Um abraço materno, uma aliança estreando na mão esquerda, um choro de um bebê com seu gene chegando ao mundo ou um diploma erguido. São grandes emoções, certo? E por trabalhar essa química no corpo, você não sabe por que, mas, ama seu filho, sua esposa, sua mãe e sua profissão.
Mas qual é a explicação quando se trata de um esporte? Um patrimônio que não veio de você, você não está no dia a dia dele, e talvez até nunca o tenha visto de perto, e que você chega a perder noite de sono preocupado com o clube que não está em boa fase.
Certa vez um atleta de handebol que defendia as cores do Galo foi questionado de quanto ganhava para jogar pelo time. “Só o prazer de poder vestir esse manto já é tudo pra mim.” Isso seria a máquina que controla a emoção funcionando ao seu perfeito estado, ou o controle da mente que se perdeu nos versos de um hino?
Me pergunto isso desde a final do Campeonato Mineiro de 1999 quando eu era ainda um mero torcedor que acompanhava por auto o time; até que naquele jogo eu vi o volante Gallo sangrando em campo, chorando e o time não possuía mais substituições. Ele volta a campo e a cada lance eu me tornava mais fiel à minha paixão. Não havia droga ali que anestesiasse mais a sua dor, sua dor era aliviada simplesmente pelas milhares de vozes que cantavam no estádio.

Porque esse escudo tem o poder de decidir se a semana será boa ou não? Que camisa é essa que me controla? Esse manto que eu penso em não mais vesti-lo em momentos de raiva, mas que no outro dia, o pego como um filho e me desculpo, não sei a quem, nem por que, mas me desculpo.
São duas cores somente, que conseguem encher ginásios, estádios, marejam os olhos de lágrimas, preenchem o sorriso de uma criança. São versos de um hino que me fazem arrepiar, dobrar os joelhos e agradecer por ser uma vez até morrer.

Prefiro não achar explicação pro Clube Atlético Mineiro, com medo que a sobriedade esvazie a minha alma. Oh Galo, conte comigo na camisa doze, conte com as suas cores na minha pele; pois eu estarei aqui, vibrando com alegria nas vitórias ou cantando que sou uma vez até morrer para aliviar a tristeza de uma derrota. Conte comigo com ou sem explicações para todas as minhas indagações a esse amor.

ABRAÇO NAÇÃO!

