Por uma camisa
Sábado. Nove horas da manhã. Como em nossa vida o Atlético está sempre presente, o fim de semana se resume ao alvinegro. Acordei, ainda “quebrado” da noite anterior, mas não desisti... Era o dia de enfrentar a Loja do Galo para comprar a tão falada camisa rosa. Acompanhado de duas amigas, porque elas aprovaram o novo uniforme de treino e isso é o que importa, cheguei à loja poucos minutos dela ter sido aberta. Recebi do gerente a informação: “Camisas de treino, só depois do meio-dia! Só vai levar quem estiver aqui no momento...” Não pensei duas vezes... Ficarei até o fim! O problema, pelo menos pra mim, foi que não fui o único a ter essa idéia. Desde aquela hora, muito alvinegros permaneceram lá.
Os minutos não passavam, diante de centenas de camisas alvinegras, lindas como sempre, todos só queriam saber da novidade. Eram homens, mulheres, crianças e sim, muitos idosos! Sem nenhum tipo de organização, a única regra era a dos mais fortes. O relógio se aproximava da hora marcada e a ansiedade tomava conta dos presentes. Os atleticanos, mesmo que não se conhecessem, faziam pactos e táticas para garantir os seus tamanhos. Só se ouvia: “Eu preciso de duas P, três M e uma G! Segura todas as camisas que você conseguir que depois trocamos.” Eu mesmo combinei com umas seis pessoas.
Quando as caixas chegaram na Loja do Galo, parecia um gol! Gritos e aplausos, o hino entoado por diversas vozes e quem estava ali eram apenas camisas... Elas entraram para o depósito e de lá os vendedores tentaram organizar a multidão, que se reuniu na porta da pequena sala de onde sairiam os produtos. Porém não dava mais tempo, pois o empurra-empurra e a confusão tomaram conta. Diante daquela bagunça, o espírito de guerra prevaleceu. Os vendedores gritavam o tamanho, e a galera voava na camisa. Como um prato de comida no Haiti após o terremoto, a camisa de treino valia ouro naquele momento. Entre chutes, pisões e cotoveladas me arrisquei e fui atrás das camisas que eu precisava. As prateleiras ao redor caiam, quebravam e a Massa não se importava. No final, como é comum ao atleticano, na raça eu consegui! Garanti mais um manto do Glorioso para a coleção! Esta se juntará as camisas vinho, cinza, laranja e outras cores que já fizeram parte de nosso uniforme de treinamentos...
Em poucos minutos elas se esgotaram e alguns tamanhos só eram vistos nas mãos dos clientes. Alguns atleticanos ainda ficaram sem o seu manto, mas infelizmente é culpa nossa. Quem mandou encher até a loja? Ter uma torcida tão fanática que briga até por uma camisa? Eu nunca tinha visto nada igual. Mas o Atlético é isso. Movido por paixão e sentimento. São assim com camisas, ingressos, na entrada do Mineirão. Isso sim é torcida!
A nossa cor segue inalterada. É preto e branco! Concordo e respeito a opinião de quem não gostou e não usa. Acho que não era necessário ter essa cor em nosso uniforme, mas a camisa ficou bonita, é sucesso de vendas e agora só nos resta deixar de lado as brincadeiras de quem tem inveja da nossa nova camisa e só quer saber de falar de nós! Deveriam se preocupar com eles, pois a situação por lá não é das melhores....
Hoje é dia de jogo. Vamos pra cima, vencer mais uma e sempre APOIANDO! O Mineirão é nosso! Arrisco 4x0...
Relembrando: “O escudo do Galo ofusca qualquer cor, extingui a dor e perdoa qualquer pecado ou heresia” A cor é o de menos...
Vamos juntos Galo!
Cézar Vouguinha Cunha
[email protected] – twitter.com/cezarvouguinha





