
Aprendi com as últimas competições a não comemorar antecipadamente, não confundir confiança com “oba-oba”, coisas que coloquei na cabeça, mas não consegui levar para o resto do corpo. São três da madrugada e o coração não bate no mesmo ritmo dos dias em que o Atlético não joga, o olho, esse não fecha por nada. A solução seria passar os canais até que o sono surgisse, receita que funcionaria se eu não morasse em uma casa onde até o controle remoto é Atleticano. Foi logo para o VT do jogo, e lá está o coração sem conseguir comunicar com o cérebro, se empolgando a cada lance, a cada gol.
Assisti ao VT, já que estava no Bar do Salomão durante a partida. Olhei pouco para o telão, não vi o primeiro gol, vi pouca coisa no segundo. Às vezes a torcida do Atlético rouba a cena, coisa que acontece em estádio, bar, avenida, enfim, em qualquer lugar do mundo onde pelo menos um Atleticano esteja em transe durante 90 minutos. Eram dezenas de pessoas, de todas as idades, homem, mulher, de todas as classes sociais, ignorando a transmissão na TV aberta para fazer festa debaixo da chuva, longe do conforto do sofá. Tenho certeza que esses dormiram pouco, mas sorriram muito. Todos prometeram que dessa vez não deixariam a empolgação dominar o cérebro. Traídos pelo coração, incentivados pelas cordas vocais que acordaram todos os vizinhos.
Fim do VT. Agora são quatro da manhã. Uma hora para escrever dois parágrafos. Nem sempre é fácil descrever o pensamento quando é o Galo em campo, a alegria que é soltar o grito de GALOOOO pelas ruas confiando que o time ouviu, enquanto eles embarcam no aeroporto de outro país. As últimas competições me ensinaram muitas lições, só não ensinaram a cantar alto, a confiar no Atlético até o fim. Isso eu aprendi com o coração, que às vezes me trai por não conseguir conter tanto amor pelo preto e branco. Não tem cura, é algo que vem desde o berço e que seguirá até o caixão.

