Fato é que num Clube onde os holofotes estiveram em Reinaldo, Marques, Dario, Mário de Castro, Lucas Miranda, Cerezo, João Leite, entre outros que poderiam ocupar diversas páginas, muitos outros mostraram um futebol de encher os olhos da torcida atleticana, entretanto, raramente são lembrados nos dias atuais.
Talvez a primeira vítima do esquecimento seja pela escassez de registros, mas Meireles foi quem iniciou nossa Gloriosa história e por muitos anos foi responsável pelos gols que nos trouxe, inclusive, a Taça Bueno Brandão.
A ausência de tecnologia para registro em fotos e vídeos, "vitimou" também quase que toda a década de 40, onde passaram Murilo, Ramos, Mexicano, Afonso, Alvinho, Lero, entre muitos outros. Os que testemunharam tais feras em campo, dizem que os atuais "craques" teriam vergonha até mesmo de entrar no gramado, diante do belo futebol que apresentava aquela equipe.
Então porque eles não são citados em listas, documentários, especiais e livros avulsos do nosso Alvinegro de tantas Glórias?
Confesso que até em minhas crônicas saudosistas, raramente cito esses nomes, e digo que se não fosse as minhas noites em claro a ler sobre nossa história, talvez desconhecesse essas pérolas que produzimos, mas que se perderam na imensidão do nosso oceano.
Um Clube com a grandeza que tem nosso Atlético, deve dar todas as condições de pesquisa e conhecimento às futuras gerações. Deve aproveitar de todos os meios de comunicação possíveis para que o "atleticanismo" seja como um aprendizado escolar, que vai da lição básica com o be-a-bá dos Reinaldos, mas que possibilite uma graduação onde se conheça até as lendas que mesmo sendo rodapé nessas páginas, influenciaram na capa do livro, citando como exemplo, Zé das Camisas, responsável por lapidar tantas jóias nas categorias de base.
Porém, muitos não foram vítimas da tecnologia, tendo simplesmente o azar (ou sorte) de jogarem ao lado dos maiores gênios que vestiram a camisa atleticana. Não fosse Dario a marcar aquele gol no Maracanã, muitos poderiam se tornar símbolos do título de 71, pois vimos de Renato a Vanderlei, Grapete, Lola, Humberto Ramos, Oldair, Tiao, e todos m
ais, passando pelos reservas, sinônimo de raça e união. Dadá com seu jeito desengonçado foi só o garoto propaganda que a natureza escolheu para simbolizar a conquista de muitos.
Reinaldo também teria ofuscado toda uma constelação nos times atleticanos das décadas de 70 e 80, onde Alves, Ângelo, Paulo Isidoro, Marcelo, Silvestre, Osmar Guarnelli, Palhinha, Catatau, Sérgio Araújo enchiam os olhos dos que iam aos estádios e eram peças garantidas nas escalações de seus treinadores, mas que atualmente não aparecem nas listas midiáticas.
Nessa lista de sublimes vilões, há ainda aquela fase em que nada dá certo para o Galo. Por mais que haja investimentos da diretoria e apoio vindo das arquibancadas, em campo a coisa desanda e os dias difíceis se tornam meses ou anos, causando a fumaça da revolta que cega a torcida. Jogadores que enfrentam esses dias no Atlético vivem entre a flor e o espinho, pois com a torcida fragilizada tendem a facilmente tornarem-se ídolos, porém tendo as mesmas chances de entrarem para o hall dos vilões, na ausência de taças.
Mas a maioria dos que atravessam esse deserto, por mais que apresentem um belo futebol, caem no esquecimento rápido, como aconteceu na decepcionante década de 60, e como acontece na atual década. Marcial e Nilson pode soar estranho para você, mas seriam dos poucos que sobreviveriam às críticas naquela difícil década de 60 para o Atlético.
Atualmente, chegamos a sonhar com o título em 2001 e 2009, mas testemunhamos o abismo da nossa história em 2004 e 2005, onde o rebaixamento confirmou que esses seriam os anos mais tristes dos nossos dias.
Por jogar nesse período difícil, muitos desses jogadores que hoje criticamos podem estar injustamente sendo apedrejados. O excesso de imagens não deixam escapar nenhum erro dos atletas, o que no futuro por causar uma distorção dos fatos.
Os que vestiram a camisa alvinegra rescentemente serão lembrados como ícones de uma história, ou como estatísticas em súmulas de jogos? O buraco negro que há na história, em relação à informações, causam injustiças ou as poupam? Os que jogaram ao lado de Tardelli e Marques serão lembrados como parte de uma dupla ou sombra de um ídolo?
Perguntas assim eu lhes responderei dentro de alguns anos, mas desde já lhes digo que os nomes que aqui citei e mais Amauri Horta, Campos, Tomazinho, João Luis, Doriva, Jorge Valença, Jorginho, Nunes, Rezende, Éverton, Gerson, Paulista, entre muitos outros podem não fazer parte do Lado A desse disco, porém mesmo que venham no lado B, eles fizeram a mais perfeita trilha sonora da história do universo.
E não importa a época, de que forma e ao lado de quem jogaram, certo é que uns são a listra branca, outros a listra negra, e juntos formam essa bandeira que cobre nossos corações.
Obrigado a todos.




















