Céu, 31 de maio de 2013.
Bom, como era de se esperar e eu há muito imaginava, meu coração não aguentou mais um jogo do Galo. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu ia morrer e ia ser assim. Acho que todo Atleticano que sofreu o que eu sofri com o Galo imagina que vai morrer um dia vendo um jogo desse time.
Curiosamente, ontem a morte não veio no sofrimento, mas na alegria. Aliás, eu acho que foi por isso que o coração não aguentou. Se fosse pra morrer do sofrimento, eu já tinha morrido antes. O coração tá calejado de sofrimento, mas de alegria... Ontem foi diferente.
Quando Leonardo Silva fez aquele pênalti, passou um filme na minha cabeça. Sem reação, eu não tive forças nem para xingar. Eu só me ajoelhei no boteco, fiz o sinal da cruz, pus as mãos no peito e comecei a rezar. Eu sei que muita gente fez isso ontem, e tenho certeza que foi com a força da oração sofrida dos milhões de Atleticanos ontem que Deus mandou Mazurkiewicz descer e tocar no pé esquerdo de Victor para corrigir as injustiças históricas que fizeram os times de 77, 78, 80, 81, 88 e 99 do Galo não terem conhecido o sabor das grandes conquistas.
Foi muito para mim. Ao ouvir a comemoração dos Atleticanos no bar, abrir os olhos e ver todo mundo abraçar o Victor, eu senti que minha hora tinha chegado. Aqui no céu é legal. A internet é rápida, tem bastante bacon e, graças a Deus, não tem nenhum cruzeirense. Acho que cada um tem o céu que merece. Aqui já encontrei Kafunga, Roberto Drummond, Telê e muitos outros e todo mundo está feliz com o Galão. Tem mais gente aqui perdida, acho que chegaram ontem no trem que me trouxe. Sabe o trem que o Raul cantava? Então, veio uns mano da TOG surfando nele. A chegada foi bacana, muita festa e alegria. Ninguém tá com raiva do Victor, do Leonardo Silva ou do resto do time que ontem não jogou nada. Perdoamos, pois se for pro Galo ser campeão, a gente morre mais vezes. Vale o sacrifício.
Nesse momento eu peço a todos que estão na terra para que continuem abraçando o time. Esqueçam o oba-oba do já ganhou quando joga em casa. Esqueçam as máscaras do Pânico. Ontem, fui eu que caí no Horto...
Mas não tem problema não: Aqui é Galo! Aqui é Galo! Aqui é Galo! Aqui é Galo!



