SER ATLETICANO JÁ ERA

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24/04/2015 - 14:53

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Texto do jornalista Alexandre Silva

Ser atleticano já era...

De um tempo pra cá torcedores de vários cantos do Brasil têm tido a oportunidade de compartilhar com a gente um pouco da emoção intensa do que é ser atleticano. Pênalti defendido com o pé aos 47 do 2° tempo, viradas históricas, triunfos desconcertantes, verdadeiros “milagres” que ocorrem dentro das quatro linhas impulsionados por uma legião do lado de fora.

Não vou aqui cair no clichê de tentar explicar ou falar sobre “o que é ser atleticano”, pois nem mesmo os presidentes da “Academia Atleticana de Letras” como Roberto Drummond, Fael Lima ou Fred Melo Paiva conseguiram tal feito. Eu também já tentei. O jornalista Fábio Chiorino no Blog Esporte Fino em 2014 descreveu o Atlético como “A loucura mais divertida do futebol brasileiro” e talvez seja isso mesmo. Mostramos ao mundo ultimamente, que ser atleticano é viver uma montanha russa de emoções em qualquer jogo, por mais “inexpressivo” que ele possa parecer.

E apesar de vocês de fora estarem compartilhando isso somente agora, só queria dizer que essa montanha russa sempre existiu e já era fantástica antes. Sempre foi.

Ser atleticano já era extraordinário quando a gente se formou como “Time do Povo”, aceitando todas as classes sociais e raças defendendo nossa camisa.

Ser atleticano já era fantástico quando a gente foi o primeiro time a excursionar e voltar com um caneco da Europa.

Ser atleticano já era excepcional quando a gente consagrou um artilheiro sem o menor talento para o futebol e que esse mesmo artilheiro errante nos deu o primeiro título nacional.

Ser atleticano já era esplêndido quando a gente encantou o país inteiro com uma geração criada na nossa casa, que mandou em nosso terreiro por quase uma década.

Ser atleticano já era formidável quando coroamos um Rei, que a cada gol celebrava confrontando o sistema vigente.

Ser atleticano já era fascinante quando nos ilusionamos com um “time seleção” que não deu nada certo, mas mesmo assim continuávamos fiéis na arquibancada.

Ser atleticano já era ímpar quando conquistamos a América pela primeira vez, deixando os paraguaios perdidos sob nosso talento.

Ser atleticano já era estonteante quando deixamos um título praticamente certo escapar, numa tragédia argentina sem precedentes.

Ser atleticano já era portentoso, quando levamos a América pela segunda vez, dando aula de futebol dentro de campo e recebendo deslealdade fora dele.

Ser atleticano já era encantador quando reunimos uma equipe de renegados, os transformamos em ídolos e perdemos um campeonato por um mísero gol.

Ser atleticano já era sensacional quando a gente se afogava no dilúvio de São Caetano ou lutava até o final pela nossa permanência na parte de cima.

Ser atleticano já era assombroso quando a gente chorou e cantou o nosso hino no momento mais difícil da nossa história.

Ser atleticano já era uma dádiva quando a gente enfiava 80 mil pessoas dentro de um Mineirão para nos empurrar para o renascimento em campo.

Ser atleticano já era um presente da vida quando celebramos um século de existência com um time medíocre, mas confirmamos nosso SER fora dele.

Ser atleticano já era do caralho quando a gente celebrava a despedida de um ídolo marcando um gol do título na final do Campeonato Mineiro.

Ser atleticano já era maravilhoso quando a gente resgatou um dos maiores ídolos do planeta e o transformamos em um dos nossos.

Caros, nos dias atuais nós somente mostramos a vocês um pouquinho do que seria se vocês tivessem tido a sorte de escolher o nosso lado. Do que é estar do lado de cá, de viver intensamente sob essas cores, essa bandeira... Há quem prefira a frieza, o resultado cru, sem paixão, sem intensidade. Enfim, cada um. O “atleticanismo” só é entendido por nós mesmos e não adianta tentar explicar, vocês não vão entender. Ou como bem definiu o jornalista Alexandre Aliatti, na última quarta-feira em seu Twitter: O atleticanismo parece um troço sem meio-termo: ou tu é, ou tu não tem a mais vaga ideia do que seja.” 

E é assim mesmo.