Canto do Leitor – Por um sócio completo

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28/01/2013 - 09:07

Texto enviado pelo leitor Wellerson Duarte

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Foto: Moacir Gaspar

Por meio deste pequeno estudo, venho mostrar como o Clube Atlético Mineiro poderia aproveitar bem mais seu programa Galo na Veia, que hoje, segundo informações da mídia, conta com aproximadamente 5400 sócios.

Primeiramente, farei um levantamento dos principais programas de sócios torcedores do país, mostrando o número de contribuintes adimplentes de cada clube, e a variação de pagamento de cada um.

Começando pelo Atlético Paranaense, o clube de Curitiba possui um programa chamado “sócio furacão”, que possui por volta de 20 mil pessoas, contribuindo mensalmente, cada um, com 70 reais, gerando uma receita mensal se 1.400.000,00 ao Clube. Também em Curitiba, temos o programa “Sócio Coxa”, com aproximadamente 35 mil sócios, contribuindo para os cofres do Coritiba com valores que variam de 35 a 150 reais mensais.
No Nordeste, temos o Ceará com o programa “Sou mais Ceará”, com 15 mil sócios adimplentes, pagando mensalidades que variam de 12 a 150 reais.

O São Paulo possui também seu programa de sócio torcedor, que conta atualmente com aproximadamente 60 mil pessoas, que contribuem com o clube com valores variados.
Em Porto Alegre chegamos aos dois principais programas de sócio torcedor do país, os quais tiveram mais sucesso. O Grêmio possui o seu programa, que conta atualmente com 65 mil sócios adimplentes. Com a inauguração da Arena, as mensalidades foram reajustadas, podendo chegar a mais de 300 reais mensais, dependendo da posição dos assentos no estádio e da modalidade do programa.

Já o Internacional possui por volta de 90 mil sócios torcedores adimplentes ao seu programa. Estudos dão conta que o clube recebe mais de 50 milhões de reais anuais oriundos desse programa. Tal verba contribui e muito para o sucesso da equipe e para que ela tenha sempre um bom elenco no futebol profissional. As mensalidades do Inter variam de 15 a 120 reais. Cerca de 60% dos contribuintes são do interior do estado e 40% da capital.

Voltando ao Galo, com seus 5400 sócios, o clube fatura mensalmente o valor de 1.080.000,00 reais; 12.960.00,00 anuais. Bom, o programa não deixa de ser vantajoso e ter sucesso. Ocorre que o clube poderia aproveitar outras variáveis, para aumentar a receita.

1 – Tomando por base que jogaremos a maioria dos jogos no Independência, o clube poderia criar outras categorias de sócio, com valores diferenciados, para os demais setores do estádio. Poderia ser aproveitado o setor da Pitangui, com os mesmos valores do Galo na Veia. Outra opção seria criar uma categoria mais econômica, para os setores com visibilidade ruim e que ficam na parte de cima do estádio. Certamente o clube conseguiria um valor bem próximo do que fatura nos patamares atuais.

2 – Caso não queiram fazer isso, privilegiando a arrecadação desses setores, o clube poderia criar uma modalidade de preferência de compra. O Internacional cobra 15 reais dessa modalidade. Nessa possibilidade, a venda de ingressos começaria antes para os que aderissem ao programa. Não precisaria ter limites de sócios. A venda funcionaria por ordem de chegada, por compra via internet. Aqui o Atlético precisa, urgentemente, resolver seu problema de venda de ingressos. Em quase todos os lugares do mundo, em clubes da nossa grandeza e eventos gerais, as vendas são feitas online, sem a necessidade obrigatória de ficar em filas intermináveis, ficando à mercê de chuvas, sol, mau tratamento policial e aos cambistas. Sigam o exemplo da NBA (http://www.nba.com/tickets/tix.html) ou mesmo dos clubes gaúchos (https://www.arenapoa.com.br/tickets). Aqui mesmo no país, temos a ingresso fácil, tickets for fun e outras, que já trabalham assim. Uma parceria com essas empresas poderia ser estudada. O sistema não tem nada de complexo, e poderia ser facilmente implantado.

Um sistema de preferência de compra poderia, certamente, contar com mais 50 mil pessoas contribuindo para o Atlético, pagando por volta de 20 reais, rendendo 1 milhão de reais por mês aos cofres alvinegros, além do que será arrecadado com a venda do ingresso propriamente dita. Esse programa poderia beneficiar muitos torcedores que vivem no interior e até mesmo em outros estados, e que não podem comparecer à todas as partidas.
Ademais, para tornar o programa mais atrativo, poderiam ser firmadas parcerias com grandes empresas que atuam em todo o estado, como, por exemplo, Supermercados BH, Epa supermercados, Drogaria Araújo, Ricardo Eletro, Casas Bahia, empresas de viagens (viação São Geraldo, Saritur, Gontijo, Tam, Gol, Azul etc) e outras empresas que atuam pela internet, por exemplo, Netshoes, Centauro, oferecendo descontos para esses sócios atleticanos em suas compras. Certamente esses 20 reais seriam revertidos em descontos em compras nessas redes credenciadas. Claro que esses benefícios poderiam ser estendidos aos sócios que contribuem com um valor mais alto. Certamente as empresas aceitariam, uma vez que estariam divulgando suas marcas também.

Bom, meu objetivo era mostrar como o Galo poderia obter mais vantagens e arrecadar mais, beneficiando, também, o seu torcedor. Sei que outras pessoas já questionaram essas coisas, mas diante da inércia do clube, venho mais uma vez indagar sobre isso. Não quero ser responsável por causar nenhum tipo de tumulto ao Atlético. Quero meu time cada vez mais forte e nas condições de se manter no lugar de onde nunca deveria ter saído. O Atlético precisa evoluir mais e implantar essas melhorias ao seu sistema. Nos últimos anos, o clube já melhorou muito e a diretoria deve ser parabenizada. O que sugeri acima, não é em nenhum momento impossível ou difícil de ser executado. Basta apenas um pouco mais de boa vontade e visão aos responsáveis. Que Deus nos abençoe!

Belo Horizonte, 28 de janeiro de 2013.