Texto enviado pelo leitor Pablo Djuric
Ontem fui à festa de confraternização da empresa onde minha esposa trabalha, e como sempre, fui acompanhar o que faziam as crianças na doce ilusão de me antecipar do que me espera com meus filhos, como se crianças fossem iguais e previsíveis.
Como sempre acontece quando vejo uma criança, de uns 3 ou 4 anos, com uma bola na mão, tento fazer com que passe a bola pra mim. Essa foi difícil, demorei uns 2 minutos para ganhar sua confiança e batermos nossa bolinha.
Perguntei a ele o time que torcia e ouvi um – "Framengo"... Fazer o quê, né?!
Tentei ensinar uns fundamentos básicos do futebol, coisas que aprendi na escola do Telê Santana, mas que sei somente na teoria, como meus amigos de pelada sabem muito bem. Obviamente, o deixei fazer gol um gol, ao passo em que ele chutou e gritou “Gooooollll”, e eu completei “Do Galoooooo...”
Bastaram dois chutes e ele já repetia – “Gooooooollll do Galooooo...”. Meu amigo chegou perto e falou “Goooooolll do Flameeeenggoooo”, e para minha surpresa, quase chorei quando ele respondeu – “Não, gol do Galoooooooo...” – Falava que ele era o Ronaldinho.
É claro que não foi nesse dia que converti mais um Atleticano, mas o amor por crianças, e delas para nossa arte que é o futebol, só se completa quando a vemos acompanharem um sentimento que é passado de geração para geração. Não sabemos o porquê torcemos por um time, simplesmente sentimos e torcemos, porque nos passaram esse sentimento. Uns simpatizam, outros fazem do time sua vida.
Para completar essa fábula real, recebi a informação da mãe da criança que, no dia seguinte, ele acordou e a primeira coisa que disse foi “Gooooolll do Galooooo...”. O pai, deve ser flamenguista, teve muito o que explicar e contar para ele que Galo e que Ronaldinho é esse...
Sobre a conversão, fica a dúvida: Será?

