Com o coração na ponta da caneta

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14/10/2011 - 14:09

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Desde a minha infância, nunca escondi dos familiares e amigos que sonhava um dia em ser jornalista, assim como sempre deixei claro que, além do jornalismo, a outra paixão sempre foi o Galo.

Começaram então a construir uma parede do mais puro concreto ao meu redor. – “Se quer realmente ser jornalista, esquece time. Tem que ser neutro. Não pode falar pra quem torce. Esconda... Esconda...” – diziam os conselhos, como se a paixão por uma bandeira fosse o maior dos pecados. Esconder por quê? Esconder de quem?

Os números da idade foram girando como o placar de uma goleada. Vinte e dois, vinte e três, vinte e três mais um, vinte e cinco... A cada dia o sonho ficava mais distante.

Fosse eu, torcedor de outro time, talvez tivesse desistido e não lutasse até o fim, mas a maior das lições que a camisa alvinegra me passou foram os versos “Lutar, lutar, lutar” e eu não poderia cantar a esmo, sem colocar esse ideal em minha vida. Um gol aos 47 do segundo tempo e hoje curso o quarto período de jornalismo.

Contei essa breve história, pois novamente os fantasmas da profissão teimam em rodear meus ouvidos. – Deixar de lado a emoção, não se misturar às manchetes, somente noticiá-las, a verdade em primeiro lugar. – E foram essas palavras que fizeram com que minha cabeça girasse após esse jogo que roubou meu sono na madrugada. “Estou pronto para essas ações?”

Como deixar a emoção de lado ao ver uma torcida que vai ao estádio e, mesmo após12 no rio 199x300 - Com o coração na ponta da caneta seguidos tropeços, traz no rosto um sorriso de quem espera aquele momento durante toda a semana? Como não fazer parte da manchete, se o fanático ao meu lado começou a cantar o hino e quando parecia que a veia em seu pescoço entraria em campo, ele me olhou com a certeza que eu continuaria? Se é para falar a verdade, que a verdade seja dita – É impossível negar ao Clube Atlético Mineiro.

Abrimos os olhos a cada dia para trabalharmos e no fim do dia perceber que o coração está mais feliz do que no momento em que o corpo despertou. E um coração proibido de gritar Galo aos quatro cantos do mundo não pode ser totalmente feliz. Óh senhores que inventaram as profissões e estipularam que um jornalista deve conter-se, eu lhes convido a vir a um jogo do Atlético e lhes desafio a não sentirem um arrepio já nos minutos iniciais. Perdoem se algumas vezes essa loucura ficar exposta nas matérias, mas quando um atleticano diz que confia no impossível, ele não esta sendo sensacionalista, ele está sendo um autêntico atleticano.

Se a imagem não ficou perfeita no momento decisivo, saiba que atrás daquelas lentes um coração alvinegro bateu forte e a vontade foi invadir o gramado e fincar uma bandeira atleticana no centro do campo. É preciso ter ouvido aguçado, um olhar de águia, mas eu lhes digo que primeiramente é necessário um coração atleticano no jornalismo, pois esse derrama sentimento e um papel sem uma gota do atleticanismo não passa de uma madeira fatiada e morta.

Que eu defenda sempre a verdade, que eu respeite ao próximo, mesmo sendo o maior dos rivais, que eu não cometa a injustiça, que Deus me ilumine em cada dia vivido nessa profissão, que por tantos anos sonhei. Que eu não negue nunca que minha camisa é a preta e branca e que, independente da profissão, nasci atleticano e serei uma vez até morrer.

ABRAÇO NAÇÃO!

Fael Lima

www.twitter.com/cam1sado2e

bandeira gramado - Com o coração na ponta da caneta

*Imagens

Bruno Cantini

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