Com a mochila nas costas, ela partiu de casa, em busca de algo que recarregasse suas energias. Caminhou certa do que queria, mas insegura do que iria encontrar no caminho, as expectativas eram muitas, e assim como a bagagem, também lhe pesava os ombros.
Durante o trajeto, observou as pessoas ao redor, umas possuam um olhar perdido, como se não soubessem ao certo a que mundo pertenciam, outros tinham um olhar fixo em um único ponto, como se nada mais que acontecesse ao seu redor tivesse importância.
Aos poucos, tudo ficava mais claro, os medos foram passando e a certeza de que iria dar tudo certo foi tomando conta do seu coração, o caminho que antes parecia curto demais para sua timidez, se tornou grande demais para sua ansiedade. A roupa que ela trajava passou a ser vista em todas as esquinas e assim foi possível perceber o alcance da tradição daquele que ela ama.
Encontrou com seus semelhantes, e por mais estranho que parecesse a ideia de se sentir à vontade, foi assim que se sentiu. A falta de contato com as pessoas que ali estavam lhe causou um sentimento estranho, de tempo perdido, por não ter estado ali antes.
A identificação instantânea com os presentes lhe causou frio na barriga, porque talvez não fosse recíproca, e isso seria mortal. Quieta no seu canto, era capaz de enxergar em cada um, a mesma loucura que sempre foi acusada de ter.
Ainda havia o restante do trajeto, mas esse já não seria cumprido sozinho. As poltronas organizadas em dupla, que ela havia pensado que seria um momento complicado por não ter com quem dividir, não causaram problemas, visto que na verdade elas são quase esquecidas. Durante a viagem, músicas, canções e expressões que nunca lhe sairão da memória. Se tivesse ali papel e caneta, daria pra escrever um Best Seller.
Chegando ao destino, ficou tão feliz, que causou inveja em São Pedro, que por não poder fazer parte da festa, chorou muito e lavou a alma de toda a sujeira e energia negativa. Os bancos molhados, o vendedor de capa que garantiu a feira da semana, as vaias, os protestos as faixas, tudo fazia parte da festa, e tudo era necessário.
Ao olhar o Galo em campo, viu um time tímido, cheio de medos, porque sabia que diante dele havia quatro mil corações extremamente machucados e que dificilmente dariam conta de curar essa ferida, independente de qual fosse o resultado. Os pouco mais de 90 minutos de jogo ocorreram em uma mansidão discrepante, apesar do arrepio causado na segunda vez que a bola encontrou nas redes.
O fim se aproximava, e com ele, a certeza de que ainda há muito a ser feito dentro das quatro linhas. Assim como ainda há muito que se aprender nas arquibancadas.
A ela, restou a convicção de que estava no lugar certo, com as pessoas certas, e que a partir daquele momento, muitas coisas boas passariam acontecer.
O que o amor pelo Galo uniu, decepção nenhuma é capaz de separar...
“Vamo que vamo Galo...”
