Território da Paixão – Obrigado, pé esquerdo

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03/06/2013 - 01:15

vencer centim vicentim - Território da Paixão - Obrigado, pé esquerdo

Foto: Centim Vicentim

524689 573158862729076 272532635 n 224x300 - Território da Paixão - Obrigado, pé esquerdoDesde pequeno ia ao Mineirão e tinha meu ritual da sorte. Além de vestir o manto, sempre que eu subia a velha escada que levava para as arquibancadas, já me preparava para que o último degrau fosse pisado com o pé direito. De lá olhava de um lado para o outro, observava as bandeiras já penduradas, os nomes dos times no antigo placar, conferia o horário no relógio ao lado e enfim o sinal da cruz para nos iluminar. Nada disso adiantaria se em um ato falho o pé esquerdo chegasse antes que o direito. Caso acontecesse, pronto... Era um péssimo sinal.
Repeti esses gestos diversas vezes no Gigante da Pampulha. Se o Galo jogasse em outro estádio, eu fazia a mesma coisa. Tinha que entrar com o pé direito. Nos tempos de mascote do Galo, com a Tia Lenir, eu era daqueles que sempre buscava a mão de um jogador para entrar correndo e ouvir a Massa. Várias vezes eu aproveitei do momento em que na correria eles vinham pulando como Saci, só com o pé direito para entrar no gramado. Rindo e feliz, eu fazia o mesmo. Tinha que ser com o pé direito.

Os anos passaram e me mostraram que não adiantava muito esse ritual. Mudei camisa, mudei cueca, mudei meia. Nos tempos de Luxemburgo ia de terno para a arquibancada, mas mesmo assim os maus resultados continuavam a aparecer. Simplesmente larguei essa tal de sorte. Vi que não era coisa para Atleticano. Que sorte tivemos em todos esses anos? Malditos juízes que entravam para nos atrapalhar. Malditos pênaltis que nos mantiveram invictos, mas deram o título ao São Paulo em 77. Malditos jogadores que quando alvinegros não vingavam, mas bastava nos enfrentar para crescerem... Malditos! Malditos!
Neste dia 30 de maio, na virada do dia, a mística caiu. A sorte existe e premia a competência. Foi um sinal divino. Foi Ele, foi Deus que nos mostrou que não somos tão injustiçados. Se aquela rede balançasse, nos perguntaríamos: “Por que Deus?! Por que de novo comigo?!”. Deus foi justo. Coroou o trabalho de homens sérios, de homens que trabalham por milhões. E milhões que agora estão representados no injustiçado pé esquerdo. O pé esquerdo do goleiro Victor. Cai a historinha de que o pé esquerdo da azar. Para o Atlético, independente do final desta Copa Libertadores, o passo mais longo da nossa história foi dado com um pé esquerdo.
Chegamos as semifinais com ele. Abençoado seja o pé esquerdo de São Victor. Eu acredito em milagres! Entramos com o pé esquerdo!

*O vídeo abaixo, com a transmissão do Esporte Interativo, traz a narração de Velber Viana, os comentários de Anderson Henrique e Cézar Vouguinha, autor desse texto.

Cézar Vouguinha

Apoiaremos o Galo para sempre

Atleticano, jornalista, colecionador de camisas e novamente Atleticano