
Logo que anunciaram o Galo Na Veia Prata, postei no Cam1sa Do2e algumas vantagens e descontos que o torcedor teria em supermercados, mas garanti que não entraria na lista de sócios. Alguns dias depois, enquanto escrevo esse texto, meu cartão está colado no monitor à minha frente.
Esqueçam centavos de descontos na pipoca do supermercado X, deixem pipocas para o pipoqueiro Diego Sou... enfim... não faço compras nos supermercados participantes, nem tenho a intenção de usar meu cartão por lá. Quando as vantagens chegarem aos torresmos que compro no bar em frente à minha casa, penso nesses centavos.
Me cadastrei, pois não tenho tempo de dormir na fila e não suporto a ideia do Atlético estar jogando em Belo Horizonte e eu no conforto do meu sofá. Gosto da arquibancada, encontrar os amigos antes do jogo, xingar até a quinta geração do árbitro. Terminei o ano de 2012 com quatro meses de pendência na faculdade, mensalidades que eu deveria encaminhar aos cambistas que me cobravam até quarenta reais a mais por partida. Finalmente, em maio de 2013, me tornei sócio, paguei 30 reais, contribuí com o Atlético e garanti meu ingresso sem problema algum para uma final de campeonato.
Cheguei por volta das 19h de quinta-feira, nos últimos minutos da pré-venda aos associados. Após quinze minutos na fila, consegui um ingresso do portão 6 por quarenta reais. Na porta do estádio, perguntei aos cambistas por quanto me venderiam o mesmo ingresso – “Oitenta reais, tio” – foi a resposta do homem com um bloco de bilhetes na mão. Eu gastaria quarenta reais em um jogo do mês, sem contribuir com o clube.
Ainda na quinta-feira, ao lado da fila do Galo na Veia Prata, estava a fila dos que esperavam a bilheteria abrir na sexta-feira. O primeiro era um amigo de estádio, por isso tomei a liberdade de fazer algumas perguntas. Ele havia chegado na terça-feira, gastou com lanches, passagem para revezar com outra pessoa na fila e tudo mais. Desembolsou aproximadamente vinte e cinco reais e ainda viu torcedores do time rival atacarem com pedras a turma da fila, na madrugada. Quem já dormiu em fila, enfrentou chuva e fome, sabe que não é a melhor sensação do mundo. Salve, Galo Na Veia Prata.
Chegará a hora que tantas pessoas estarão com o cartão prateado no bolso, que a fila dos sócios também dará volta no quarteirão. Torço muito para que isso aconteça, pois se realmente presenciarmos essa cena, sem dúvidas será graças a um time que corresponde em campo ao investimento dos Atleticanos de arquibancada.
No texto onde eu garanti que não faria meu cartão, encerro dizendo que o Presidente sempre nos ouve, pode demorar, mas ouve. Pedimos prioridade para a compra do ingresso e ela veio, mesmo com um turco rabugento que só atrasa para ouvir a torcida pirraçar. O Atlético está aprendendo aos poucos a usar o potencial de sua marca e de sua torcida. Não digo que todos ficarão satisfeitos com os próximos doze meses, mas eu preferi arriscar, afinal "traz que a gente paga" é uma frase que sempre repetimos. Eles trouxeram e, mesmo que às vezes eu fique no conforto do meu sofá, essa é a hora de colaborar um pouco mais, diante de tantas alegrias nos últimos meses. Riscamos um pedido da lista, agora é passar para o próximo, pois nosso prazer é fazer o turco rabugento trabalhar.
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Fael Lima
ABRAÇO NAÇÃO!

