Chegou a hora, meu caro amigo. Chegou a hora de você se render à tecnologia e às regras do futebol moderno. É provável que eu não te veja por alguns anos, então eu preciso lhe agradecer pelo tempo em que estivemos juntos. Ainda lembro da primeira vez que te vi, minhas pernas trêmulas e eu boquiaberto com tanta gente e tantos portões, não imaginava que ganharia um amigo para os dias mais felizes e mais difíceis que viriam.
A ausência das cadeiras permitia que eu corresse livre a comemorar os gols dos ídolos em campo. O bandeirão lhe cobria a face, talvez para enxugar uma lágrima imaginária, tamanha era a emoção que havia em seu coração.
Um coração que bateu embaixo dos gramados e fez arrepiar a grama com as jogadas de Reinaldo, Éder, Euller, Marques, Cerezo, Sério Araújo e dezenas de outros.
Tentaram dividir suas cores, mas só uma torcida levou suas imagens aos quatro cantos do mundo com espetáculos à sua altura. É amigo... foram muitos momentos.
Que amigo manteria em segredo o dia 27 de novembro de 2005, quando sai por seus corredores à procura de oxigênio, sendo guiado por ti até uma coluna que tampasse minha vergonha. Aquele dia teu portão brilhou quando caminhei para a saída e sei que era você me dizendo que dias melhores viriam.
Nos próximos anos, irei dormir relembrando sua voz inconfundível, mesmo a várias ruas de distância. Suas frases mudaram com o passar do tempo, indo de "Rei, Rei, Rei", passando por "Filho do vento...", "Vamos subir Galôôô" e o inesquecível "Olê Maarquêêss".
Te iluminamos, te incendiamos, te poetizamos, incluímos você em nossas músicas, subliminarmente como forma de homenagem, recusando a hipótese de um dia ficar longe. Esse dia chegou, mas não mudaremos nossas músicas, pois continuaremos a ser a maior do Mineirão!
Chegou a hora amigo e não se preocupe, pois nosso Galo estará ainda maior quando lhe reencontrar. Lhe peço um último abraço, desses que você alcança a geral, a especial, a arquibancada e outros milhões que te assistem pelo mundo.
Por mais que mudem sua estrutura, sua proximidade com a Massa, com o Clube Atlético Mineiro, lhe tornou imortal e você será eternamente o Mineirão das antigas, meu amigo.
Até logo, amigo.
ABRAÇO NAÇÃO!
Fael Lima
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