Texto enviado pelo leitor Rodrigo Ávila
Depois da chateação e da tristeza, acompanhados de um desconsolo enorme no peito, eis que uma explosão, quase 3 horas da manhã, ecoa por todo bairro de Santa Tereza. “BUM!” E um grito ecoa lá de longe: “GAAAAALO!”
A voz vem num tom de cheiro de álcool, deve estar a quilômetros de mim, mas eu sei, tem cheiro de álcool. É o conforto que precisamos.
O conforto de saber que essa dor não dói sozinha. Não é a dor da mulher que vai embora, do parente que sucumbe à morte (nossa maior certeza), de um emprego perdido ou do dedo preso na porta.
É a dor do jogo empatado, onde nada, nadica de nada do que queríamos aconteceu. A bola bateu no travessão e o bandido do juiz não deu o pênalti (normal). E não dá para voltar no tempo, já foi, acabou. Da minha janela, inclusive, o Independência já se vê todo apagado. Jaz cravado no Horto.
Mas você nunca estará sozinho, em lugar algum do mundo serás o único! Você e outros milhares ainda pensam na falta onde a bola deveria entrar, no mínimo seria justiça divina. Mas como cobrar justiça se o Manto do filho de Deus teve pichado “Ronadinho” nas costas? Você pensa em tudo que justifique, mas nada justificará. Nada!
Você só não estará sozinho. Essa é a certeza! Junto, sofrendo ou comemorando estará uma Nação. E ela é inteira preta e branca! E ela é inteira até morrer, com muita raça e amor.
Domingo tem mais.


