Memórias Póstumas de Eduardo Araújo

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04/06/2013 - 14:26

leo tito gabriel castro - Memórias Póstumas de Eduardo Araújo

Foto: Gabriel Castro

Céu, 31 de maio de 2013.

Bom, como era de se esperar e eu há muito imaginava, meu coração não aguentou mais um jogo do Galo. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu ia morrer e ia ser assim. Acho que todo Atleticano que sofreu o que eu sofri com o Galo imagina que vai morrer um dia vendo um jogo desse time.

Curiosamente, ontem a morte não veio no sofrimento, mas na alegria. Aliás, eu acho que foi por isso que o coração não aguentou. Se fosse pra morrer do sofrimento, eu já tinha morrido antes. O coração tá calejado de sofrimento, mas de alegria... Ontem foi diferente.

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Foto: Gabriel Castro

Quando Leonardo Silva fez aquele pênalti, passou um filme na minha cabeça. Sem reação, eu não tive forças nem para xingar. Eu só me ajoelhei no boteco, fiz o sinal da cruz, pus as mãos no peito e comecei a rezar. Eu sei que muita gente fez isso ontem, e tenho certeza que foi com a força da oração sofrida dos milhões de Atleticanos ontem que Deus mandou Mazurkiewicz descer e tocar no pé esquerdo de Victor para corrigir as injustiças históricas que fizeram os times de 77, 78, 80, 81, 88 e 99 do Galo não terem conhecido o sabor das grandes conquistas.

Foi muito para mim. Ao ouvir a comemoração dos Atleticanos no bar, abrir os olhos e ver todo mundo abraçar o Victor, eu senti que minha hora tinha chegado. Aqui no céu é legal. A internet é rápida, tem bastante bacon e, graças a Deus, não tem nenhum cruzeirense. Acho que cada um tem o céu que merece. Aqui já encontrei Kafunga, Roberto Drummond, Telê e muitos outros e todo mundo está feliz com o Galão. Tem mais gente aqui perdida, acho que chegaram ontem no trem que me trouxe. Sabe o trem que o Raul cantava? Então, veio uns mano da TOG surfando nele. A chegada foi bacana, muita festa e alegria. Ninguém tá com raiva do Victor, do Leonardo Silva ou do resto do time que ontem não jogou nada. Perdoamos, pois se for pro Galo ser campeão, a gente morre mais vezes. Vale o sacrifício.

Nesse momento eu peço a todos que estão na terra para que continuem abraçando o time. Esqueçam o oba-oba do já ganhou quando joga em casa. Esqueçam as máscaras do Pânico. Ontem, fui eu que caí no Horto...

Mas não tem problema não: Aqui é Galo! Aqui é Galo! Aqui é Galo! Aqui é Galo!

Texto enviado por Eduardo Araújo

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