Por ironia do destino foi no dia 29 de julho, dia do meu aniversário, que o Atlético enfrentou a Portuguesa no Mineirão. E com um gol aos 51 minutos do segundo tempo, com zagueiro jogando como goleiro, o Galo mostrou que o 14º lugar não era pra ele e Levir e sua turma começaram uma arrancada que me fez preparar o dedão pra esticá-lo na estrada.
Vitória após vitória eu fui planejando minha rota e procurando algum maluco que me acompanhasse para ter testemunha de histórias e alguém para sofrer junto. E meu brother Fabrício foi quem vestiu a camisa comigo e marcou a data dizendo. "Vamo que vamo que o Galo não pode parar".
A confiança aumentou tanto que antes mesmo da ascenção e o titulo se confirmarem, nós fomos pagar a promessa, já no jogo contra o Paysandu.
Já de cabelo ruivo e moicano, ao melhor estilo crista de Galo eu esperava o Fabrício numa BR quente em frente à uma estátua enorme do Menino Maluquinho, e pensando, malucos somos nós.
Saindo do trabalho, Fabrício e eu começamos a levantar o dedo e a implorar às vezes para sair logo de um asfalto com temperatura de deserto. E fomos passando por Bom Jesus do Galho, Raul Soares, São Pedro dos Ferros, Rio Casca e Ponte Nova. Mesmo se encontrasse uma carona até Belo Horizonte, teríamos que descer de cidade em cidade como foi prometido.
E em diferentes figuras de motoristas, ficamos sabendo que o Alterosa Esporte havia anunciado nossa meta e pediram aos motoristas da rota que parassem para 2 atleticanos com a camisa "Vamos subir Galôôôô".
Dormimos parte da noite em uma praça e depois fomos para uma rodoviária, onde começamos a sonhar como seria o dia seguinte.
Fomos até onde conseguimos, mas a fome chegou com força maior no fim da madrugada, então a chance de entrar em um transporte pirata se uniu ao cansaço e exaustão. Infelizmente não fizemos todo o planejamento, mas estávamos orgulhosos.
Durante a visita pedíamos máquinas emprestadas para fotos com alguns jogadores, já que não possuíamos nenhuma e até a Globo mostrou nossa história no Globo Esporte.
O Atlético de 2006 venceu aquele jogo, foi campeão e mostrou que a Primeira que é seu lugar, uma história apaixonante. E apaixonante foi o show nas arquibancadas que me fez ver que todo sofrimento, luta e esforço não é maior que essa paixão. E pelo Galo eu vou de carona, à pé ou voando, se for preciso....
ABRAÇO NAÇÃO!

