Se eu tivesse dado um salto em minha vida e não vivesse o último ano, não acreditaria se alguém me contasse como foram esses últimos doze meses.
O erro da torcida em pedir Leão, o erro de Kalil em insistir em Celso Roth o erro dos ventos no futebol que nunca sopram para nosso lado. Ainda que tenhamos errado bem menos que nos últimos anos, a tragédia não foi menor.
Esse deserto que caminhamos por 40 anos parecia ter chegado ao fim em 2009, mas era uma miragem de oásis que mais uma vez deixa essa torcida sedenta de títulos. Até quando conseguiremos viver no Egito eu não sei, mas diante desse Mar Vermelho que não mostra sinais de que irá abrir, a esperança pode não ser eterna.
A nova geração está quase toda perdida, reduzindo drasticamente a cada ano, e nós nada podemos fazer para converter as crianças ao atleticanismo. Hoje elas chegarão nas escolas, e assim como nos últimos anos, verão torcidas multicolores a gritar e a comemorar enquanto elas arrastarão a fé de ver seu Galo campeão por anos e anos.
E quando chegarem em casa verão seus pais com o olhos cansados, cientes de que talvez seja melhor não converter aos filhos à essa paixão para que não se repita os tantos dias de tristeza que viveu o pai.
Esse deserto não pode ser infinito. Continuaremos caminhando enquanto houver forças nesse sofrido coração alvinegro.
Ano que vem muitos desses amarelões não estarão mais dentro de campo OU NA ÁREA TÉCNICA, e pode ser que em uma dessas mudanças nesses tantos anos que virão, o deserto chegue ao fim.
Essa torcida tem amor inegável ao clube, mas decepção é algo difícil de cicatrizar.











