Texto enviado pelo leitor Marcelo Alvarenga
Há vários anos em que a torcida do Galo faz festa e conta vantagem das longas filas que se vê em vésperas de jogos. O quarteirão da sede fica contornado de branco e preto, independente de quem seja o adversário. Essa festa é mostrada em veículos de imprensa e ostentada por muitos, mas não por mim.
Se tem uma coisa que sempre me deu raiva em ir ao estádio foi enfrentar filas. Nunca gostei de passar 4 horas em pé, esperando para comprar um ingresso e poder ver um time que em 80% das vezes não corresponde às expectativas. Não que isso seja determinante para minha ida ao campo, mas se fosse para ver um Barcelona, as 4 horas passariam mais rápido.
Veio 2012, e com ele a promessa de um Sócio-Torcedor. Me vi feliz, pois teria ingresso garantido a todos os jogos sem passar pela tortura semanal. Era o ideal, um preço justo para acessar o estádio sem filas e sem problemas, certo? Errado.
O Sócio-Sofredor (vocês entenderão o sofredor) foi anunciado, e a minha surpresa se deu pelo único plano oferecido, e o alto custo do mesmo. Duzentos reais mensais, com pouquíssimos benefícios oferecidos pelo plano. Para que, Kalil? Custava oferecer ao torcedor ao menos uma camisa oficial no final do ano? Custava dar a cada um, uma camisa que identificasse os sócios dentro do estádio, como um prêmio por desembolsar tamanha quantia mensalmente?
Sou estudante e, portanto pago meia-entrada. Um ingresso no setor dos sócios é avaliado em R$100,00, então eu pagaria R$50,00 por jogo. Para que valha a pena, preciso de 4 jogos no mêsem BH. Sabequando isso vai acontecer? Nunca.
Ainda sim, estava disposto a ajudar o Atlético e a não enfrentar filas. O time esse ano parece que vai dar alegrias e não quero ficar de fora do Independência em um jogo sequer. Fui à Sede de Lourdes, fiz o meu plano e coloquei o pagamento no débito automático. Todo dia 30 de cada mês sairiam da minha conta os chorados R$200,00 diretamente para a conta do Galo. Um sacrifício, mas que valeria a pena pelo conforto.
No primeiro mês tive que pagar em dinheiro, sem problemas. Veio o mês seguinte e no dia 18 recebo uma mensagem cobrando o pagamento, caso contrário não teria acesso ao jogo contra o Náutico. Claro que o mês não havia sido pago, ainda era dia 18, o débito estava programado para o dia 30! Com toda a calma liguei para a central de atendimento do Galo na Veia, e em todas as 18 ligações em um intervalo de 3 horas, uma mensagem automática me dizia que todos os atendentes estavam ocupados. Na última ligação, já estava na porta da Loja do Galo e subi até a central para resolver o problema.
Lá estavam sete atendentes, TODOS a toa, conversando abobrinha, com os telefones desligados. Ponto para a desorganização. Já não cheguei muito feliz, lógico. Expliquei toda a situação para a responsável, que me disse que os bancos não aceitaram os débitos automáticos vindos do Galo. Ou seja, o presidente não havia nem consultado as instituições financeiras acerca dessa possibilidade. Já fui perdendo a paciência e perguntei como seria feito. Ela me disse que estavam tentando enviar um boleto para a casa dos sócios todo mês, mas caso não fosse possível, seria preciso ir à sede de mês em mês para efetuar o pagamento.
Deixe explicar algo Kalil, eu não estou tendo lucro com o sócio, eu estou tendo prejuízo. Estou pagando para ter conforto e ajudar o Atlético. Se eu gostasse de me encaminhar à sede todo mês, eu compraria os ingressos, ao invés de pagar o sócio.
Discuti a situação com a atendente e já prometi, se não mandarem o boleto no mês que vem, perdem a minha contribuição.
Outros pontos negativos:
- O torcedor que avisa que não vai ao jogo recebe 10 pontos, o que comparece recebe 5. Não, não é brincadeira. O Galo te premia melhor se você só mandar o dinheiro. Eles deixam claro que não querem sua presença, e sim sua contribuição.
- Não sei se é uma prática comum entre torcedores, mas eu costumo guardar todos os ingressos. Não espero que me deem um ingresso quando entrar, mas pelo menos escreva a data e o adversário daquela partida na pulseirinha entregue na entrada. Faça algo temático, profissional e que dê a impressão de que o torcedor vem em primeiro lugar.
- Agora não é uma critica e sim uma sugestão. Faça outros planos de sócio, Kalil. Que não seja algo que garanta o acesso, mas que possibilite a outros torcedores de menor renda a participação nessa nova era atleticana. Não é fácil para ninguém tirar R$200,00 do orçamento mensal, mas um preço mais justo poderia ser muito proveitoso para ambos os lados.
