Crianças brincando pela rua, chute na lata vazia, ela passa entre duas pedras e é gol. Gol do Jô ou do André, se foi do menino desengonçado, ele dirá que é da turma de trás; quem sabe o Réver. A meninada voltou a ser Galo pelas ruas, em peso, como foi de forma esmagadora há alguns anos.
Quem não quer torcer para o time do Ronaldinho? Os pais que vestem outras cores serão obrigados a abrirem cartinhas de natal pedindo uma camisa 49. Bernard e Danilinho também são xodós da meninada, talvez pela identificação com o tamanho e o jeito de “moleque”.
A cor do tênis é, obrigatoriamente, da cor da chuteira do ídolo, a forma como se comemora os gols na pelada e até o penteado inspirados em quem joga pelo Galo. O Atlético garante novamente uma geração através da bola rolando dentro das quatro linhas, o que normalmente acontecia pela festa da arquibancada, quando os pernas de pau dominavam a escalação.
Percebo isso há algumas semanas e confirmei hoje na Cidade do Galo. Crianças com deficiência auditiva, de comunidades carentes, foram conhecer o melhor centro de treinamento do país. Todas lanchando com presentes na mão, coisa simples, como cadernos personalizados com o escudo Alvinegro.
Um deles corria de um lado pro outro, olhava para o campo, abaixava, pulava e dava trabalho aos monitores. Pensei que se tratava do maior Atleticano daquela turma, pois seus olhos brilhavam de alegria. Para minha surpresa, o monitor informou que era um dos poucos cruzeirenses participando do passeio. Aproximei do garoto e propus uma troca do caderno do Galo em qualquer outro, recebendo um NÃO como resposta. Não havia nada que fizesse o garoto soltar o escudo Atleticano.
Os monitores demoraram a acalmar a turma, que sentou ao lado do campo onde o time treinava. Quando o silêncio reinou, Ronaldinho acenou para a turma. Nesse momento pensei que o ex-cruzeirense (tenho certeza) voaria até o campo. A cada chute a gol, uma festa, dando vida ao ambiente frio que normalmente paira por aquelas bandas.
Quando Leonardo Silva saiu de campo, um dos meninos pegou uma parte do algodão que o zagueiro estancava um sangramento. Uma lembrança para provar que aquele dia era real. Aquela turminha nunca ouviu o hino que cantamos na arquibancada, mas tenho certeza que sentiram ali uma energia idêntica.
Voltando para casa, passei por uma pedra e a chutei, marcando um golaço, estilo “Jô”. Lembrei como é boa a sensação de um gol imaginário aos 48 do segundo tempo, para delírio da Massa.
Uma pureza digna de comemoração, pois enquanto houver uma criança a gritar Galo, essa é a prova que o Atlético é imortal.
Fael Lima
ABRAÇO NAÇÃO!
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Esse é o garoto citado no texto


