NUNCA FORAM 42 ANOS

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05/09/2013 - 15:48

Imagem: Internet

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“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”

 A frase, mundialmente famosa e atribuída ao gênio da propaganda nazista, Joseph Goebbels, faz todo o sentido quando encaixada na história Atleticana. Pelo menos a da última década.

Um dos meus primeiros registros como atleticano é de 1992, no título continental da Copa Conmebol, quando o Galo bateu o Olimpia (freguês de Copas), chegando assim à sua primeira conquista internacional. Eu tinha seis anos de idade, e como já era um apaixonado por futebol, (colecionava joguinhos de botão, anotava escalações e assistia qualquer jogo que passasse) consigo me lembrar, não com detalhes, mas do foguetório e da festa por aquela conquista tão importante. A torcida comemorou, a imprensa fez sua cobertura, e o Galo guardou aquela taça em sua sala de troféus com orgulho.

Outros fatos marcantes vieram, como a tragédia de Rosario em 95, que moldou meu jeito de torcer (talvez fale disso em um outro texto) e o bi campeonato em 97, quando a competição já perdia um pouco do prestígio inicial, mas que nem por isso deixou de ser difícil. Ou algum torcedor do Lanus se esquece da quebradeira na Argentina?

Foto: Bruno Cantini

Foto: Bruno Cantini

O interessante é que após 2003, um ano totalmente favorável ao rival, começou uma onda, orquestrada não sei por quem, mas amplamente divulgada pela imprensa em geral, de que havia um jejum de títulos gigante no Atlético. A mentira foi repetida tantas vezes, que conseguiu induzir ao engano a própria torcida, que embarcou (e ainda sustenta essa versão) de que o clube de coração ficou mesmo do dia 19/12/1971 até o dia 25/07/2013 sem ganhar um título sequer. Não vou aqui entrar no mérito da discussão dos campeonatos estaduais antes da década de 90, que eram super valorizados por todos os clubes. Falar isso pra pirralho de Facebook que cresceu jogando Playstation pode parecer heresia, mas não se muda a história.

De uns tempos pra cá, certos jornalistas passaram a defender que somente títulos como a Libertadores e claro, os europeus valiam alguma coisa. Tanto que na final da Copa do Brasil de 2011 entre Coritiba e Vasco, ouvi um repórter dizer “hoje vamos saber quem vai garantir vaga na Libertadores”... porra, era um TÍTULO em disputa! E todo título, vencido dentro de campo, honestamente, tem seu valor. Por isso, devo ser o único Atleticano que tem orgulho do título de 2006, que é omitido até pelo próprio Atlético, como se quem fez parte daquela conquista, os que ajudaram o clube no pior momento de sua história, não tivessem valor algum.

Portanto, não repitam essa maldita onda midiática que fez o Atleticano acreditar que ficou 42 anos sem títulos. É MENTIRA! Desvalorizar isso, é ofender nossa memória, é jogar no lixo o trabalho sério que foi feito por profissionais para chegarem a essas conquistas. TÍTULO, não é só Brasileiro, Libertadores e Mundial. No mundo do futebol não é assim. Os jogadores não vêem assim. Os técnicos não vêem assim. Tanto que certa vez Carlos Alberto Parreira calou a boca (do “Atleticano”) Milton Neves que dizia que ele não poderia comemorar o título da série C conquistado pelo Fluminense em 99. Parreira respondeu: “Pelo contrário. Ao lado do título de 94 é o mais importante da minha carreira. Título conquistado dentro de campo, todos tem valor.” Milton não replicou e chamou os comerciais…

Falar isso agora é fácil né? Difícil era no final de 2009... http://blog.chicomaia.com.br/2009/12/17/a-arte-de-des-valorizar-titulos-%E2%80%93-replica-ao-texto-da-nilza-helena/

Leitura recomendada: http://flaviogomes.warmup.com.br/2011/04/vale-muito/

Alexandre Silva

Jornalista que fala pra quem torce