírito no próximo domingo para que sejamos o goleiro, o atacante, a bola, e ao fim do jogo possamos dizer – NÓS VENCEMOS.
A partir de segunda-feira serei o primeiro a convocar guerra civil no Reino Alvinegro, mas por hora, nossa bandeira é a mesma, a do Clube Atlético Mineiro. Que os verdes não compareçam no domingo, pois se cantarmos como sabemos, as poucas espécies ainda existentes entrarão em extinção.
Chegou a hora de vestir a camisa novamente. A 12 ainda é nossa!
Fotos: Força Jovem e Bruno Cantini
Fael Lima
ABRAÇO NAÇÃO!

