No sábado a noite eu estava indo para Ipatinga, onde mal consegui dormir de ansiedade para o jogo de domingo, uma dia que tinha tudo para ser histórico. Enquanto isso em algum lugar de Belo Horizonte, alguns atletas tinham uma noite a mais na vida.
No domingo, às 8 da manhã eu entrei em um ônibus com uma turma de loucos que ficaram cantando e sonhando com o título por horas. E na capital mineira, talvez tenha faltado um pouco desse sonho, e essa confiança, para um grupo de homens.
Pouca grana no bolso, mas um brilho enorme nos olhos, ao ver o gigante Mineirão com milhares de pessoas ao redor com uma só certeza: O Galo será campeão!
Depois de horas cantando na viagem, ainda tivemos forças para cantar mais alto, para que os cariocas que estavam do outro lado, tremessem ao perceber que estava ali um exército para jogar junto com o Atlético.
E na rua do Peixe Vivo, se formou uma onda enorme, verdadeira Tsunami, de alvinegros que pulavam, cantavam, corriam explodindo de felicidade só em ver o Galo novamente brigando pela taça. Se os jogadores soubessem que fazem parte dessa onde enorme, se soubessem usar o poder que tem essa camisa alvinegra, poderiam ter justificado a alegria dessa massa.
Eu só queria um pouco mais de planejamento do Roth, uma agressividade maior do Éder Luís, mais técnica do Feltri, tranquilidade para o Correa e, do Renteria eu nem sei mais o que eu quero.
Será que a culpa é da torcida? Será que por termos cantado tão alto, eles tenham se desconcentrado? Toda confiança que depositamos nesse time, teria pesado as pernas dos "craques"?
Eu queria é o espírito do Galo Doido que entra no gramado, fica de frente para a torcida adversária, bate no peito, dá esporada para levantar poeira, e mostra quem é que manda nesse terreiro aqui.
Depois do vexame, entrei no ônibus onde os mesmos malucos continuavam a cantar e a sorrir, como forma de amenizar as centenas de quilômetros que enfrentariam pela frente. Enquanto o jogo martelava na cabeça dos alvinegros, outros em Belo Horizonte iam para suas luxuosas casas e hotéis 5 estrelas. Profissionalismo eu aceito. Falta de vontade não!
Eu e um amigo dormíamos numa rodoviária, cobertos por uma bandeira, na esperança de tudo ser um sonho, e esperando que ao acordar, encontrasse novamente o domingo de manhã.
Mas veio a manhã e o sol iluminou a realidade....
Então é continuar acreditando. Como disse Correa: Quem acreditar, que venha com a gente!
Ainda bem que ao chegar em casa, encontrei com minha sobrinha Yasmim, de 8 anos de idade. Eu sofri uma mutação na minha forma de torcer, nesses últimos anos graças à ela, pois sempre que tenho um revés, ouço o que ela diz.
Ao entrar na porta falei:"- É meu amor, nosso Galo mais uma vez decepcionou."
E ao ver os vídeos do jogo e da torcida ela me respondeu: "Em primeiro ou último lugar, Tio Rafa, o Galo continua lindo."
Engasgado e com os olhos marejados, tive que deixar minha raiva sucumbir à frase inocente e pura da criança, pois:
"Em primeiro ou último lugar, o Galo continua lindo!"
ABRAÇO 105!
















