Galo 100%, como em 1942

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12/03/2012 - 15:36

42 300x215 - Galo 100%, como em 1942A vontade é de fazer como Marty McFly em 1985 e voltar no tempo. O ano seria 1942 para contemplar um dos maiores esquadrões que já existiram nas Minas Gerais. Eram tempos de guerra em todo o mundo, mas tempos de ouro no Atlético.

Kafunga, Ramos e Evandro. Cafifa, Hemetério e Bigode. Hamilton, Baiano, Tião, Nicola e Resende: esquadrão de ouro do Galo que tomou conta do campeonato mineiro de 1942, quando o Glorioso não perdeu nenhum ponto durante todo o torneio.

Num campeonato em meio à tensão da Segunda Guerra Mundial, o Galo se mostrou acólito e emprestou seu estádio para a realização de eventos esportivos, buscando arrecadar fundos para comprar um avião bombardeiro para a FAB, que se encontrava em solo europeu, guerreando contra as forças do Eixo. Por alguns jogos ficamos sem nossa verdadeira casa, mas nada que detivesse a torcida alvinegra de lotar estádios adversários para empurrar o quadro atleticano.

O Atlético, que havia vencido o Campeonato do ano anterior, enquadrava medo nos rostos dos adversários que, atônitos, se esforçavam tentando parar o grande esquadrão de 42. Esforços em vão. Em apenas dois jogos o Galo venceu por menos de dois gols de diferença. O abismo entre quadro alvinegro e os demais times era colossal. Todos os defensores estremeciam ao ver Tião, Baiano, Hamilton, Nicola e Resende à sua frente. Os atacantes rivais tremiam ao lembrar que na defensiva alvinegra havia o grande ídolo Kafunga, protegido pela dupla Ramos e Evandro (ou Ewandro, como constam em alguns registros), que formavam uma grande muralha quase impenetrável como as linhas defensivas que atuavam na guerra. No meio, havia o trio Cafifa, Hemetério e Bigode, que juntos, levavam a gorduchinha à linha de frente alvinegra com maestria. Era um time completo.

A campanha 100% também é devida a Espanhol, Canhoto e Silva, que substituíram um dos onze titulares quando preciso. O primeiro substituiu Kafunga, quando este acabara de renovar contrato com o Galo, e não fora regularizado na FMF. Canhoto substituiu Evandro por conta de um problema estomacal. Silva entrou no lugar de Cafifa por uma lesão na panturrilha.

A torcida do Galo já fazia a diferença, sendo reconhecida e temida por todos adversários. No jornal Estado de Minas do dia 09 de junho de 1942, na reportagem “Tião, o Leônidas de Minas”, a torcida atleticana já era chamada de Massa, alcunha que permanece até hoje.

Ainda no campeonato de 1942, o time do Barro Preto adotou três nomes diferentes durante a competição. A primeira mudança ocorreu devido a um decreto do Presidente Getúlio Vargas, onde ficava proibida qualquer entidade ligada aos países inimigos. A segunda, devido ao Clube Atlético Mineiro. O Ipiranga (antigo Palestra) recebeu o Galo em seu estádio, no bairro Barro Preto no dia 4 de outubro de 1942. Uma vitória bastava para o Atlético se tornar campeão de 1942 por antecipação.
O clima na cidade era tenso e os jornais tratavam o jogo com o mesmo peso de uma batalha da Grande Guerra. Jogadores dos dois times evitavam se encontrar, agravando o clima já pesado que antecedia o clássico.

No jogo, vitória atleticana por 2 a 1, gols de Baiano (aos 42 do 1º tempo) e Evandro (aos 27 do 2º tempo). O quadro alvinegro ainda havia sofrido a perda de Hamilton, expulso aos 10 do 2º tempo.
Após o término do jogo, o Galo se tornava campeão mineiro por antecipação e comemorava em plena casa do rival. Dois dias depois, o Ipiranga anunciava a mudança de nome para Cruzeiro, devido à derrota histórica sofrida.

A última partida foi contra o Villa Nova em 11 de outubro de 1942. O quadro alvinegro venceu por 4 a 3 e se sagrou campeão com 100% de aproveitamento. Como era registrado na época, onde se contavam os pontos perdidos, o Atlético venceu o campeonato com 0 ponto.

Todos nós atleticanos devemos nos curvar sob esse grande esquadrão que defendeu as cores do nosso amado Galo com tanta dedicação. Hoje, poucos conhecem a história desse grande time que fez Minas Gerias render-se ao talento de jogadores que souberam sustentar o Atlético como o time mais temido das montanhas do território mineiro.

Lucas Alves
Galo Digital