Texto enviado pelo leitor Pedro Souza
O Futebol chegou ao Brasil em 1894 como um esporte da alta classe, praticado apenas pela "elite branca" do país. Só a partir de 1925 os negros começaram a ser aceitos entre os praticantes do esporte que mais crescia no mundo. Desde então, surgiu um esporte do povo, em que unia elite e "povão" por uma paixão única.
Por décadas o futebol fez a felicidade de quem não tinha mais a vontade de sorrir, de quem às vezes deixava de colocar uma caixa de leite na mesa para pagar um ingresso, o verdadeiro apaixonado pelo esporte do povo.
Hoje não é mais surpresa para ninguém que a cada dia que passa esse povão, o coração do futebol, vai sendo afastado à força dos estádios. Os valores abusivos dos ingressos tirou o povo que ia a uma partida com aquela vontade de empurrar o time, e com a torcida do Galo não vai sendo diferente.
Enchemos nossa casa toda semana, disso não temos o que discutir. Mas aquela Massa que apoiava o jogo todo e que vestia a camisa do Galo para ir ao estádio apenas com o ideal de incentivar, aos poucos vai entrando em extinção. O estádio vai sendo tomado por torcedores que vão, vestem a camisa, entram no estádio, tiram fotos, mas quando a bola rola cornetar é a arma mais forte. Essa não é a alma do Atleticano.
A Massa do GALO é aquela torcida que muitas vezes virou o jogo no grito, que pagava 2 reais no ingresso para ver "Sergipanos" e "Mexiricas", mas cantava e apoiava o tempo todo, pois aquele ali estava representando cada um que estava gritando por ele.
Uma boa parte dessa torcida nunca viu o time numa ascensão tão grande quanto a de agora, e por isso, visando recuperar um pouco das raízes da Massa e do esporte, as organizadas selaram um pacto de união nesta semana.
Para a 2ª fase da Libertadores, até uma ordem e tempo de músicas serão utilizados para que a sincronia dentro do caldeirão seja perfeita. "Vamos Gritar, gritar alto, gritar juntos! Vamos gritar tão alto que vão ouvir e tremer de medo lá no Mineirão"; disse um integrante da Galoucura na reunião em que foi sugerido a união.
Cada organizada do Galo hoje tem seu método de torcer e de existir, mas todas tem apenas um ideal – O Atlético! Essa união em peso das organizadas com o povão vem sendo aguardada desde que a elitização do futebol mineiro veio à tona. Somos do GALO, o time do povo, pessoas que lutam em suas vidas particulares para vencer cada dia e que levam o mesmo objetivo para a arquibancada, pois sabem que o dia a dia do Atlético é como um reflexo da vida de cada Atleticano.
Se vai dar certo, ninguém sabe. Mais a fase é boa amigo, e tudo que possa somar merece ser tentado. Ou você Atleticano duvida do potencial dessa torcida? Já viramos vários jogos no grito, e vai ser no grito que apresentaremos a essa nova "classe de torcedores", o verdadeiro significado do torcedor Atleticano.
Estamos juntos, mais fortes do que nunca e prontos para apoiar como sempre apoiamos e de uma forma que ninguém nunca viu.
Preparados para o novo Caldeirão?



