Todos já saíram do estádio, as luzes se apagaram, mas eu resolvi ficar.
Vieram outros dias de sol e outros dias de chuva, mas todas as outras milhões de almas continuam aqui a olhar para o gramado. Dessa vez não há aquele espetáculo, não há cânticos, sequer conseguem olhar uns para os outros, estão imóveis pensando em cada dia desses 101 anos da nossa história.
Vocês que nos deixaram, que já não estão nessa carne humana, mas que viveram todo tipo de revés e injustiça com nosso Galo, por favor nos digam: Qual é a grande charada nesse mundo da bola?
Enquanto não sei, continuo aqui no Mineirão, sentado, esperando que esse portão mágico se abra e volte toda aquela energia, aquele otimismo, aquela certeza de que esse será o nosso ano.
Todos os corpos com uma nova energia, reencontrando a alma e o Galo.
Mesmo que soubesse todas as respostas que procurei nesse tempo aqui, não contaria para esse moleque na arquibancada, que vive agora uma alegria tão imensa, que parece que nao viverá o amanhã. Ele canta como se fosse esse o último dia de sua vida. E quem garante que após o jogo ele poderá sair novamente com sua alma?
Então cantemos nação, cantemos, pois nossa alma se confunde com esse Clube, cantemos, pois vivemos dias de chuva e sol, mas passamos novamente por aquele portão para apoiar nosso Galo.
Saibam que esse é o segredo do hino alvinegro ser o que mais
ecoa no mundo, o fato de ser milhões de vozes multiplicadas por milhões de almas.
Saiba que essa tua alma ferida terá todas as respostas que procura algum dia.
Quando teu filho gritar Galo, quando essa camisa for tua única amiga na velhice, quando seu corpo descansar e sobre teu caixão só restar essa bandeira, você saberá que sua maior vitória foi a fidelidade do teu corpo aos versos, "UMA VEZ ATÉ MORRER".














