Quando o Presidente da nossa bandeira levantou sua voz aos céus, pedindo ajuda e clamando por justiça para essa torcida, eu cheguei a concordar com suas palavras.
Seria justo o mundo, se o estádio ontem coubesse 5 milhões de pessoas, afinal todo habitante desse planeta deveria ter o direito de assistir ao espetáculo alvinegro. Seria justo se aquelas pessoas cantando na fila estivessem prestes a assistir uma taça sendo erguida. Mas a construção erguida pelo homem comportava 19 mil pessoas e os atleticanos não estavam ali pra uma festa de título.
Pra falar a verdade, nem era jogo. Era um show! De um Galo Doido que subia no alambrado a um pulgão que driblava o gandula. Imperdível!
Imperdível? Tente explicar isso pra dona “Maria Pretinha” que abaixou a cabeça, já no início, cruzou os dedos e rezou. Foram orações tantas quantas ela já havia escutado nas dezenas de anos vividos.
Dentro de campo, a rede balançava, fora dele, a ola girava pelo estádio, as bandeiras agitavam e num canto, um pai com um filho de poucos meses de vida no colo ignorando tudo aquilo. A criança ainda não sabia falar palavra alguma, mas ouvia atentamente o pai ensinando o hino, enquanto segurava uma faixa de torcida, no mínimo 100 vezes maior do que ele, mas que em poucos anos ele estará carregando para o mesmo estádio.
Talvez o pai concorde sobre a injustiça que nos cobre tantas vezes, mas tenha omitido isso para o filho, deixando essa aula pra seus próximos anos de atleticanismo.
E não ousamos culpar a natureza por ser dona dessa justiça, pois é ela quem compreende a essência do atleticanismo. No fim de tarde, quando essa mesma natureza nos enviou uma tempestade, pude ver atleticanos dançando na chuva como se aquela água fosse lavar a alma de tudo que havia acontecido de ruim nos últimos tempos. A cena despertou a 'curiosidade de um curioso': O sol. E como mágica, alguns minutos depois, ele surgia novamente como há semanas não acontecia, iluminando a dona Maria (que agora corria de canto a canto), o pai, o pequeno bebê, o povo cantando na fila, a torcida inteira.
E vivendo num mundo assim, quem ousa reclamar da justiça? Ser e viver o atleticanismo nosso de cada dia é a maior sorte que os céus poderiam ter nos dado. Somos alvinegros, somos abençoados!
ABRAÇO NAÇÃO!
Fael Lima





