Que nossa vida como atleticanos é difícil e ingrata, não é novidade para ninguém. Somos uma torcida muito mais apoiadora do que apoiada. O apoio incondicional da Massa do Galo não é espelhado dentro de campo. Vibramos, cantamos, gritamos e choramos apoiando aquele amor maior, o Clube Atlético Mineiro.
Infelizmente ou felizmente, todo esse sentimento fica a mercê de 11 representantes de toda uma Nação, que nem sempre possuem a mesma vontade de vitória e raça de sua torcida. Nos últimos anos, não vemos um grupo que possa encarnar de verdade a afeição do torcedor atleticano. Há tempos que não vemos um time capaz de representar a grandeza do Clube Atlético Mineiro dentro das quatro linhas. Chegamos a acreditar algumas vezes que esse grande quadro estava ali, diante de nossos olhos. Deploravelmente, era apenas lenda. Desde o vice-campeonato Brasileiro de 99 e os bons times de 2000 e 2001, não vemos nada perto de fazer justiça à dimensão do Galo.
Esse ano, vemos um time com nove vitórias em nove jogos, mas não vemos brilho, não vemos boas apresentações, não vemos um quadro que seja capaz de suportar o nível de um Campeonato Brasileiro. Pode ser cedo para falar, mas o Atlético parece não ser capaz de apresentar um futebol digno de Atlético. Atlético Campeão do Gelo, Atlético Campeão dos Campeões, Atlético Campeão Brasileiro em 71, Atlético Hexa-Campeão Mineiro, Atlético Campeão da Conmebol em 92 e 97, Atlético 40 vezes Campeão Mineiro.
Nos principais títulos atleticanos, tínhamos jogadores capazes de fazer a diferença e chamar a responsabilidade. No Campeonato Brasileiro em 71, víamos Oldair, Lôla, Dario. Quando Campeão do Gelo, víamos Kafunga, Zé do Monte, Lucas Miranda. Em 1937, no Torneio dos Campeões, víamos Guará, Nicola, Kafunga. No hexa-campeonato mineiro, iniciado em 78 e terminado em 83, víamos craques como Reinaldo, Éder, Cerezo. Na Conmebol de 92, víamos João Leite, Paulo Roberto Prestes, Sérgio Araújo. Na Conmebol de 97, víamos Taffarel, Dedê, Valdir, Marques.
Na temporada atual, não temos aquele jogador que podemos ver fazendo a diferença dentro de campo, chamando o jogo para si. O grupo se mostra unido e capaz de reverter resultados, mas não temos aquele toque especial que todo time campeão de verdade tem. Não sabemos se será possível conquistar grandes resultados na temporada com um grupo unido, mas sem estrelas individuais, capazes de mudar o rumo de um campeonato.
Independentemente de time fraco, mediano ou forte, a Massa nunca irá abandonar o Galo. Somos diferentes de todas as outras torcidas, e em qualquer momento apoiamos o time, mesmo ele não sendo digno desse apoio. Não existe explicação para esse sentimento, não existe nada que possa ser comparado. Não é possível expressar em palavras o que é ser atleticano. Muitos tentam, mas ninguém é capaz de definir o que é torcer pelo Galo. Somente sendo atleticano para entender.
Coloquei a maior parte desse texto em primeira pessoa, como é o nosso Hino Oficial. O único hino que o coloca o clube em primeira pessoa, deixando bem claro o sentimento do atleticano com o Atlético. Os dois são apenas um só.

