Quero primeiramente dizer aos leitores que o texto a seguir será longo, pois conta uma história inimaginável, mas apesar dos fatos parecerem exagerados, lhe dou a palavra de atleticano apaixonado, que todas são verdadeiras.
Nos dias anteriores ao jogo, sem ingresso, passou pela minha mão ingresso de geral, portão 8 e terminei optando por 2 ingressos de portão 9, que foram tratados como Tesouro Nacional.
No domingo da decisão, os coloquei na carteira e fui gravar o Tv Re'Torcida nas ruas de Bh (vocês verão em breve). Passamos por vários pontos com uma figura especial e terminamos a gravação em frente ao portão 9, onde eu entraria para ver o jogo. Levando a mão ao bolso, percebo que minha carteira não estava lá, perdendo ingressos, dinheiro de voltar para casa (Caratinga), cartão de banco e documentos... a final havia terminado para mim.
Ao lado da Daphne (minha namorada), só queria abaixar e chorar, chorar e chorar, afinal, havia participado de toda aquela campanha e não estaria na final. O jogo começou e eu andava de um lado para o outro na esperança que alguém aparecesse com a carteira e os ingressos, ou que uma porta mágica se abriria e eu entraria até mesmo nos gramados.
Os gritos da torcida transbordavam o Mineirão e alagavam o estacionamento, onde milhares de pessoas, assim como eu, não conseguiram participar dessa festa, fazendo uma festa à parte do lado de fora. Eram alvinegros dividindo o radinho, subindo em carros, deitados pelo chão, imaginando a cena que se passava do lado de dentro.
No fim do primeiro tempo confesso que não dava mais pra suportar as lágrimas, mas bancando o "durão", as segurei e comecei a andar de volta para casa.
Escutei de longe um jovem que oferecia 1 ingresso de geral, aceitando pagar com o resto do dinheiro que havia no bolso e o que o Gabriel do Massa Ativa havia emprestado. Como era um só ingresso, Daphne aceitou que eu fosse registrar imagens para o blog e presenciar a cena que eu sempre sonhei (vocês saberão adiante). Obrigado Daphne!
Entrei para a geral me sentindo num palácio e ao ver o Mineirão, o cara durão chorou.
Algumas pessoas assustadas com a cena, vieram até mim para saber o que havia acontecido e após um breve resumo, conclui dizendo entre as lágrimas: "Mas eu entrei e vou ver o Galo campeão com gol do Marques."
Vi pouco do jogo, pois na geral é difícil ficar parado. Quando ficava mais quieto, eu só conseguia olhar pro alto, onde as arquibancadas faziam um show mais valioso que qualquer taça.
Bola no pé do Ricardinho que toca na frente e.... e eu novamente caio em lágrimas. Os que acompanham meus textos nesse período juntos no blog, sabem que constantemente eu cito um gol histórico de Marques aos 44 do segundo tempo. Um gol que me visitava nos sonhos e agora estava ali, na minha frente.
Confesso que não sei se comemorei o título ou o jogo, o título ou o gol do Marques, mas sei que comemorei, e muito.
O Alexandre do Massa Ativa pagou meu ônibus até o centro de Bh, onde do alto da Praça 7 eu pude dizer que documentos eu terei novamente e o dinheiro virá com o tempo, mas aquelas cenas que presenciei, não há como tirar da memória.
O carro de Bombeiros chegando com os jogadores ainda me fez perder o celular, que eu nem percebi, pois estava alucinado com as cenas dos atletas que sabiam cantar o hino do Clube Atlético Mineiro.
Volto para casa sem documento, sem dinheiro e sem celular... mas volto 40 vezes campeão.
ABRAÇO NAÇÃO!















