
Uma das discussões internas da Massa Atleticana na última década é sobre a colocação ou não de Guilherme como ídolo do Clube Atlético Mineiro. É inegável a grande ajuda que o antigo camisa 7 deu ao Galo, mas um episódio, no qual o jogador, atuando pelo nosso maior rival, marcou um gol em cima do Atlético, pode ter jogado toda sua história pelos ares.
Guilherme de Cássio Alves começou sua carreira no Marília, clube do interior de São Paulo, no ano de 1992. No ano seguinte foi contratado pelo São Paulo, onde foi campeão da Libertadores e do Mundial. Depois saiu para atuar no Rayo Vallecano, da Espanha, e em 1997 voltou ao Brasil para atuar no Grêmio. No meio da temporada de 1998 foi contratado pelo Vasco, que, um ano depois, o vendeu ao Galo. No total foram duas passagens pelo Atlético.
Ainda em 1999, fez parte de uma das grandes duplas de ataque da história Atleticana: Marques e Guilherme, Guilherme e Marques.
Com ajuda do Xodó da Massa, Guilherme marcou 28 gols em 27 jogos no Campeonato Brasileiro daquele ano, igualando marca que apenas Reinaldo havia alcançado, e ainda se consagrando artilheiro daquele ano. Na final daquele ano, contra o Corinthians, Guilherme marcou três gols, sendo um aos 15 segundos de jogo.
No ano seguinte, marcou 7 gols no Campeonato Mineiro, no qual o Atlético foi campeão. Na Libertadores, Guilherme foi implacável – marcou 9 gols em 10 jogos disputados. Um deles foi especial. No jogo contra o Cobreloa, no dia 5 de abril, a bola sobrou para Guilherme, que de fora da área chutou de três dedos. A bola encobriu o goleiro Claudio Mele e entrou no ângulo. É considerado um dos gols mais bonitos marcados pelo matador. Nessa mesma partida, o atacante marcou outros três gols.
Nos dois anos seguintes, Guilherme não repetiu suas ótimas atuações das temporadas anteriores, sendo emprestado ao Corinthians em 2002. Antes, conseguiu ser artilheiro do Campeonato Mineiro de 2001 (10 gols), da Copa Sul-Minas de 2002 (8 gols) e do Campeonato Mineiro de 2003 (13 gols). No meio do ano de 2003, foi vendido ao Al-Ittihad, da Arábia Saudita. Depois de alguns meses, voltou ao Brasil para jogar no maior rival do Galo. Num clássico, marcou um gol e pediu silêncio à torcida Atleticana, além de mostrar uma camisa da torcida organizada rival. Esse fato é o que faz muitos Atleticanos repudiarem a ideia de Guilherme ser considerado um ídolo do Galo.
Foi vendido ao Botafogo em 2004, onde, como no ano anterior, não fez boas partidas. Resolveu então encerrar sua carreira com 32 anos, devido à problemas cardíacos.
Foi um daqueles atacantes que amedrontava qualquer zaga adversária. Era capaz de mudar o rumo de partidas com apenas um toque na bola. Era um daqueles “matadores” clássicos, ou seja, a zaga bobeava, era gol de Guilherme.
Em suas passagens pelo Galo, Guilherme marcou 139 gols em 205 jogos, conseguiu 99 vitórias, 46 empates e 60 derrotas. Conquistou o Campeonato Mineiro de 2000 e o vice-campeonato Brasileiro de 1999, além de ganhar a Bola de Prata da Revista Placar, também em 99. Tornou-se um dos principais nomes da história do Atlético por ter alcançado a posição de 7º maior artilheiro do Clube, ficando à frente de nomes como Ubaldo, Nívio e Éder Aleixo.
A decisão fica com cada um de nós em particular. Guilherme é ídolo ou é um traidor?
