Não que eu pertença ao grupo dos pessimistas, mas o jogo de quarta feira foi de preocupar. Claro que eu esperava uma goleada, todos esperavam e era nosso direito, por tudo que vínhamos apresentando, pela artilharia e liderança do estadual (Copa do Brasil na primeira fase é passível de comparação com Mineiro), era o mínimo.
Aliás, mínimo foi à palavra do jogo, o esforço foi mínimo assim como a competência e o futebol de ambas as partes também, pois o Cene parecia ter entrado em campo focado apenas na tradicional troca de camisas no fim da partida.
As alterações feitas na equipe, pelo técnico Cuca, não se encaixavam e creio ter pegado até os próprios jogadores de surpresa. A escalação de Serginho foi uma tentativa frustrada (a última, eu espero) de reintegrá-lo à equipe, manter Fillipe Souto na reserva é outra atitude digna de explicação. Perder a titularidade para Leandro Donizete pode ter alguma justificativa plausível, perder para o jogador de pelada oficial, não.
Função inexplicável também a do Renan Ribeiro, quando era criança sempre ouvi falar que os goleiros tinham que saber defender, cobrar tiros de meta e salvar penalidades, observar as constantes falhas do Renan, me coloca para pensar se as novas regras para ser goleiro titular incluíram saber conversar e ser o queridinho das adolescentes.
Qualquer bola na pequena área é motivo para enfartar, o goleiro não passa segurança e, fosse eu, como zagueiro no time alvinegro, dificilmente arriscaria recuar a bola para o nosso arqueiro. Sou grata aos serviços prestados, mas assim como sustentar um casamento por gratidão é errado, manter um goleiro por esse motivo é tão perigoso quanto, faz mal para ambas as partes. O fato é que Renan precisa reencontrar motivação pra jogar, esteja ela onde estiver, mesmo que seja fora do Atlético.
A entrada de Mancini e sua vontade de mostrar jogo interferiram positivamente no resultado do jogo, é óbvio que ele está longe de ser um craque, mas está em busca do seu lugar ao sol, e enquanto o sol dele brilhar em nossa direção, sua escalação é totalmente válida.
Comemoramos um gol anulável (sem remorso nenhum), conseguimos a classificação, mas insistir no erros cometidos ontem, pode ser fatal em outras fases da competição.
Assim como em uma receita, é preciso encontrar o ponto ideal, e o Galo está longe disso. Não se pode exagerar no tempero, tão pouco retirar totalmente o sal. Exceder ou minimizar o valor de qualquer um dos ingredientes pode desandar a massa, e nós, bons apreciadores do Atlético que somos, não queremos terminar mais uma competição sentindo na boca o gosto amargo da desilusão.
Foto - Flick Oficial do Atlético
"Vamo que vamo Galo!"
