Por Ana Cris Gontijo
Cento e três páginas vividas, cento e três páginas viradas. Fotos, poemas, lacunas, borrões; risos de amor e gritos de dor. Por fim, silêncio: imagens mudas de um passado vivo contam a história de uma camisa que não nasceu para gavetas, mas para o suor e a lágrima.
Contar a história do Galo é falar de 103 esperanças renovadas, 103 estreias, 103 temporadas que nunca deixaram de ser a primeira ou a última na vida de alguém. Durante 103 anos, em cada jogo, sempre houve alguém que viu o Clube Atlético Mineiro em campo pela primeira vez. E a mesma partida de futebol que deu boas vindas a mais um atleticano apaixonado foi também a que despediu, com dor, algum filho que viu o time jogar pela última vez. É por isso que, em atitude de profunda beleza, a Massa do Galo comemora cada vitória e lamenta cada derrota como se fossem a primeira e também a última, porque sempre são.
E é também por isso que considero a camisa do Alvinegro Mineiro o retrato do que este time faz conosco: suas listras emendadas são como os amigos de braços dados, e são as gerações de apaixonados, que, sem terem inventado uma maneira de não morrer, também não se cansam de nascer, e o passado se faz presente na repetição da vida. Tenho motivos para crer que, por esta camisa, o mesmo amor que sentiu o avô sentiu também o pai e sente o filho, e sentirá o filho do filho, por muitas gerações, e para sempre.
Parabéns, glorioso Alvinegro das Alterosas! Somos felizes por amar você. Quanto aos torcedores dos outros clubes, pedimos desculpas se confundimos a cor do seu carro, dos seus olhos, do seu jeans: nosso mundo é preto e branco.
Texto gentilmente cedido pelo blogueiro Roberto Filho do Lances e Nuances http://lancesnuances.wordpress.com/
