O poder de uma camisa do Galo

Por:
30/06/2013 - 16:12

Texto enviado pelo leitor Daniel Fonseca

482150 203953289710164 100002864848663 297947 1547791926 n 300x288 - O poder de uma camisa do GaloVoltava para casa com a cabeça longe, talvez estivesse pensando em muita coisa ou não pensava em nada. Só despertei quando ouvi um grito de “GALO” e respondi automaticamente, em um tom mais forte. O grito vinha da outra calçada, onde um senhor abria um sorriso largo, com os olhos brilhando e sem dente algum na boca. Um morador de rua que avistou minha camisa do Galo e, talvez com a cabeça aérea, talvez pensando em muita coisa, gritou GALO automaticamente.

Mesmo com certo receio, aproximei-me e comecei a conversar com o Atleticano que aparentava 30 e poucos anos, com a pele castigada pelo tempo, mas o sorriso abençoado pelo Atlético. Contou que era de Santa Luzia até passar a morar na região, em Lourdes, por estar desempregado. Lamentou ter perdido a roupa e todos os pertences, então pediu uma roupa para que pudesse se trocar às vezes. Enquanto me contava, parava para ver os autógrafos de jogadores no meu Manto Alvinegro, mas não identificava os autores das assinaturas.

Busquei um tênis, peças de roupa, um “rango do bão” e uma camisa do Atlético mais antiga. Voltei e fui entregando a pequena doação aos poucos para o homem de rosto firme, sem demonstrar nenhuma reação. Bastou a camisa Alvinegra sair da sacola para a expressão firme dar lugar a um olho marejado. A primeira frase foi “Sempre foi meu sonho ter uma camisa oficial do Galo”. O olho marejado contrastava com o autêntico sorriso banguela.

Desde esse encontro com o Glauber (acho que é esse o nome do Atleticano), não ando mais nas ruas sem pensar em nada ou pensando em tudo. Penso somente no poder que um simples grito de “GALO” e uma camisa preta e branca tem sobre nossas vidas.