Texto enviado pelo leitor Icaro Gabriel
Era manhã do dia 30 de Maio, dia de decisão e esperança para milhões de loucos apaixonados pelo Alvinegro. Dia em que eu teria que trabalhar, mas com muito esforço e bons resultados na empresa consegui na véspera do feriado a tão sonhada folga para partir junto com amigos rumo ao Independência, nossa segunda casa. Dali eu já estava pilhado, pouco consegui dormir na madrugada de quinta-feira, esperando as onze da manhã como nunca para tocar pro Caldeirão do Horto.
As horas se passaram, o relógio já marcava 11h daquele dia decisivo e ali partíamo-nos para mais um momento inesquecível, saindo da cidade de Três Marias com passagem em Curvelo para encontrar com outros Atleticanos da região e assim fomos nós, com toda empolgação, entoando cantos e gestos pela BR 040, mostrando o nosso amor sincero ao Alvinegro, fazendo daqueles momentos dos mais empolgantes de nossas vidas. A cada minuto, se aproximava de nós o Caldeirão do Horto e ali aumentando nossa ansiedade e vontade de estar próximo ao Galo novamente, sendo que onde passávamos, éramos respeitados e aplaudidos por outros Alvinegros espalhados nesta Minas Gerais. Com ares de tensão e alegria, enfim às 19h chegávamos nós ao tão louvado Horto, vendo ali inúmeros alvinegros fazendo espetáculo pelas ruas daquele bairro.
Naquela hora tudo já era loucura na Silviano Brandão e ruas próximas ao estádio. Com minha turma, já subíamos quebrando tudo com cantos e som de palmas, do hino ao samba de Beth Carvalho. Na porta do caldeirão, pedi a todos que me esperassem alguns minutos por ali, pois tinha um grande compromisso de buscar a Viviane Santos ‘’Vivi’’, ruas abaixo dali. Encontrando e junto dela, chamei para subir a Rua Pitangui, onde estava minha turma a esperar por nós dois. Já em frente ao portão de entrada dos ônibus, pedi para ela que me aguardasse um minutinho na calçada, pois eu iria realizar uma entrevista ao canal Sportv. Juntamente com aquele povão, comecei a pular depois da entrevista e como a empolgação era maior que a atenção, sofri ali meu primeiro furto em toda minha vida. Em questão de 15 segundos o bolso da minha calça que portava de câmera digital e carteira, já não havia mais nada.
Foi o maior susto e banho de água fria que já levei, eu parecia não acreditar que toda aquela alegria que esperei a semana toda estava indo embora daquele jeito, no prazo de segundos, por mãos de pilantras, enfim, fui roubado perdendo objetos e o que jamais podia perder – os ingressos. O desespero e a raiva me tomaram, fiquei incontrolável, sem reação, sem acreditar, sem saber se era um falso sonho ou pesadelo real, até a Viviane me abraçar e dizer, ‘’calma eu estou aqui’’, somente assim vi que era um pesadelo real ao lado de uma princesa de valor que não merecia aquele momento. Já passava das 20h30 e eu permanecido de tristeza e falta de força, vendo todo mundo feliz, entrando ao estádio e cantando ao mesmo tempo, soltando bombas, aquecendo os tambores, aquecimento da Galoucura rolando e eu sem rumo, na tentativa de conseguir achar meus valiosos ingressos. Fui espalhando a tristeza, tentando amenizar aquela dor através de amigos, Leide Botelho, Pedro Souza, Marina Ponzo, Nedson Araújo e Bela Lacerda fizeram acreditarmos um pouco mais que iríamos ainda participar do espetáculo, esperança que já se tornava difícil pela falta de ingresso e altos preços de cambistas fora dos nossos padrões.
As horas foram passando e meus amigos já tinham sido avisados por mim do acontecido. Desejando a eles a boa festa, sorte ao entrar no estádio e ao mesmo tempo o que era sorriso por parte deles foi trocado por cabeças baixas, sentindo ali um pouco da minha dor já que vieram na expectativa de festejar comigo, desde o início da semana. O jogo já ia se aproximando e nenhum sucesso perante o ingresso, era uma noite triste se desenhando pessoalmente a minha história. Tentando conformar, mas muito longe disso chamei a Viviane e fomos ao Bar da Tia Morena na fraca empolgação de ver na TV, estando tão próximo ao campo, sentindo o calor da Massa. Vendo que não tinha luz para acreditar, pedi uma cerveja para tentar acalmar e ver o grande jogo pela TV, munido de fraqueza e falta de sorrisos. A partida começou e tudo veio a piorar, passando pela minha cabeça a tensão e ao mesmo tempo o porquê de não estarmos do lado de dentro.
O Galo não jogava bem, não inspirava confiança, nada dava certo e ainda por cima havia torcedores ligados nos radinhos, tirando a emoção daqueles que viam pela TV. O Tijuana saiu na frente e piorou a tensão. O Galo empatou e voltei a acreditar, sabendo que éramos e somos o time da virada e do amor. Veio o segundo tempo e a aflição continuava, sabendo que qualquer vacilo era fatal pelo andar do jogo.
Minutos se passavam e a disputa caminhava para um final daqueles, com emoção e cuidados. Vieram os acréscimos e já começávamos a cantar o hino, até acontecer o inesperado, o susto, o pênalti. Ao mesmo tempo em que eu tentava acreditar no Victor, me vinha todos os problemas da noite, me forçando a acreditar que ali era o fechamento da tristeza. Ao olhar pra Vivi após o pênalti marcado, não consegui conter as lágrimas e querendo tentar entender o porquê daquilo acontecer. Pessoas saindo do estádio chorando, xingando, nos chutando cadeiras nos bares, batendo nas paredes, ninguém acreditava naquilo, um time brilhante terminar daquela forma seria vexatório.
Peguei a Vivi e fomos para a porta do estádio, colados no muro esperando a reação da Massa na esperança de uma defesa, de um milagre, acompanhado a minutos de vaias aumentando nossa tensão. De repente, o grito dos Atleticanos veio, os bares vieram abaixo e ali o milagre do nosso Senhor Jesus e o grande goleiro Victor.
Lembrei, o ano é 2013 e 13 é GALO. Jesus olhou por nós, sabia do nosso esforço e paixão inigualável, ele sabia do que aquele povo que lotava o Horto precisava e Ele nos deu: Deu-nos a defesa, a vitória em meio à tempestade, a mim e à Viviane a oportunidade de gritar e desabafar toda aquela tristeza engasgada desde o início da noite por tudo que se passou. Ela me abraçou e ajoelhamos na Rua Pitangui, chorando e gritando ao mesmo tempo, em meio a tanta gente louca e sem noção, tomados pela emoção, ali terminava uma noite de empolgação tomada pela decepção e finalizada de desabafo.
Só tenho a agradecer a quem me deu força naquela noite e principalmente à Viviane Santos que foi meu colo, minha força, só ela viu e sentiu a minha decepção durante toda a noite e, ao final da mesma, com um abraço forte, recuperá-la ao lado de uma mulher especial é realmente marcante. Fui embora melhor e consciente de que mesmo na água suja nos aparecem coisas bonitas que significam limpeza em nossos sentimentos.
Saudações!

