Há exatamente 363 dias, eu acordava cedo para receber uma pessoa especial. Encontrei os amigos e juntos fomos para o aeroporto de Belo Horizonte. Enquanto o voo esperado não chegava, uma pausa na lanchonete para comprar um presente: um pão de queijo!
Havia outras pessoas por lá, mas sem barulho, o que me causou estranheza, mesmo sabendo que não duraria muito, pois onde estão 2 ou 3 atleticanos, o hino é entoado obrigatoriamente. O hino veio e enquanto cantávamos, um ônibus lotado de torcedores parava na porta. Como se tivéssemos ensaiado por meses, a multidão cantou junta e eu pude ouvir aquela música pela primeira vez – “Abram passagem, o terror chegou. Obina destruidor!”
E Obina era o motivo da reunião de atleticanos. Ali começava uma história breve, porém marcante, para a torcida atleticana. O atraso do voo serviu para que a Massa transformasse o aeroporto num caldeirão e juro que me preocupei, pensando se aquelas paredes suportariam tudo aquilo quando Obina saiu da aeronave. Logo que meus braços o alcançaram, lhe entreguei o presente, como um batismo mineiro.
A Massa pensou que receberia um jogador, mas ali começava uma verdadeira amizade.
Aquele sorriso espontâneo contagiou seus companheiros de time e a torcida, Obina era a humildade, raça e respeito à camisa que tanto pedimos. Gol era comemorado na grade, próximo do seu povo, beijando sua farda preta e quando fez 3 pela primeira vez em Minas, fez questão de pedir o hino do Galo na TV.
E por falar em gol, Obina fez muitos: foi gol de cabeça, de fora da área, de peixinho, de dentro da pequena área, de pênalti, sem querer. E entre esses tantos gols, alguns calaram um estádio em clássico de torcida única. Obina foi tão mágico que teve seu nome ovacionado pela torcida do São Paulo, clube onde nunca jogou, só porque esse enfrentava nosso rival no Parque do Sabiá, onde o atacante havia marcado 6 gols em 2010.
E é essa mágica, esse sorriso, esse Obina que trará saudade ao Atleticano que se despede do atacante. Se há um ano atrás eu lhe entregava um pão de queijo, hoje lhe entrego a chave de casa. Volte quando quiser Obina, pois a casa é sua e a Massa nunca deixará de cantar:
“Abram passagem, o terror chegou. Obina destruidor!”
ABRAÇO NAÇÃO!
Fael Lima
